terça-feira, 11 de setembro de 2018

Uma Pedra no meio do caminho. Curadoria Julie Brasil




Uma pedra no meio do caminho” abre na Casa de Pedra

“Uma pedra no meio do caminho” traduz uma inquietação. Não se trata do poema de Carlos Drummond de Andrade. Trata-se da próxima exposição dos artistas visuais Claudio Tobinaga, Maria Amélia Raeder, Rafael Prado e Rita Coppos – com curadoria de Julie Brasil –, cuja abertura será no dia 14 de setembro, sexta-feira, às 19h. Onde? Na casa de Pedra. O local não poderia ser mais apropriado: um espaço em Ipanema, que já foi residência, ateliê, locação para filmes do Cinema Novo, point da boemia carioca, sauna gay e que, atualmente, promove eventos multiculturais de arte, moda, gastronomia e festas de uma forma geral. Uma casa que ‘respira’ arte e é cheia de memórias. Memórias estas que motivaram os artistas no desenvolvimento de seus trabalhos.
A mostra apresenta cerca de 30 obras, experimentações por meio de colagens e montagens, entre pinturas e instalações. Nas telas de Claudio Tobinaga, a transgressão remete à presença do Studio 64, a sauna gay que funcionou no espaço por duas décadas. A imagem do subúrbio carioca, em clima de festa, a boemia. Maria Amélia Raeder leva para a mostra, trabalhos emoldurados, uma instalação no piso parquet ascendendo pela parede e outra com fragmentos de fotografias antigas próximos ao rodapé do quarto. Os trabalhos resgatam a memória do local.  Mas quais são estas memórias, estes segredos? Não são revelados. Pode haver várias interpretações. Ou não. Quem decide é o visitante. Vários olhares para uma mesma obra. Assim é a arte!
Os embates organizados entre as pedras da Gávea, Bonita, da Tartaruga, do Teleférico, do Pontal, do Arpoador... são retratados nas pinturas de Rafael Prado. Os trabalhos do artista se apresentam por vezes como telas de câmaras de drones que sobrevoam o espaço urbano – a ‘selva de pedra’ – e em outras, parecem registros feitos mais de perto. Mas não são fotografias, são pinturas. Recordações, memórias, reveladas pela atmosfera do cenário perfeito que a Casa de Pedra proporciona. Já Rita Coppos traz a série ‘Cobogó’, inspirada na arquitetura modernista. Junta o que há no industrial, nas estruturas, nas estampas e no popular para compor suas obras. O colorido também se faz presente. Os comércios do Rio e os calçadões de pedras da zona sul carioca convidam o público a visitar os locais, trazendo à tona as memórias afetivas.

“As obras dos quatro artistas visuais, cada qual com sua percepção do espaço e com suas próprias vivências, levam para a Casa de Pedra, trabalhos em pinturas, com exceção de Maria Raeder, que apresenta instalações fotográficas, que tratam da história do local, mas sem expor os segredos existentes”, diz a curadora.

A relação da Casa de Pedra com a exposição torna-se ainda mais estreita, como explica Julie Brasil: “Não raro, em cerimônias simbólicas, a colocação Pedra Fundamental assinala, com solenidade, o início de uma obra importante, onde se coloca uma cápsula do tempo as lembranças do dia, como jornal, textos e fotos para a posteridade. O nosso exercício propõe abrir cápsulas dos vários tempos e vasculhar possíveis histórias, memórias e fatos das Pedras da casa, das montanhas, dos caminhos, dos muros e das pontes que nos rodeiam. Após escutar as várias histórias do lugar, acredito que a ‘Pedra Fundamental’ do espaço, que verdadeiramente funda o espírito da casa, foi trazida 30 anos após a sua construção pelo casal Anna Saraiva e Caio Mourão. Trata-se de uma das pedras lançadas durante as manifestações estudantis que evoluíram para a greve geral de 1968, e que mudaram o rumo da França”.

Exodo.  Maria Amélia Raeder.





Rafael Prado.


Rafael Prado.


Rita Coopos.


r.

Tobinaga.


Tobinaga.







Sobre os artistas e a curadora:
“O acaso das aulas de desenho e os estudos teóricos em arte promoveram o encontro entre mim, Claudio Tobinaga, Maria Raeder, Rita Coppos e Rafael Prado. A partir da pesquisa particular de cada um e das trocas potentes entre os artistas, foram propostas experimentações através de colagens, edições e montagens.
Esses encontros expressivos caminharam no sentido contrário ao do apaziguamento. Por que não compartilhar as afecções? Por que não pôr mais pedras no caminho? Como acreditamos que os corpos sempre podem mais, resolvemos gaguejar mais, experimentar mais e promover mais encontros. As obras e nós entramos no devir pedra. Pedra no caminho. Inquietação no meio do caminho”, conta-nos Julie Brasil.
Claudio Tobinaga
Desenvolve projetos em múltiplos meios, tendo a pintura como principal suporte de sua produção. Produz imagens em que um universo distópico emerge de fotografias coletadas das redes sociais e de imaginários periféricos, principalmente da Zona Norte do Rio de Janeiro. Formado na Escola de Música Villa Lobos (UFRJ), frequentou diversos cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e foi monitor de modelo vivo (EBA-UFRJ) e desenho de observação (Parque Lage - EAV), junto ao professor Frederico Carvalho. Desde 2012, é assistente no Ateliê da artista Lucia Laguna. Atualmente tem se dedicado a dar aulas de pintura e desenho. Participou das exposições coletivas “Visão de emergência”, na Luhda Gallery (Rio de janeiro, 2014) e “Territórios”, no Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, 2013) e do Kassel Documentary Film and Video Festival (Kassel, 2011).

