sexta-feira, 3 de agosto de 2018

terça 07 ago | abertura ALAN FONTES + FERNANDO CAMPANA



ALAN FONTES  Exposição Nacional
abertura: 07 agosto 2018  horário: 19h às 22h
exposição: 08 agosto a 06 setembro 2018  horário: seg a sex – 10h a 19h / sáb – 11h a 15h

Luciana Caravello Arte Contemporânea inaugura, no dia 7 de agosto, a mostra “Exposição Nacional”, do artista Alan Fontes, com obras que abordam as transformações no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro. Para realizar os trabalhos, o artista mergulhou nos relatos documentais da “Exposição Nacional do Rio de Janeiro”, realizada em 1908, em comemoração ao 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, que tinha a intenção de mostrar a então nova capital federal – urbanizada pelo prefeito Francisco Pereira Passos e saneada por Oswaldo Cruz – para as autoridades nacionais e estrangeiras.

Serão apresentadas nove pinturas, em óleo e encáustica sobre tela, e quatro livros-objetos, em óleo e afresco sobre concreto, em que o artista dá continuidade ao projeto iniciado há três anos, em que pesquisa o espaço urbano do Rio de Janeiro, trabalhando nas lacunas de uma memória em constante mutação. “Uma pesquisa, entretanto, que não tem caráter documental e é aberta ao devaneio poético e o qual a pintura, com toda a imprecisão da mancha encarna com eficácia”, afirma o artista, que apresentou a primeira parte dessa pesquisa no CCBB Rio de Janeiro, em 2016, com o apoio do Prêmio CCBB Contemporâneo.

Na Luciana Caravello Arte Contemporânea, Alan Fontes apresentará obras inéditas, que serão divididas em três módulos. No primeiro, estarão pinturas que representam alguns dos palácios e pavilhões que fizeram parte da “Exposição Nacional”, de 1908, e dos quais só existem limitados registros fotográficos. As pinturas expressionistas reconstituem os prédios imersos em ruídos análogos aos que estão envoltos as lembranças e os documentos já desgastados pelo tempo.

O segundo módulo reúne pinturas da série “Black Lands”, que “situam os prédios da época em espécies de oceanos negros que simbolizariam um espaço poético da memória. Algo na fronteira da lembrança e do esquecimento”, conta Alan Fontes.  Algumas destas pinturas foram expostas este ano na semana de arte de Nova York, em projeto solo do artista na feira VOLTA.

O terceiro módulo é composto por livros-objeto de concreto, que servem como suporte para pequenas pinturas afresco compostas a partir de imagens do evento de 1908. “Tais objetos escultóricos relacionam simbolicamente as pinturas ao peso matérico que compõem as edificações que não existem mais”, ressalta o artista.

SOBRE A EXPOSIÇÃO NACIONAL DE 1908
A Exposição Nacional foi realizada entre 28 de janeiro e 15 de novembro de 1908, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, foi organizada oficialmente para comemorar os 100 anos do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, e para se fazer um inventário econômico do Brasil na época. Mas, na realidade, a intenção da exposição era mostrar a então nova capital federal – urbanizada pelo prefeito Francisco Pereira Passos e saneada por Oswaldo Cruz – para as autoridades nacionais e estrangeiras que visitavam a cidade.
Governos de estados, do Distrito Federal e de associações comerciais, agrícolas e industriais participaram do evento, que teve pavilhões para os estados mostrarem os seus principais produtos nas áreas agricultura, pastoril, indústrias e artes liberais. Além dos estados brasileiros, Portugal participou do evento, sendo a única participação estrangeira.

SOBRE O ARTISTA
Alan Fontes (Ponte Nova, MG, 1980. Vive e trabalha em Belo Horizonte, MG). É Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Suas últimas exposições individuais foram “The Book of the Wind”, na Galeria Emma Thomas, Nova York (2016); “Poéticas de uma Paisagem – Memória em Mutação”, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2016); “Sobre Incertas Casas”, na Galeria Emma Thomas, São Paulo (2015); “Desconstruções”, na Baró Galeria, São Paulo (2014); “Sweet Lands” e “La Foule”, ambas na Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro (2012); “A Casa”, no Paço das Artes, São Paulo (2008), entre outras.
Participou das mostras “Ao Amor do Público I”, no Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro (2016); Mostra Bolsa Pampulha do MAP, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2014); Prêmio FOCO Bradesco/Art Rio, Rio de Janeiro (2013), entre outras.
Realizou as residências Pintura Além da Pintura, do CEIA, Belo Horizonte (2006); 5ª Edição do Programa Bolsa Pampulha, Belo Horizonte (2013); e Residência Baró, São Paulo (2014). Dentre as últimas premiações recebidas estão Bolsa Pampulha 5ª edição (2014); 1º Prêmio Foco Bradesco/ArtRio (2013) e o I Prêmio CCBB Contemporâneo.

