quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Leo Ayres - Lucidez com texto da curadora Fernanda Pequeno. C.C. Laurinda Santos

Exposição LUCIDEZ
Esta individual de Leo Ayres orbita em torno de alguns pares: ordem e caos, luz e sombra, cheio e vazio, côncavo e convexo, opacidade e transparência, reflexão e refração. Composta de quatro trabalhos, a exibição discute a codependência entre cada um desses pólos e seus deslizamentos, assim como a falta de clareza do cenário (e da classe) políticos da cidade, do estado do Rio de Janeiro e do Brasil no momento presente.



LUCIDEZ

Se a lucidez diz respeito à claridade, ao brilho e à luminescência, assim como a um estado mental racional, consciente de sentidos e percepções, é interessante pensarmos numa exposição de arte – favoravelmente território da fantasia e do devaneio –, intitulada com esse substantivo.
Esta individual de Leo Ayres orbita em torno de alguns pares: ordem e caos, luz e sombra, cheio e vazio, côncavo e convexo, opacidade e transparência, reflexão e refração. Composta de quatro trabalhos, a exibição discute a codependência entre cada um desses pólos e seus deslizamentos, assim como a falta de clareza do cenário (e da classe) políticos da cidade, do estado do Rio de Janeiro e do Brasil no momento presente.
Logo ao adentrar a galeria, o espectador é recebido por Lucidez, principal trabalho que opera como uma espécie de boas vindas. Trata-se de um site specific realizado a partir do acúmulo de quase todos os lustres da casa rebaixados cujas correntes de sustentação encontram-se emaranhadas. Na sala ao fundo, está Ordem caos ordem caos que sugere o Congresso Nacional formado por dois domos geodésicos e um vaso com espadas de São Jorge. Se o Palácio Nereu Ramos em Brasília abriga o senado e a câmara dos deputados, nas semiesferas do trabalho de Ayres, a frase “O caos é uma ordem por decifrar” figura junto ao papel espelhado que reflete parte da arquitetura da galeria, além da planta e do corpo do espectador. A frase “o caos é uma ordem por decifrar” foi utilizada por José Saramago como epígrafe em O Homem Duplicado e, sendo citação retirada de um livro fictício, complexifica as leituras desses trabalhos, nos levando a perguntar: afinal, os duplos e os espelhos repetem, invertem ou distorcem? Na sala localizada à direita da entrada, o observador se depara com dois trabalhos Sem Título: uma serigrafia prateada na qual letras capitulares aguardam para formar palavras, textos e sentidos; e uma instalação na qual a cúpula de um dos lustres de iluminação serve como receptáculo para plantas.
Numa perspectiva taoísta, o mundo está o tempo todo mudando: a vida seria impermanência e movimento incessante, o positivo conteria o negativo e vice-versa. Nesse sentido, entre as extremidades existiria uma gradação de nuances e possibilidades. E, assim como a luz inclui a sombra, precisando dela para emergir e se diferenciar, a presente exposição indaga o que é uma coisa e o que é outra, já que elas só existem em relação. Oscilar entre os extremos, como se caminhasse numa corda bamba, é o que faz a arte.
Fernanda Pequeno
Julho de 2018


21 de julho a 26 de agosto de 2018 – Centro Cultural Laurinda Santos Lobo – Rua Monte Alegre 306




SERVIÇO

Terça a Sexta das 10h às 19h
Sábado, Domingo e Feriado das 12h às 19h
Classificação Livre
Entrada Franca
Centro Cultural Laurinda Santos.
📷 @claudiosenra

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