Maria Amélia Reader
Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formada em arquitetura e urbanismo com especialização em design, em Houston – EUA onde trabalhou por 4 anos. Ao voltar para o Brasil, monta um escritório de arquitetura e atua em projetos residenciais e comerciais durante 15 anos. Sua vida profissional sempre foi permeada pela produção artística. Ao longo deste período, fez vários cursos de formação em artes plásticas no exterior e no Rio de Janeiro. A partir de 2010, intensifica suas investigações no campo das artes plásticas e inicia seu percurso como artista. Trabalha com diferentes mídias: bordado, colagens, desenho, escultura e fotografia.  Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com Charles Watson, Franz Manata, Fernando Cocchiarale, entre outros. Participou do grupo de estudos no Ateliê Mundo Novo de Charles Watson, do Laboratório de Estudos em Arte Contemporânea de Frederico Carvalho - UFRJ, fez Pós-graduação em Arte e Filosofia pela PUC-Rio e participou do programa Imersões Poéticas, no Paço Imperial em 2017. Participou das exposições coletivas “Intersubjetividades” (Centro Cultural dos Correios, Niterói-RJ,2018), “Quizumba” (Corredor Cultural do Ministério Público, Rj, 2018, Flutuantes (Paço Imperial – RJ, 2018), “Entre Conversas” (Espaço Cultural Sérgio Porto- RJ, 2017), “Ponto e Linha sobre o Corpo” (Ateliê Casa 404 – UFF, 2017, Rio das Ostras – RJ), “Carpintaria para todos” (Galeria fortes d' aloia & gabriel em 2017, RJ), “Abraço Coletivo” (Saracura RJ, 2017), Entre Obras (Espaço Cultural Olho da Rua – RJ, 2016), entre outras. 

Rafael Prado  
Desde 2012 no Rio de Janeiro. Depois de passar pelo curso de Desenho Industrial na Universidade Federal de Santa Maria, realiza obras que afrontam, retiram e desconectam elementos culturais dessas diferentes localidades, produzindo em pintura um certo tipo de colagem que funciona como o reflexo dessas experiências. Em 2014, transferiu sua graduação para o curso de Design Gráfico da Universidade Estácio de Sá. Na ocasião, começou a participar de cursos e ateliês de pesquisa.  Entre 2013 e 2015, ingressou em cursos de formação livre na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com Charles Watson e Fernando Cocchiarale. Em 2016, na Casa França Brasil, integrou no Grupo Imersões. Recebeu Prêmio aquisição do 46º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacillotto, Santo André, SP (2018). Entre as principais exposições realizadas nos últimos anos, estão: 46º “Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacillotto”, Santo André, SP (2018); “Febre”, Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rio de Janeiro (2018); “Da impossibilidade de transformar osso em ouro”, Saracura, Rio de Janeiro (2017); “Miragens”, Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, Rio de Janeiro (2017); além de “Imagem, Sem Título Arte”, Fortaleza (2017); “68º Salão de Abril Sequestrado”, Fortaleza (2017); “Meios sem fins”, Centro Cultural Feso PRO Arte, Teresópolis /RJ (2016); “41º Salão de Arte de Ribeirão Preto” – MARP, SP (2016), entre outras.

Rita Coppos
Formada em Dança Livre na Faculdade Angel Viana. A partir da experiência no Curso de Arte Educação com o Professor Hélio Rodrigues, começa em 2011 sua trajetória de artista visual participando de diversos cursos no Parque Lage/ RJ entre eles, os cursos de: Cristina Pádula, Suzana Queiroga, Jose Maria Dias da Cruz, Franz Manata, Fred Carvalho e Luiz Ernesto. Vivendo entre Brasil e Inglaterra, participou de workshops em Londres com o Professor Nelson Ferreira e Claire Barton Harvey. Aprofundou seus estudos de pintura e colagem com a Artista Cristina Lapo e participou do Workshop de Katie Van Scherpenberg. Atualmente, trabalha com orientação do Artista Claudio Tobinaga. Participou, ainda, da exposição “Ponto e Linha sobre o Corpo”, no Ateliê Casa 404, em Rio das Ostras, da exposição “Artista sem Galeria”, na Carpintaria / RJ, “Intersubjetividades”, no Espaço Cultural dos Correios em Niterói e Juiz de Fora, entre outras.
Julie Brasil
Artista visual e professora. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Tem interesse nos temas trauma, política, consumo e ironia e trabalha em múltiplos meios. Participou da curadoria das exposições coletivas “É o que é”, no Espaço JB, “Políticas Incendiárias”, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, e “A Copa do mundo é Nossa”, no Centro Cultural dos Correios. Expôs na Bienal da Caixa Cultural, Instituto Cervantes, Centro Cultural Brasil México, Festival de Vídeos de Kassel, Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, Wesersagenmuseum - Münster, IBEU e SESC entre outros.  É doutoranda na linha de Imagem e Cultura, mestre em Artes Visuais e bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ. É pós-graduada em Marketing pela PUC e bacharel em Comunicação Social pela UFF. Atuou 21 anos na área de marketing em diversas multinacionais norte-americanas.
Serviço:
Exposição “Uma pedra no meio do caminho”
Abertura: dia 14 de setembro, sexta-feira, das 19 às 22:00hs
Duração: de 14 a 30 de setembro
Local: Casa de Pedra
Endereço: Rua Redentor, 64 – Ipanema
Visitação: seg a sábado de 12 às 19:00hs
Entrada gratuita
Classificação livre (somente a sala com os trabalhos do Claudio Tobinaga terão um aviso na entrada).
Informações: (21) 9 8636-5089
Apoio:  Simone Cadinelli Arte Contemporânea.

Um comentário:

Rafael Prado disse...

Obrigado por compartilhar a exposição

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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