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FERNANDO CAMPANA  Macacos Robôs Furacões
abertura: 07 agosto 2018  horário: 19h às 22h
exposição: 08 agosto a 06 setembro 2018  horário: seg a sex – 10h a 19h / sáb – 11h a 15h

Fernando Campana abre, pela primeira vez no Rio de Janeiro, seu laboratório individual na mostra ‘Macacos Robôs Furacões’. Uma imersão do designer no campo das artes, através de pinturas em aquarela, desenhos em grafite, colagens com peças automotivas, entre outras obras. A mostra conta com as séries ‘Macacos’ e ‘Robôs’ e a série ‘Furacões’ que serão apresentadas na galeria Luciana Caravello Arte Contemporânea a partir do dia 7 de agosto.

O designer traz um método dinâmico para se expressar na arte e uma capacidade quase sistemática de coletar informações e conectar-se às histórias. Muitas vezes, ele estabelece uma conexão momentânea a episódios de sua infância para inspirar suas criações. A abordagem para sua série ‘Robôs’ está em sua mente desde pequeno. Fernando queria se tornar astronauta e este alter ego é sua máquina que está em constante produção. A expressão de sua criatividade começa a partir daqui e o caráter dualista do robô é colecionar informações, sensações e memórias. Ele se lembra e esquece, porque a memória volta e se torna uma história histórica, bem como uma sensação futurista. A série se origina a partir de desenhos em grafite, enquadrados em molduras feitas de sobreposições de EVA, e se expande a inéditas colagens com peças automotivas, nunca antes trabalhadas em seus projetos.

A série ‘Macacos’ começou a ser criada um pouco antes da verdadeira tragédia da matança, a partir de sua relação ingênua com os macacos na infância. Naquela época, ele trazia consigo a esperança de domesticá-los ou de estabelecer um relacionamento humano, o que acarretou em um aprendizado de tolerar e respeitar o comportamento irracional. Os macacos acusados de transmitir febre amarela já estavam lá no papel em seu ateliê pessoal, exatos e precisos; e os belos retratos da humanidade desses primatas foram desenvolvidos com a intenção de comunicar o conceito sem sentido da diversidade. Esta tragédia foi usada como uma metáfora para ver nos macacos uma crítica social que colocou o dedo na pequena vontade burguesa de punir a diversidade. Os desenhos são feitos em aquarela, enquadrados em um patchwork de pedaços de molduras, desconstruindo o padrão clássico de molduras e propondo um novo DNA a um objeto conhecido.

A inédita série ‘Furacões’ surge a partir de um outro processo criativo, mais intuitivo, que é maturado pelo tempo, pelas relações e por seu entorno. Os sentidos tornam-se mais apurados e buscam expressar, inconscientemente, o que está por vir, como seus primeiros desenhos que originaram essa série e que antecederam os recentes furacões que aconteceram nos Estados Unidos. “Arte não se define, mas se decifra de acordo com a evolução mental ou espiritual ou amplitude de visão do observador”, destaca Fernando.

