sexta-feira, 11 de maio de 2018

Coletiva "Desmedida" + Rodrigo Cunha | Quinta, 17 de maio Zipper Galeria






DESMEDIDA


Curadoria: 
Diego Matos


Artistas: André Penteado, Daniel Frota, Haroldo Sabóia, João Castilho, Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, Regina Parra, Romy Pocztaruk e Tuca Vieira
Abertura: Quinta-feira, 17 de maio de 2018, às 19h
Na exposição coletiva "Desmedida”, prelúdio de uma pesquisa curatorial mais ampla desenvolvida na última década, o curador Diego Matos reúne um conjunto de trabalhos que retratam o Brasil, seu lastro histórico e suas múltiplas realidades à luz de um imaginário construído nas duas últimas décadas do século XXI. Na contramão aos parâmetros de uma história oficial baseada nas ideias grandiosas de progresso e civilização e na atenção ao desenvolvimento das grandes metrópoles, as investidas dos artistas aqui selecionados conflagram largo interesse em explorar, reconhecer territórios grandiosos mas invisíveis. Trata-se desse mesmo Brasil que, no momento, seja por temor, ignorância ou elitismo, é dado as costas.

Em busca de narrativas que refletem sobre outros entendimentos do que seria o chamado “Brasil profundo”, "o grande sertão", a dimensão da floresta ou a errônea percepção da natureza "selvagem", a seleção contempla produções de André Penteado (São Paulo, 1973), Daniel Frota (Rio de Janeiro, 1988), Haroldo Sabóia (Fortaleza, 1985), João Castilho (Belo Horizonte, 1978), Marcelo Gomes (Recife, 1963), Karim Aïnouz(Fortaleza, 1966), Regina Parra (São Paulo, 1981), Romy Pocztaruk (Porto Alegre, 1983) e Tuca Vieira (São Paulo, 1974). “Muitas destas pesquisa encontram nas profundezas do interior, deste íntimo do país, alguma condição universal, um sentimento comum demasiadamente humano. O interesse é este: confrontar o íntimo e o universal, o micro e o macro, confundindo escalas”, afirma.

O título da exposição é tomado emprestado do livro “Desmedida”, do escritor angolano Ruy Duarte de Carvalho. Trata-se de um relato poético de viajante quando de sua prospecção pelo Brasil, a partir de excursão pela bacia do Rio São Francisco. “Vários artistas estabelecem relações poéticas e visuais semelhantes ao escritos de Ruy. Há uma geração de artistas trabalhando com a ideia de redescobrimento. O interior do país passou por transformação sócio econômica radical nos últimos 20 anos”, afirma o curador.

De Tuca Vieira, a série fotográfica “Viagem ao Brasil” (2013) faz um retrato deste novo habitus construído sob a égide do desenvolvimento econômico e que se sobrepõe aos discursos globalizantes e homogeneizadores. Dois vídeos de Haroldo Sabóia – “Carta  à Solidão (2016)” e “Na medida em que caminho” (2017) – fazem uma espécie relato poético sobre paisagens interioranas do Nordeste do país. Também o faz o vídeo “Sertão de Acrílico Azul Piscina” (2004), da dupla Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, com tom documental e prospectivo, mas de caráter eminentemente experimental e poético. É por ele que a própria narrativa expositiva começa. O último vídeo da coletiva, “Barca Aberta” (2016), de João Castilho, reflete sobre deslocamentos de trabalhadores no interior mineiro, perpetuando a idéia permanente de movimento enquanto forma de sobrevivência.

De André Penteado, fotografias da série “Missão Francesa” (2017) desvendam o processo civilizatório e cultural de “catequizar” o Brasil a partir de referências ocidentais. Talvez seja esse contexto registrado que demarca a primeira ação de caráter simbólico no país, na construção de uma modernidade forjada. E, de Romy Pocztaruk, trabalhos da série “A Última Aventura” (2014) investigam os vestígios materiais e simbólicos remanescentes da construção da rodovia Transamazônica, um projeto faraônico, utópico e ufanista, relegado ao abandono e esquecimento. Regina Parra é a única artista a apresentar uma pintura da mostra. “Um Perigo um Chance” (2017), pintura de escala monumental, vem de uma pesquisa da artista que reflete sobre temas como imigração, iminências de transformação e condições inóspitas, colocando o espectador em real situação de desequilíbrio. Por fim, Daniel Frota, com sua peça sonora “It’s a Perpetual Way”, investindo na natureza circular e mântrica da musica popular brasileira,  manipula a canção de Caetano Veloso, “It’s a Long Way”, de 1972, abrindo alas aos que chegam à galeria, o que põe em contato o público e o privado.

A coletiva “Desmedida” abre no dia 17 de maio e fica em cartaz até 16 de junho.

