quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Obras Sobre Papel recebe a exposição "Prosaica Humanidade", com gravuras de 29 artistas


EXPOSIÇÃO “PROSAICA HUMANIDADE” REVELA A FACE DO
HOMEM COMUM NA CASA – OBRAS SOBRE PAPEL,
SÃO 37 GRAVURAS DE 29 ARTISTAS, COMO FRANCISCO GOYA, KÄTHE KOLLWITZ, MARC CHAGALL, ERIK DESMAZIÈRES, EVANDRO CARLOS JARDIM, OSWALDO GOELDI, RENINA KATZ

O homem comum em suas atividades, do banal, passando pelo sofrimento e o trabalho até chegar à morte. A partir dessa linha de condução, a cAsA - Obras Sobre Papel volta o olhar ao seu acervo e inaugura sua nova exposição, a coletiva “Prosaica Humanidade", no dia 28 de setembro. São 37 gravuras de 29 artistas, entre eles Erik Desmazières, Käthe Kollwitz, Evandro Carlos Jardim, Francisco Goya, Marc Chagall, Oswaldo Goeldi e Renina Katz.
A curadoria assinada pela equipe da cAsA, Lucia Palhano, Paulo Rocha e Thyer Machado, Prosaica Humanidade busca trazer a discussão sobre a representação do homem que, na historiografia tradicional das artes, sempre foi retratado com idealização. “A mostra revela a face dos vencidos, do homem comum, colocando em relevo outras narrativas a contrapelo da história dos vencedores. Em uma sociedade que frequentemente renega experiências de sofrimento e compele o ser humano a vivências anestesiadas, a arte (quem sabe) pode oferecer outras possibilidades, a partir do encontro com as imagens. Tal relação dos corpos com estas obras talvez possa questionar e impactar quem se lança nesse embate”, explicam os curadores.
As gravuras da exposição expõem o banal, pessoas em suas atividades íntimas, a vida rotineira em família, mães amamentando, pessoas bebendo, trabalhadores dormindo. Pode-se ver também o sofrimento, como a figura materna acolhendo o filho morto na obra impactante de Käthe Kollwitz. O trabalho se faz presente por meio de imagens de operários, açougueiros, trabalhadores campesinos e desempregados, revelando a face desumana do labor. Rostos humanos também aparecem, caminhando do realismo até imagens degradadas, em que na última gravura, de Erik Desmazières, há apenas uma caveira. O fim.
Este mote revela a representação do humano no acervo da cAsA, mas de maneira a buscar um olhar mais apurado para o homem, não uma mera visão romântica. “Em grande parte, os artistas aqui presentes almejavam que o espectador desenvolvesse um olhar crítico e consciente, não simplesmente compadecendo-se com o mundo e suas vicissitudes. Seria então possível permanecer alheio e insensível às representações do sofrimento e da vida tantas vezes bovina? Os rostos e corpos expostos nesses quadros são alteridades que falam e interpelam o espectador, como se nos despertassem o que há de mais prosaico e banal em nós mesmos: nossa própria humanidade”, finalizam os curadores.

SERVIÇO:
Prosaica Humanidade
Visitação: até 23 de dezembro.
De segunda a sexta, das 10h às 19h. Aos sábados de 10h às 14h.
Local: cAsA - Obras Sobre Papel (Av. Brasil 75 - Sta. Efigênia).
Informações: (31) 2534-0899
Entrada franca

Artistas participantes da exposição:
1. Anestor Tavares - BRASIL
2. Angelo Canevari - ITALIA
3. Benito Quinquela Martin - ARGENTINA
4. Bernd Koblischek - ALEMANHA
5. Clare Leighton - INGLATERRA
6. Danúbio Gonçalves - BRASIL
7. Edgard Cognat - BRASIL
8. Erik​ ​Desmazières​ - FRANÇA
9. Evandro​ ​Carlos​ ​Jardim​ - BRASIL
10. Francesc Domingo Segura - ESPANHA
11. Francisco​ ​Goya​ - ESPANHA
12. Glauco Rodrigues - BRASIL
13. Hannah Brandt - BRASIL
14. Hans Steiner - ÁUSTRIA
15. Ignaz Epper - SUÍÇA
16. J. Barros - BRASIL
17. Johann Robert Schürch - SUÍÇA
18. John Edward Costigan - ESTADOS UNIDOS
19. Käthe​ ​Kollwitz​ - ALEMANHA
20. Leonard Baskin - ESTADOS UNIDOS
21. Lionel Le Couteux - FRANÇA
22. Marc​ ​Chagall​ - BIELORUSSIA
23. Max Liebermann - ALEMANHA
24. Octávio Araújo - BRASIL
25. Oswaldo​ ​Goeldi​ - BRASIL
26. Ramon Rodrigues - BRASIL
27. Renina​ ​Katz​ - BRASIL
28. Robert E. Marx - ESTADOS UNIDOS
29. Winslow Homer - ESTADOS UNIDOS

Goya No hay que dar voces - gravura em metal, 1810-1820

Käthe Kollwitz - Morte, mãe e criança - gravura em metal, 1910 (2)

Marc Chagall - A cólera II - gravura em metal, 1925 (3)


Sobre a cAsA - Obras Sobre Papel
 A cAsA – Obras Sobre Papel, inaugurada em Belo Horizonte em 2015, tem como princípio abrir suas portas para a realização de exposições, encontros, discussão de ideias e promoção da arte sobre papel em todas as suas manifestações, sobretudo a gravura.
O espaço preenche uma lacuna existente na capital mineira em relação à técnica, com o objetivo de gerar um crescimento da circulação de gravuras, desenhos, aquarelas, fotografias - sedimentar este mercado, valorizando esta cultura, trazendo mostras e novas experiências artísticas.
Em seu expressivo acervo, obras de representativos nomes que fizeram história como Goeldi, Abelardo da Hora, Iberê Camargo, Erick Demazieres, Salvador Dali e Picasso.

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