SOBRE O ARTISTA
Em 1983, Fernando Campana (1961) em parceria com seu irmão Humberto Campana (1953) fundaram o Estudio Campana em São Paulo. O estúdio se tornou famoso pelo design de mobiliário, por criações de peças intrigantes - como as poltronas Vermelha e Favela - e, também, por ter crescido nas áreas de Design de Interiores, Arquitetura, Paisagismo, Cenografia, Moda, entre outras. O trabalho dos Campana incorpora a ideia de transformação, reinvenção e integração do artesanato na produção em massa; tornando preciosos os materiais do dia-a-dia, pobres ou comuns, que carregam não só a criatividade em seu design, mas também características bem brasileiras - as cores, as misturas, o caos criativo e o triunfo de soluções simples. Os irmãos foram homenageados com o prêmio “Designer do Ano” pela Design Miami, em 2008 e os “Designers do Ano” pela Maison & Objet, em 2012. Neste mesmo ano, eles foram selecionados para o Prêmio Comité Colbert, em Paris; homenageados pela Design Week, em Pequim; receberam a “Ordem do Mérito Cultural”, em Brasília, e foram condecorados com a “Ordem de Artes e Letras” pelo Ministério da Cultura da França. Em 2013, eles foram listados pela revista Forbes entre as 100 personalidades brasileiras mais influentes. Em 2014 e 2015 a Wallpaper* os classificou, respectivamente, entre os 100 mais importantes e 200 maiores profissionais do design. 
www.estudiocampana.com.br


[English version]

ALAN FONTES  National Exposition

On 7 August, Luciana Caravello Arte Contemporânea will stage the opening of “National Exposition”, by Alan Fontes, containing works that address the transformation of urban space in the city of Rio de Janeiro. These works draw on in-depth research into documents relating to the “Rio de Janeiro National Exposition”, held in 1908 to commemorate the First Centenary of the Opening of the Ports of Brazil and show off the then new federal capital – with its urban planning conducted by Mayor Francisco Pereira Passos and its sanitary system installed by Oswaldo Cruz – to national and foreign dignitaries.

The exhibition will contain nine paintings in oil and encaustic on canvas, and four object-books, in oil and fresco on concrete, in which the artist continues his three-year-old project based on research into the urban space of Rio de Janeiro, filling gaps in a constantly shifting memory. “The research, however, is not documentary in nature but open to the poetic reverie that painting, with all the imprecision of a stain, effectively incarnates”, as the artist put it when he presented the first stage of this research to the Rio de Janeiro CCBB, in 2016, with the support of the CCBB Contemporâneo Prize.

Luciana Caravello Arte Contemporânea will show new works by Alan Fontes divided into three modules. The first contains paintings that depict some of the palaces and pavilions that formed part of the 1908 “National Exposition”, of which only a few photographic records remain. The expressionistic paintings reconstruct the buildings amidst ruins analogous to the ravages of time that wear out documents and obscure memories of the past.

The second module brings together paintings from the “Black Lands” series, which “set the buildings of the time against ocean-like swathes of black, symbolizing the poetic space of memory, where the line between remembering and forgetting is blurred”, Alan Fontes says. Some of these paintings have already been on display this year during New York’s Art Week, in a solo project at the VOLTA fair.

The third module consists of concrete object-books, which serve as supports for small fresco paintings created using images of the 1908 event. “These sculptural objects symbolically relate the paintings to the material weight of which the no longer existing buildings were composed”, the artist remarks.

ON THE NATIONAL EXPOSITION OF 1908
The National Exposition ran from 28 January to 15 November 1908, in the Urca neighborhood of Rio de Janeiro. Its official purpose was to commemorate the 100th anniversary of the decree that opened the country’s ports to friendly nations and to provide an inventory of Brazil’s economic achievements at the time. But the true purpose of the exposition was to show off the then new federal capital – with its new urban planning conducted by Mayor Francisco Pereira Passos and sanitary system installed by Oswaldo Cruz – to dignitaries visiting the city from other parts of the country and overseas.
State governments, the government of the Federal District and commercial, agricultural and industrial associations all took part in the event, in which each state set up pavilions to showcase its principal agricultural, industrial and intellectual achievements. Portugal was the only foreign country to participate in the event.

ABOUT THE ARTIST
Alan Fontes (b. Ponte Nova, MG, 1980) lives and works in Belo Horizonte, MG and holds a Master’s Degree in Visual Arts from the Federal University of Minas Gerais. His recent shows include “The Book of the Wind”, at the Emma Thomas Gallery, New York (2016); “Poetics of a Landscape – Memory in Mutation”, at the Banco do Brasil Cultural Center, Rio de Janeiro (2016); “On Uncertain Houses”, at the Emma Thomas Gallery, São Paulo (2015); “Deconstructions”, at the Baró Gallery, São Paulo (2014); “Sweet Lands” and “La Foule”, at the Laura Marsiaj Gallery, Rio de Janeiro (2012); and “House”, at the Paço das Artes, São Paulo (2008). His work has featured in group shows such as “For the Love of the Public I”, at the Rio Museum of Art, Rio de Janeiro (2016); the Pampulha Prize Show, at the Pampulha Museum of Art, Belo Horizonte (2014); and among the winners of the FOCO Bradesco/Art Rio Prize, Rio de Janeiro (2013). He has been artist in residence at CEIA’s Painting beyond Painting, Belo Horizonte (2006); at the 5th Edition of the Pampulha Prize Program, Belo Horizonte (2013); and at Baró Gallery, São Paulo (2014). His recent accolades include the Pampulha Prize (5th edition (2014); the 1st Foco Bradesco/ArtRio Prize (2013) and the 1st CCBB Contemporâneo Award.

