sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ABERTURA | Romy Pocztaruk + David Almeida | Sábado, 18 de agosto

Abertura (18/08 | sábado)
Romy Pocztaruk + David Almeida
ROMY POCZTARUK BOMBRASIL
Abertura: Sábado, 18 de agosto de 2018, às 12h
Em sua primeira individual na Zipper, a artista Romy Pocztaruk apresenta a série “Bombrasil”, uma investigação fotográfica e documental sobre o desdobramento no Brasil da corrida armamentista nuclear durante a Guerra Fria. O projeto paralelo, conduzido secretamente pela Ditadura Militar entre as décadas de 1960 e 1980, buscava o desenvolvimento de tecnologia para enriquecimento de urânio, construção de bomba atômica e de um submarino atômico no país. Dele, resultou a construção das usinas nucleares em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, que foram fotografadas pela artista. Romy, a primeira artista a fotografarm também visitou outros locais relacionados ao programa nuclear brasileiro, como o Reator Argonauta e os arquivos da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear).

Com curadoria de Luisa Duarte, “BOMBRASIL” abre no dia 18 de agosto. O momento é particularmente oportuno: recentemente, o governo Michel Temer anunciou a retomada do programa nuclear brasileiro, que prevê a construção de novas usinas termonucleares e o aumento da exportação de urânio. A individual de Romy reúne fotografias da artista realizadas nas instalações das usinas, em composições com imagens dos arquivos da CNEN. Também apresenta cartazes que reproduzem manchetes sobre programa atômico brasileiro após o final da ditadura.

A ideia de jornada é recorrente na produção da artista, que costuma se envolver em longas pesquisas investigativas. Ela percorre geografias distantes para registrar os vestígios de lugares abandonados que foram, um dia, projetos faraônicos. Tal como em “A última aventura”, série em que Romy registra os vestígios da construção da rodovia Transamazônica, o trabalho “Bombrasil” revisita outra face do projeto desenvolvimentista da Ditadura Militar. Ambos trazem consigo a ideia de inserir o país em uma rota de modernidade. “Estes grandes projetos carregam uma utopia. Me interessa a criação do imaginário político, social e econômico sobre o que é o Brasil. Ao revisitar os projetos da ditadura, podemos entender muito sobre o nosso presente. São projetos ocultos, quase esquecidos”, a artista afirma.

A concepção expográfica de “BOMBRASIL” é baseada na mostra “Átomos para Paz”, realizada em 1959 pelos governos americano e brasileiro para divulgação pacífica da energia nuclear no Brasil. O programa, desenvolvido pelos EUA após os ataques a Hiroshima e Nagazaki, tinha a finalidade de criar uma nova imagem do desenvolvimento atômico em curso na época. O discurso da exposição buscava distanciar a ciência da ideia da guerra, promovendo a imagem dos EUA associada às vantagens da nova fonte de energia, ao divulgar informações sobre suas aplicações na pesquisa científica, indústria e saúde.

BOMBRASIL” fica em cartaz até 15 de setembro.

Sobre a artista 
Em diversos suportes, Romy Pocztaruk (Porto Alegre, 1983) lida com simulações, refletindo sobre a posição a partir da qual a artista interage com diferentes lugares e com as relações entre os múltiplos campos e disciplinas com a arte. Diversas vezes premiado, o trabalho da artista está presente em coleções como Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu de Arte do Rio. Com a série “A Última Aventura”, em que a artista investiga vestígios materiais e simbólicos remanescentes da construção da rodovia Transamazônica, projeto faraônico, utópico e ufanista relegado ao abandono e ao esquecimento, Romy participou da 31ª Bienal de São Paulo. Principais exposições individuais: “Geologia Euclidiana”, Centro de Fotografia de Montevideo, Uruguai (2016); “Feira de ciências”, Centro Cultural São Paulo (2015). Principais exposições coletivas: “Uma coleção Particular: Arte contemporânea no acervo da Pinacoteca”, Pinacoteca de São Paulo, São Paulo (2015); “Télon de Fondo”, Backroom Caracas, Venezuela (2015); “BRICS”, Oi Futuro, Rio de Janeiro (2014); “POROROCA”, Museu de Arte do Rio de Janeiro (2014); “9ª Bienal do Mercosul”, Porto Alegre (2013); “Region 0”, The Latino Video Art Festival of New York, New York (2013); “Convite à viagem: Rumos Itau Cultural”, Itau Cultural, São Paulo (2012).

Sobre a curadora 
Luisa Duarte é crítica de arte e curadora independente. É crítica de arte do jornal O Globo, desde 2009. Mestre em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP. Doutoranda em teoria da arte pela UERJ em 2017. Foi por cinco anos membro do Conselho Consultivo do MAM-SP (2009-2013). Foi curadora do programa Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural (2005/ 2006); Foi coordenadora geral do ciclo de conferências "A Bienal de São Paulo e o Meio Artístico Brasileiro - Memória e Projeção", plataforma de debates da 28ª Bienal Internacional de São Paulo, 2008; Foi curadora de quatro edições do Red Bull House of Art, projeto de residências artísticas e mostras no centro de São Paulo voltado para artistas em começo de trajetória, 2009/2010; Foi curadora da exposição coletiva "Um Outro Lugar", MAM - SP, 2011; integrou a equipe de curadoria de Hans Ulrich Obrist para a mostra “The Insides are on the Outside”, Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, São Paulo, 2013; Foi organizadora, em dupla com Adriano Pedrosa, do livro ABC – Arte Brasileira Contemporânea, Cosac & Naify, 2014. Foi organizadora, em dupla com Pedro Duarte, do Seminário Internacional Biblioteca Walter Benjamin, MAR - Museu de Arte do Rio de Janeiro, 2016.