Sobre o curador 

Diego Matos (Fortaleza, Brasil, 1979) é pesquisador e curador; mestre (2009) e doutor (2014) pela FAU-USP. Foi um dos curadores do 20o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (Sesc Pompéia, 2017). É organizador, com Guilherme Wisnik, do livro Cildo: estudos, espaços, tempo (Ubu Editora, 2017). Foi assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010); membro do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake (2011 – 2013); curador assistente do 18º  Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2013); e curador das exposições Da Próxima Vez Eu Fazia Tudo Diferente (Pivô, 2012) e Quem nasce pra aventura não toma outro rumo (Paço das Artes, 19º Videobrasil), todos em São Paulo, entre outras. Foi coordenador de Acervo e Pesquisa da Associação Cultural Videobrasil (2014-2016). Foi curador de exposições individuais de artistas como: Michel Zózimo, Rafael Pagatini, Raquel Garbelotti, Yiftah Peled, entre outros. Atuou também como professor em centros de ensino de arte e arquitetura em São Paulo (Instituto Tomie Ohtake, Escola São Paulo, Centro de Pesquisa e Formação e outras unidades do Sesc São Paulo). Ademais, escreve textos para catálogos de exposições; livros e exposições de artistas e colabora com revistas acadêmicas e de arte.

Serviço 
Desmedida
Exposição coletiva na Zipper Galeria
Artistas: André Penteado, Daniel Frota, Haroldo Sabóia, João Castilho, Karim Aïnouz, Marcelo Gomes, Regina Parra, Romy Pocztaruk, Tuca Vieira
Curadoria: Diego Matos
Abertura: 17 de maio de 2018, às 19h
Em cartaz até 16 de junho de 2018
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h
RODRIGO CUNHA HORA DO INTERVALO
Abertura: Quinta-feira, 17 de maio de 2018, às 19h
Por trás dos personagens e cenários aparentemente despretensiosos nas pinturas de Rodrigo Cunha reside o que há de próprio no trabalho do artista. A centralidade na representação da figura humana; o gesto que, ao contrário das pinceladas expressivas, mascara o comparecimento do artista ante a tela; os personagens caricaturais saídos do imaginário do artista, em poses solitárias que revelam algo de íntimo; os pequenos detalhes inseridos como indícios de uma biografia inventada. Tudo reaparece em “Hora do Intervalo”, terceira individual de Rodrigo Cunha na galeria, aberta a partir do dia 17 de maio.

A nova série de pintura se desdobra do que o artista havia apresentado em sua última mostra na Zipper, "Jardim Cético", em 2015, que reunia figuras exercendo seus ofícios: cenas de labor, da luta diária pela subsistência. Agora, os personagens estão em seus momentos de lazer, ou simplesmente de repouso. Júbilo, prazer, distração norteiam as situações representadas nas telas, que buscam, ainda, a representação de certos tipos que se colocam às margens do convívio social.

As pinturas parecem congelar um dado momento na trajetória destes personagens. Algo estava em curso quando eles pararam para ser retratados. Solitários e rodeados por elementos retirados de suas biografias imaginadas, eles posam como para uma fotografia – neste caso, o “fotógrafo” é o próprio pintor. Se em séries anteriores Rodrigo Cunha retratava personagens de seu imaginário, nessas os representados são baseados em pessoas reais, do círculo de convivência do artista, por quem ele nutre algum tipo de afeto.

“Hora do Intervalo” fica em cartaz na Zipper até 16 de junho.

Sobre o artista 

A pesquisa do artista Rodrigo Cunha (Florianópolis, Brasil, 1976) foca predominantemente a pintura centrada na representação da figura humana. Em planos que parecem deslizar os elementos para fora da tela, personagens que habitam a imaginação do artista desnudam sua privacidade, em poses em cômodos fechados. Ao representar, como pano de fundo, telas dentro de suas telas, o artista promove ainda um diálogo entre sua pintura e as de outros movimentos artísticos. Rodrigo tem trabalhos em coleções institucionais como Fundação Cultural Badesc (Florianópolis); Galeria de Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis-SC); Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis (Florianópolis-SC) e SESC Santa Catarina (Florianópolis-SC). Principais exposições individuais: "Jardim Cético", Zipper Galeria, São Paulo, Brasil (2015), "Diálogos com Desterro", Museu Vitor Meirelles, Florianópolis, Brasil (2008), Museu de Arte de Blumenau, Brasil (2006). Principais exposições coletivas: Bienal Internacional de Curitiba (2017); "A Figura Humana", Caixa Cultural Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (2014), "É o que há", Fundação Cultural Badesc, Florianópolis, Brasil (2013), "Rótulos", Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil (2007).

Serviço
Hora do Intervalo
Exposição individual de Rodrigo Cunha na Zipper Galeria
Abertura: 17 de maio de 2018, às 19h
Em cartaz até 16 de junho de 2018
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h

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