Quem é Edu Monteiro?
Sou fotógrafo,
artista e pesquisador. Nasci em Porto Alegre dia 14/01/1972. Sou casado, tenho
duas filhas e estou acabando meu doutorado em Arte na Uerj. Apesar da minha
fotografia dialogar bastante com a etnografia e o estilo documental eu a
considero cada vez mais próxima da ficção.
Como você se interessou pela fotografia?
Comecei
a fotografar aos 16 anos. Eu ainda estava na escola quando um amigo me convidou
para fazer o curso técnico de fotografia do Senac. Aos 19 anos ganhei meu
primeiro prêmio fotografando um violento conflito entre o MST e a polícia e desde então decidi ser fotógrafo. Já são 30 anos de intensa ligação com a
imagem
Qual sua formação como fotógrafo?
Cursei jornalismo e
sempre busquei aprimorar minha fotografia participando de cursos e encontros e
muita leitura. Depois fiz uma pós-graduação em fotografia na Cândido
Mendes, mestrado em arte na UFF, aulas
na EAV do Parque Lage, cursei artes
e história visual no museu Jeu de Paume em Paris e agora estou acabando meu
doutorado em arte na UERJ.
Que fotógrafos e outros artistas influenciam seu pensamento?
Que tipo de material você utiliza?
O material nacional já tem qualidade adequada?
Não.
Qual a importância do Photoshop para produção das fotos?
Você poderia falar sobre sua próxima exposição Costas de
Vidro?
Costas de vidro é uma expressão utilizada pelos lutadores da Ladja – uma
dança de combate praticada exclusivamente na ilha da Martinica, no Caribe, que
lembra bastante a capoeira em alguns aspectos. Uma das canções mais
populares nas rodas de ladja conta as façanhas do lendário mestre e exímio tocador
de tambor chamado Andréa. A letra fala da sua capacidade de se tornar invisível
na luta, com suas Costas de Vidro ele
ficava transparente diante do adversário e assim não era atingido. Vale
ressaltar que o principal fundamento desta luta é o “ou wè`y ou pa
wè`y” expressão em crioulo que significa: “vê mas não vê” e se refere à
capacidade ilusionista dos golpes desta arte, que impossibilita a percepção
visual do oponente diante do ataque - transformando o visível em invisível
através do corpo. Nesta luta quem tem as costas de vidro possui o poder da
invisibilidade.
Eu descobri a Ladja, que também é conhecida como Danmyé através da
capoeira. Quando eu treinava capoeira sempre ouvia falar desta luta da
Martinica através dos relatos de mestres de capoeira que já estiveram por lá.
Em 2011 eu fui para Barbados fotografar uma matéria para a revista National
Geographic brasileira sobre a diáspora dos judeus holandeses expulsos de Recife
no Séc XVI, e aproveitei a proximidade de Barbados com a Martinica para ir por
conta própria conhecer a Ladja. Fiquei fascinado por esse universo e acabei
transformando este interesse em uma tese de doutorado em Artes na Uerj, e
através de uma bolsa sanduíche morei seis meses na Martinica para aprender a
lutar a Ladja e desta experiência desenvolver a pesquisa e as proposições
artísticas. Este
trabalho mergulha no universo do colonialismo, uma travessia que parte de suas
rotas mais perversas, para navegar nos gestos de resistência corporais,
artísticos e literários, até emergir nos atravessamentos das fronteiras físicas
e culturais de suas expressões na contemporaneidade.
Quando você é fotógrafo e quando você é artista?
Nesta exposição essas fronteiras encontram-se radicalmente
difusas. Pela primeira vez vou expor em uma individual esculturas misturadas
com fotografias, vídeos e instalações. Já faz alguns anos que minha fotografia
caminhava em direção ao volume. Nas minhas séries anteriores Saturno e
Autorretrato Sensorial eu criava esculturas efêmeras para serem fotografadas.
Naturalmente estes objetos escultóricos foram ganhando força na minha produção
até ganharem o espaço.
Quais são seus planos para o futuro?