Serviço
BOMBRASIL
Exposição individual de Romy Pocztaruk na Zipper Galeria
Curadoria: Luisa Duarte
Abertura: 18 de agosto de 2018, às 12h
Em cartaz até 15 de setembro de 2018
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h
ZIP'UP: DAVID ALMEIDA
Paradeiro

Abertura: Sábado, 18 de agosto de 2018, às 12h
Em "Paradeiro", próxima exposição do projeto Zip'Up, o artista David Almeida apresenta um novo conjunto de pinturas que tratam da paisagem na forma de fragmentos, retalhada de sua totalidade. Com curadoria de Ana Roman, a primeira individual do artista em São Paulo inaugura no dia 18 de agosto e segue em cartaz até 15 de setembro.

Brasiliense radicado na capital paulista, David parte da experiência do percurso pela cidade, interessando-se, em geral, por formas acidentadas vistas casualmente. Criadas a partir de imagens fotográficas, as pinturas quase sempre fogem da perspectiva horizontal. As situações são retratadas ora em um ângulo de cima para baixo ou vice-versa, evocando o olhar de um espectador que se depara com cenas invisíveis em meio ao excesso de elementos ao redor. “O termo ‘Paradeiro’ designa o local de fim, de chegada e de partida de algo. Nos trabalhos reunidos, David Almeida constrói uma espécie de narrativa sobre o fim, em imagens nas quais os referentes pertencem à vivência e ao imaginário de todos, e que, ao mesmo tempo, apresentam-se como fragmentos de não-lugares. Acidentes geográficos, buracos, refúgios improvisados, nos quais a escala é objeto de questionamento do artista”, analisa a curadora.

Se em “Conduta de risco”, sua série anterior, o artista voltou-se mais para elementos como grades, muros e outras estruturas que remetem a um percurso interrompido, nestes trabalhos recentes o artista investiga fragmentos de paisagem natural, que ocorrem tanto nos ambientes rurais quanto urbano, e como eles evocam com dubiedade cenas sem uma localização específica que pairam em nosso imaginário.

David Almeida é um dos artistas indicados ao Prêmio Pipa 2018. Seu trabalho estabelece diálogos entre pintura, arquitetura, tempo e espaço. “Em determinado momento, um gatilho é desencadeado nas cenas e objetos que vejo. Eles se transformam em imagem e ocorre um estanque de qualquer narrativa. Me dou conta de que não sei nada sobre aquele lugar ou coisa e, então, entendo que existe pintura. É imagem, é espaço, mas também é superfície, cor, matéria, tempo, linguagem”, conta ele sobre seu processo.

Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes ainda não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos seis anos, somam mais de quarenta exposições e cerca de 60 artistas e 20 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.

Sobre o artista 
David Almeida (Brasília, 1989) vive e trabalha entre Brasília e São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, sua pesquisa se desenvolve por meio de múltiplas linguagens como desenho, objeto, fotografia, instalações, performance e, sobretudo, a pintura. Sua produção tem como eixo as problemáticas do espaço e do corpo em percurso, explorando a visualidade do espaço íntimo, do ateliê, da cidade e da paisagem natural. Investiga os limites entre presença e ausência, o espaço pictórico, elementos da pintura e sua semântica narrativa engendrando conceitos de clausura, fantasmagoria, rigidez social da arquitetura dos grandes centros e deriva como método de estudo de lugares marginais e da paisagem.

Sobre a curadora 
Ana Roman é mestre em Geografia pela FFLCH-USP e doutoranda em Art History and Theory na Universidade de Essex. Dedica-se atualmente a pesquisa em arte contemporânea e curadoria. Foi curadora assistente da mostra "Entre Construção e Apropriação: Antonio Dias, Geraldo de Barros e Rubens Gerchman nos anos 60"(SESC Pinheiros, 2018) e pesquisadora/assistente de curadoria das mostras  "Ready Made in Brasil"(Centro Cultural Fiesp, 2017), "rever_Augusto de Campos” (Sesc Pompeia, 2016) , “Lina Gráfica” (Sesc Pompéia, 2014),  entre outras. Curou a mostra "Asseidade da fenda˜, de David Almeida (Centro Cultural Elefante - Brasília, 2016) e dedica-se regularmente a escrita de textos críticos. Desde 2014, participa do coletivo sem título, s.d., coletivo de produção e pesquisa em arte contemporânea, com o qual realizou a mostra “O que não é performance?”, (Centro Universitário Maria Antonia, 2015) e a mostra ˜Tuiuiu"de Alice Shintani (ABER, 2017).

Serviço 
Zip’Up: Paradeiro
Exposição individual de David Almeida na Zipper Galeria
Curadoria: Ana Roman
Abertura: 18 de agosto de 2018, sábado, 12h
Em cartaz até 15 de setembro de 2018
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h

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