quinta-feira, 21 de junho de 2018

Fernando Velázquez / Iceberg e Randolfo Lamonier / É tarde e cheve, mas os ratos não tem medo do escuro


Abertura (21/06 | quinta-feira)
Fernando Velázquez + Randolpho Lamonier
FERNANDO VELÁZQUEZ ICEBERG
Abertura: Quinta-feira, 21 de junho de 2018, às 19h
Dando sequência à sua pesquisa no campo da arte e tecnologia, o artista Fernando Velázquez apresenta sua terceira exposição individual na Zipper Galeria. Aberta no dia 21 de junho, “Iceberg” apresenta um conjunto de novos trabalhos que remetem ou exploram alegoricamente a figura do iceberg. “Enxergamos uma porção ínfima da totalidade do iceberg, já que a maior parte da sua massa encontra-se submersa. Alegoricamente, poderíamos pensar que o nosso entendimento da realidade se assemelha a um iceberg, já que necessariamente o campo do que conhecemos será infinitamente menor que o campo do que seria possível conhecer. O inconsciente, por exemplo, poderia ser a parte invisível de um iceberg chamado consciência", afirma o artista.

Ao partir do princípio de que o conhecimento a respeito de qualquer fenômeno é sempre relativo, parcial e incompleto, Velázquez se dispõe a pensar questões da contemporaneidade relacionadas ao crescente impacto da tecnologia no cotidiano e na nossa capacidade de estabelecer um diálogo crítico neste cenário. 

A exposição ocupa a galeria principal com uma instalação multimídia na qual lasers acoplados a totens de madeira desenham um grid ortogonal, como paralelos e meridianos em um mapa, em alusão à geografia e ao território. Cada totem – cuja estrutura formal remete à vegetação do mangue – é uma pequena estação inteligente que conta com um microcomputador e um sensor. Em conjunto, os totens se comunicam entre si, via wifi. Utilizando dados da movimentação do público na sala, como velocidade, posição e distância, um algoritmo de inteligência artificial altera a posição dos feixes de laser modificando a configuração do território. Por baixo dos feixes de laser, no chão da galeria, é projetada uma animação em vídeo que apresenta de maneira alegórica e sintética o conhecimento acumulado pela humanidade – alfabetos, mapas, patentes, documentos, fórmulas, fotografias – em um sistema que contrasta a inteligência artificial dos algoritmos e máquinas com a inteligência humana.

Complementa a experiência imersiva uma trilha sonora espacializada em quatro canais, sincronizada aos lasers e à animação em vídeo. A trilha será editada em um álbum em vinil, cujo rótulo permite a leitura por realidade aumentada.


Um filme em realidade virtual em 360º (no qual icebergs flutuam e se modificam em um ambiente de gravidade não convencional) e um letreiro em neon com a inscrição "loop (mente a mente)” – sentença que emula a sintaxe de uma linguagem de programação e sugere que o entendimento da realidade é mediado pela mente e suas inerentes contradições e agenciamentos – completam o conjunto de trabalhos.
“Iceberg” fica em cartaz até 28 de julho.
Sobre o artista
Fernando Velázquez (Montevidéu, Uruguai, 1970 - vive e trabalha em São Paulo desde 1997) é artista multimídia. Suas obras incluem vídeos, instalações e objetos interativos, performances audiovisuais e imagens geradas com recursos algorítmicos. Explora a relação entre natureza e cultura, colocando em diálogo dois tópicos principais: as capacidades perceptivas do corpo humano e a mediação da realidade por dispositivos técnicos. Mestre em Moda, Arte e Cultura pelo Senac-SP, pós graduado em Video e Tecnologias On e Off-line pelo Mecad de Barcelona, participa de exposições no Brasil e no exterior com destaque para The Matter of Photography in the Americas, Cantor Arts Center, Stanford University (EUA, 2018); Reinventando o Mundo, Museu da Vale, (Vitória-ES, Brasil, 2013), Emoção Art.ficial Bienal de Arte e Tecnologia, Itaú Cultural (São Paulo, Brasil, 2012), Bienal do Mercosul (Porto Alegre, Brasil, 2009), Mapping Festival (Suiça, 2011), WRO Biennale (Polônia 2011) e o Pocket Film Festival no Centro Pompidou (Paris, 2007). Recebeu, dentre outros, o Premio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (Brasil, 2009), Mídias Locativas Arte.Mov (Brasil, 2008) e o Vida Artificial (Espanha, 2008). Foi professor convidado na PUC-SP, FAAP-SP e Senac-SP e ministra palestras e workshops em instituições públicas, privadas e do terceiro setor como, Stony Brook University (Nova Iorque), Cyberfest (São Petesburgo, Rússia), Naustruch (Sabadell, Espanha), Visiones Sonoras (Morelia, México). Foi curador dentre outros do Festival Motomix (2007) e do Festival Manobra (2009), e das exposições Adrenalina (2014) e Periscopio (2016).
Serviço
Iceberg
Exposição individual de Fernando Velázquez na Zipper Galeria
Abertura: 21 de junho de 2018, às 19h
Em cartaz até 28 de julho de 2018
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h
ZIP'UP: RANDOLPHO LAMONIER
É tarde e chove, mas os ratos não têm medo do escuro

