O Centro Cultural Justiça Federal inaugura terça-feira, dia 27 de novembro, a exposição inédita “ENTRE AS MARGENS DO RIO”, do fotógrafo José Diniz, com trabalho visual e poético em que memória e o passado são traduzidos numa especial homenagem do artista para o seu pai. A mostra apresenta 51 obras entre fotografias, pinturas, instalações, objetos e vídeo, em que o fotógrafo reconstitui lembranças da infância às margens do Rio São João, em Barra de São João, litoral fluminense ao norte da Região dos Lagos. Com curadoria do fotógrafo Joaquim Paiva, um dos mais importantes colecionadores de fotografia do Brasil, a exposição é organizada em vários ensaios na parede como “Rio São João”, “Quadros do meu pai”, “canoas” e “Cacos”. Três vitrines mesclam trabalhos do fotógrafo e de seu pai. A entrada é gratuita e a mostra ficará ambientada até o dia 3 de fevereiro de 2019, no CCJF.
Entre as margens do rio
O que José Diniz explica sobre o seu
trabalho nos ajuda, claro, a melhor
entendê-lo e apreciá-lo. Mas a sua visualidade poética, a força
e beleza de suas imagens dispensariam maiores explicações. O que quero
dizer: os seus conjuntos fotográficos anteriores a esta exposição – Periscópio,
Cerrado, Botafogo (Esquina e
Voluntários) – são o contrário daquilo
que a fotografia algumas vezes se presta a cumprir em alguns circuitos – o
papel de mera ilustradora de um discurso,
sim, teórico, mas não visual.
Por isto, me dá prazer ver este trabalho justificadamente
visual, poético, que tem a ver com memória, passado, com o
mundo visto por certo olhar da
arte, simplesmente: ideia e forma. É uma homenagem a seu pai.
Diniz nos fala: Tive forte influência de meu pai que era
artista plástico, professor de desenho e geometria na Universidade Federal
Fluminense / Aprendi muito sobre composição, observando as
técnicas de perspectiva no desenho e na pintura
/ ...entre 1962 e 1967...frequentei
o curso de pintura infantil com Ivan Serpa no MAM-Rio. / sobre
Barra de São João, litoral fluminense ao norte da Região dos Lagos, diz: Freqüentei este lugar desde muito pequeno nas
férias de verão e julho / Vivi com os pés na água pescando, andando de
canoa ou simplesmente vagando à beira-rio.
/ Gostava de visitar aquele
cemitério / sobre a casa de sua família: restos de objetos, moedas, cacos de porcelana
e até algemas foram encontrados enterrados
nessa área / Fazer atividades de arqueologia era o meu
divertimento.
Tenho várias séries fotográficas de
José Diniz e elas vão se somando umas às outras em termos de qualidade visual. A explicação talvez para esta soma resida em uma frase que José escreveu em
resposta a algumas perguntas que lhe fiz.
Ah, um
parêntese voltando à fala do artista, quando diz: Vivi intensamente a minha infância e
juventude em Barra de São João. Esta
vivência foi reforçada pelas fantasias, sentimentos, emoções, sensações.
O
artista:
José
Diniz (1954), Niterói-RJ, fez o curso de pós-graduação em Fotografia na
Universidade Candido Mendes-RJ e participou de cursos no MAM-Rio, EAV Parque
Lage e no Ateliê da Imagem. Publicou mais de uma centena de livros de artista,
além das edições de arte “Literariamente” e os coletivos “SAARA Carioca” e
“VAI-E-VEM”. Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no
exterior. Em 2013 foi indicado pelo British
Journal of Photography como “Ones to
Watch in 2013”; Em 2012 foi contemplado com o Prêmio Funarte Marc Ferrez de
Fotografia e em 2011 participou da III Bienal International Discoveries em
Houston – Texas onde curadores do FOTOFEST escolheram 12 novos fotógrafos em
vários países durante 2010/2011.
Desde a infância José Diniz se relaciona com
o mar e com a fotografia. As pinturas marítimas de seu pai, os passeios de
canoa em Barra de São João ou as câmeras presenteadas pelos seus dois avós
fundamentam seu imaginário.
O artista resolveu se dedicar a fotografia
profissional em 2007. Rapidamente
ganhou destaque no mercado de arte. “O meu trabalho na fotografia é um reflexo
da minha vida. Talvez por ter iniciado tardiamente a minha carreira nas artes
visuais, quero compensar obsessivamente esse “gap”, revisando coisas que estão
na minha memória em forma de poesia visual”, afirma o fotógrafo. “Arte
tem a ver com obsessão, muito trabalho, disciplina, intensidade, a passagem do
tempo. Há artistas que fazem o melhor da sua obra quando jovens, outros na
maturidade”, complementa Joaquim Paiva. Os seus conjuntos fotográficos
anteriores a esta exposição – Periscópio, Cerrado, Botafogo (Esquina e
Voluntários) – são o contrário daquilo que a fotografia algumas vezes se presta
a cumprir em alguns circuitos – o papel de mera ilustradora de um discurso,
sim, teórico, mas não visual”, afirma o curador da nova exposição ENTRE
AS MARGENS DO RIO, que fica ambientada no Parque das Ruínas até 3 de fevereiro de 2019.
As imagens de Diniz fazem parte de várias importantes
coleções particulares e estão no acervo de significativos museus como Museu de
Arte Moderna do Rio de Janeiro/Coleção Joaquim Paiva e Museum of Fine Art of
Houston.
www.josediniz.com.br / Crédito
da foto do artista: Fernanda Chemale
ENTRE AS MARGENS DO RIO - José
Diniz
Abertura:
27 de novembro, terça-feira, 19 horas
Período:
28 de novembro de 2018 a 3 de fevereiro de 2019, 12:00 às 19:00
CCJF –
Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 - Centro, Rio de
Janeiro - RJ - (55 21) 3261-2550
De
terça-feira a domingo, de 12h as 19h






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