quinta-feira, 26 de julho de 2018

Conversando sobre Arte entrevista com Edu Monteiro fotógrafo/artista, RJ



 Quem é Edu Monteiro? 
Sou fotógrafo, artista e pesquisador. Nasci em Porto Alegre dia 14/01/1972. Sou casado, tenho duas filhas e estou acabando meu doutorado em Arte na Uerj. Apesar da minha fotografia dialogar bastante com a etnografia e o estilo documental eu a considero cada vez mais próxima da ficção.

 Como você se interessou pela fotografia?
Comecei a fotografar aos 16 anos. Eu ainda estava na escola quando um amigo me convidou para fazer o curso técnico de fotografia do Senac. Aos 19 anos ganhei meu primeiro prêmio fotografando um violento conflito entre o MST e a polícia  e desde então decidi ser fotógrafo.  Já são 30 anos de intensa ligação com a imagem

Qual sua formação como fotógrafo?
Cursei jornalismo e sempre busquei aprimorar minha fotografia participando de cursos e encontros e muita leitura. Depois fiz uma pós-graduação em fotografia na Cândido Mendes,  mestrado em arte na UFF, aulas na EAV do Parque Lage,  cursei artes e história visual no museu Jeu de Paume em Paris e agora estou acabando meu doutorado em arte na UERJ.

 Que fotógrafos e outros artistas influenciam seu pensamento?
 São tantos... principalmente porque minha forma de trabalhar mudou muito nestes últimos dez anos e cada fase traz novas referências. Mas algumas continuam sempre presentes como Mário Cravo Neto e Miguel Rio Branco na Fotografia e Lygia Clark e Lygia Pape na arte. Atualmente estou bastante interessado nos pensadores martinicanos Aimé Césaire, Edouard Glissant e Fantz Fanon e nos romancistas Patrick Chamoiseau, Raphael Confiant. Também tenho lido o escritor português Valter Hugo Mãe e o angolano Kalaf Epalanga.

Que tipo de material você utiliza?
 Meu equipamento está cada vez mais simplificado. Uso uma Nikon D800 com apenas duas lentes Carl Zeiss, 35 e  85 mm. E de vez em quando levo uma velha câmera Hasselblad chamada Josefina com alguns filmes PB 120mm para passear.

 O material nacional já tem qualidade adequada?
Não.

 Qual a importância do Photoshop para produção das fotos?
 No meu caso ele serve apenas para ajustes de cor.

Você poderia falar sobre sua próxima exposição Costas de Vidro?
Costas de vidro é uma expressão utilizada pelos lutadores da Ladja – uma dança de combate praticada exclusivamente na ilha da Martinica, no Caribe, que lembra bastante a capoeira em alguns aspectos. Uma das canções mais populares nas rodas de ladja conta as façanhas do lendário mestre e exímio tocador de tambor chamado Andréa. A letra fala da sua capacidade de se tornar invisível na luta, com suas Costas de Vidro ele ficava transparente diante do adversário e assim não era atingido. Vale ressaltar que o  principal fundamento desta luta é o “ou wè`y ou pa wè`y” expressão em crioulo que significa: “vê mas não vê” e se refere à capacidade ilusionista dos golpes desta arte, que impossibilita a percepção visual do oponente diante do ataque - transformando o visível em invisível através do corpo. Nesta luta quem tem as costas de vidro possui o poder da invisibilidade.

Eu descobri a Ladja, que também é conhecida como Danmyé através da capoeira. Quando eu treinava capoeira sempre ouvia falar desta luta da Martinica através dos relatos de mestres de capoeira que já estiveram por lá. Em 2011 eu fui para Barbados fotografar uma matéria para a revista National Geographic brasileira sobre a diáspora dos judeus holandeses expulsos de Recife no Séc XVI, e aproveitei a proximidade de Barbados com a Martinica para ir por conta própria conhecer a Ladja. Fiquei fascinado por esse universo e acabei transformando este interesse em uma tese de doutorado em Artes na Uerj, e através de uma bolsa sanduíche morei seis meses na Martinica para aprender a lutar a Ladja e desta experiência desenvolver a pesquisa e as proposições artísticas. Este trabalho mergulha no universo do colonialismo, uma travessia que parte de suas rotas mais perversas, para navegar nos gestos de resistência corporais, artísticos e literários, até emergir nos atravessamentos das fronteiras físicas e culturais de suas expressões na contemporaneidade.

 Quando você é fotógrafo e quando você é artista?
Nesta exposição essas fronteiras encontram-se radicalmente difusas. Pela primeira vez vou expor em uma individual esculturas misturadas com fotografias, vídeos e instalações. Já faz alguns anos que minha fotografia caminhava em direção ao volume. Nas minhas séries anteriores Saturno e Autorretrato Sensorial eu criava esculturas efêmeras para serem fotografadas. Naturalmente estes objetos escultóricos foram ganhando força na minha produção até ganharem o espaço.

 Quais são seus planos para o futuro?
 Preparar minha próxima exposição no National Grade Museum de Taipei –Taiwan em outubro. Intensificar o diálogo entre fotografia, escultura e performance e mergulhar profundamente em questões que me inquietam e desafiam. Além disso estou muito empolgado em poder unir o universo da pesquisa com a produção artística, me agrada muito desenvolver projetos de longo prazo.






























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Maurizio Cattelan

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