Abertura: Quinta-feira, 21 de junho de 2018, às 19h
A Zipper Galeria recebe, a partir de 21 de junho, a primeira exposição individual do artista mineiro Randolpho Lamonier em São Paulo. Abrigada no projeto Zip’Up, a mostra “É tarde e chove, mas os ratos não têm medo do escuro” reúne novos trabalhos que refletem sobre as relações entre os fluxos no espaço urbano e a formação da identidade, a partir do descolamento do artista entre os bairros periféricos onde cresceu, na cidade de Contagem, e o centro urbano polarizador, Belo Horizonte, ambas em Minas Gerais. Com curadoria de Raphael Fonseca, a mostra fica em cartaz até 28 de julho.
A reflexão sobre diferentes geografias urbanas e espaços de sociabilidade fundamenta a investigação do artista. “Trago um estado de deriva que prioriza a experiência ao invés da captura analítica dos fatos e me coloco em um estado de atenção onde a reflexão é fruto de uma experiência afetiva, física e quase sempre coletiva”, afirma o artista, que atualmente também está participando da coletiva “MITOMOTIM”, no Galpão Videobrasil.
A narrativa oscilante é refletida nos formatos e técnicas variados, que acompanham as ambiguidades da experiências cotidiana. Em vídeos, fotografias e pinturas em têxtil, o artista explora os temas com elementos de seu repertório visual e afetivo. “São trabalhos em que as relações entre imagem e palavra, autobiografia e ficção se misturam e convidam o público a refletir existencialmente sobre a solidão das grandes cidades e o silêncio das cidades-dormitório”, analisa o curador.
Idealizado em 2011, um ano após a criação da Zipper Galeria, o programa Zip’Up é um projeto experimental voltado para receber novos artistas, nomes emergentes ainda não representados por galerias paulistanas. O objetivo é manter a abertura a variadas investigações e abordagens, além de possibilitar a troca de experiência entre artistas, curadores independentes e o público, dando visibilidade a talentos em iminência ou amadurecimento. Em um processo permanente, a Zipper recebe, seleciona, orienta e sedia projetos expositivos, que, ao longo dos últimos seis anos, somam mais de quarenta exposições e cerca de 60 artistas e 20 curadores que ocuparam a sala superior da galeria.
Sobre o artista 
Randolpho Lamonier (Contagem, MG, 1988) desenvolve sua pesquisa visual a partir de diversas mídias e processos, num acúmulo de signos e gestos que refletem sobre a urgência na construção de identidades individuais e coletivas. Indicado ao Prêmio Pipa (2018), recebeu o “Prêmio Residência” no Festival Camelo de Arte Contemporânea (2016), “Prêmio Incentivo- Bienal Naïfs do Brasil” (2016) e o “Prêmio Memória da Casa- de Dentro e de Fora” (2013). Principais exposições individuai: “Vigília”. Palácio das Artes, Belo Horizonte- 2017; “Carbono 14”. Centro Cultural Francisco Firmo de Matos. Contagem- 2016; “Diários em Combustão”, Galeria Orlando Lemos, Nova Lima- 2014. Principais exposições coletivas: “MITOMOTIM”. Galpão Videobrasil. São Paulo. 2018; “Bienal Naifs do Brasil”. Sesc Belenzinho. São Paulo- 2017; ”Bad Video Art Festival”. Moscou, Rússia- 2017; “Tudo é Tangente”. Memorial Minas Gerais Vale. Belo Horizonte- 2017; "AVI- Video Art Festival". Tel Aviv, Israel. 2016.
Sobre o curador 
Raphael Fonseca é pesquisador nas áreas  da curadoria, história da arte,  crítica  e  educação. Curador do MAC-Niterói e professor do Colégio Pedro II. Doutor em Crítica e História da Arte pela UERJ. Recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça de curadoria (2015) e o prêmio de curadoria do Centro Cultural São Paulo (2017). Curador residente na Manchester School of Art (Maio-Agosto de 2016). Foi um dos autores convidados para o catálogo da 24a Bienal de São Paulo (com curadoria de Jochen Volz). Escreve regularmente para a revista ArtNexus. Entre suas exposições recentes, destaque para "The sun teaches us that history is not everything" (Osage Foundation, Hong Kong 2018); "Dorminhocos - Pierre Verger" (Caixa Cultural Rio de Janeiro, 2018); "Bestiário" (Centro Cultural São Paulo, 2017); "Dura lex sed lex" (Centro Cultural Parque de España, Rosario, Argentina, 2017).
Serviço
Zip’Up: É tarde e chove, mas os ratos não têm medo do escuro
Exposição individual de Randolpho Lamonier na Zipper Galeria
Curadoria: Raphael Fonseca
Abertura: 21 de junho de 2018, às 19h
Em cartaz até 28 de julho de 2018
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h

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