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FERNANDO CAMPANA  Monkeys Robots Hurricanes

Fernando Campana brings his private laboratory to Rio de Janeiro for the first time with his show ‘Monkeys Robots Hurricanes’. The designer immerses himself in the field of fine art, using watercolors, graphite, auto part collages and other media. The show includes the ‘Monkeys’ and “Robots’ series and a new series called ‘Hurricanes’, all which will be on display for the public at the Luciana Caravello Arte Contemporânea gallery as of 7 August of this year.

The designer brings a dynamic form of self-expression to his art, along with an almost systematic capacity for collecting information and connecting with stories. He often establishes a momentary connection with episodes from his own childhood as a way of seeking inspiration for this work. The approach adopted in the ‘Robots’ series had been in his mind since he was a small boy. Campana once wanted to be an astronaut and this alter ego is a machine that is constantly under production. Creative expression for Campana starts out from this place and the dualistic nature of the robot involves collecting information, sensations and memories. He remembers and forgets, because his memory comes back and is turned into a story about the past as well as a feel for the future. The series originated in graphite drawings, framed with layers of EVA, and expanded to include collages involving auto parts, the like of which he had never worked with before.

Campana began work on the ‘Monkeys’ series shortly prior the onset of the tragic slaughter of these animals and it was based on his innocent relationship with primates as a child. At that time, he hoped to domesticate them or establish a human bond. This taught him much about tolerance and respect for irrational behavior. The monkeys alleged to be responsible for transmission of yellow fever were already present on paper in his private studio. These beautifully exact precise portraits of the humanity of these primates were produced to communicate the meaningless concept of diversity. The tragedy was used as a metaphor in which the artist sees in the monkeys a critique of the petty desire of bourgeois society to punish diversity. The drawings are in watercolor and surrounded by a patchwork of parts of various frames, thereby deconstructing the classical model of a frame and designing a new DNA for this already familiar object.

The new ‘Hurricanes’ series arose from another more intuitive creative process, which has matured over time through relations with its surrounding environment. The meanings become clearer and seek unconsciously to express that which is to come, in a manner similar to the original drawings that gave rise to this series and that predate the recent spate of hurricanes in the United States. As Campana himself puts it, “Art cannot be defined, by is deciphered in accordance with the mental or spiritual evolution or breadth of vision of the viewer.”

ABOUT THE ARTIST
In 1983, Fernando Campana (1961) in collaboration with his brother Humberto Campana (1953) set up the Campana Studio in São Paulo. The studio became famous for its furniture design, with intriguing pieces, such as the ‘Red Favela’ armchairs, and also for having emerged from the fields of interior design, architecture, landscaping, stage design, fashion, and the like. Campana’s work incorporated the idea of transforming, reinventing and integrating craftsmanship into mass production, thereby turning everyday, cheap, ordinary materials into something precious, replete not only with creativity, but also with distinctively Brazilian features—colors, mixtures, creative chaos, and the triumph of simple solutions. The brothers were awarded Design Miami’s “Designer of the Year” Prize in 2008 and the title of “Designers of the Year” by Maison & Objet, in 2012. In the same year, they were selected for the Colbert Committee Prize, in Paris, lauded at Design Week, in Beijing, and received the “Order of Cultural Merit”, in Brasília, and the “Order of Arts and Letters” by the French Ministry of Culture. In 2013, they were listed by Forbes Magazine among the 100 most influential Brazilians in the world. In 2014 and 2015 Wallpaper* listed them among the world’s top 100 and top 200 most important designers respectively. 
www.estudiocampana.com.br

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Maurizio Cattelan

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