quarta-feira, 28 de junho de 2017

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Ana Rodrigues.



Quem é Ana Rodrigues? 
 Nasci no R​io de Janeiro e por aqui continuo. Sou filha única, família pequena. Passei um tempo em Sucre, na Bolívia e em Lisboa, tempo suficiente pra me sentir em casa nestas cidades. Fora algumas viagens aqui e acolá. Adoro viajar. Tenho 4 gatos. Experiências fora da arte? Bem... Acho que não tenho uma resposta pra esta pergunta. Tudo o que vivo de alguma forma se reflete na minha vida na arte, seja por criar questões para os meus trabalhos ou para criar meu arquivo para ler outros trabalhos.

Como a arte entrou em sua vida?
Sempre fui ligada em arte, minhas primeiras paixões (com uns 4 anos) eram Juarez Machado e Michelangelo. Depois me apaixonei por Dali. Minha mãe pintava quadros como hobby, sempre me incentivou a gostar de arte e de ler. Comecei a me interessar por fotografia na adolescência, ganhei uma máquina pequena com 15 anos e desde então sempre fotografei um pouco a minha vida. Muito tempo depois, durante três anos, trabalhei como assistente de um fotógrafo, depois iniciei trabalho comercial em agência de publicidade. Começar este trabalho comercial aumentou a minha necessidade de desenvolver meu trabalho autoral.

Qual foi sua formação artística?
Fiz vários cursos e workshops de fotografia, poucos técnicos, sempre privilegiei os cursos voltados para o trabalho autoral. Destaco 2 grupos de estudo que participei durante bastante tempo, um com a Claudia Tavares e o outro com o Walter Costa. Até hoje assisto todas as palestras que consigo. Leio bastante sobre o assunto e troco muito com outros artistas. Além de frequentar todas as exposições a que tenho acesso.

Que artistas influenciam em sua obra?
Nossa, que pergunta dificil... São tantos, e depende tanto da época... Um dos artistas que mais admiro o trabalho e a linha de pensamento é o Fernando Schmitt que atualmente mora em Porto Alegre.

Como você descreve seu trabalho? 
Gosto de deixar espaço para o outro criar as suas histórias. Meu primeiro trabalho se chama Haikai, são histórias que mostram os pequenos gestos universos, minha ideia era que as pessoas se vissem nas situações. No meu segundo trabalho, Cultivar o Jardim, criei um jardim de sombras numa instalação feita com fotos, onde cada um podia criar seu jardim imaginário. Descobrir se as pessoas ainda se relacionariam com uma imagem que se repetisse diariamente em suas redes sociais foi o que me motivou a começar o #minhajanelaminha, trabalho que já foi exposto no Centro Cultural Correios, MARGS, Aman, Beirute, Quito e em outros locais. O trabalho continua em andamento. Ando pensando muito nas relações das pessoas com os espaços. Continuo não gostando de entregar histórias prontas, gosto do espaço para o outro pensar no tema com seu arquivo pessoal de vivências.


Quando você é fotógrafa e quando é artista?
 Acho que sou fotógrafa quando fotografo para os outros. Me sinto artista quando fotografo para mim mesma.

É possível viver de arte no Brasil?
 Espero que sim!!! Decidi focar 100% no meu trabalho autoral. Posso responder esta pergunta daqui a um tempo?

A mulher e o homem já estão em igualdade de condições no mercado?
Infelizmente não. Ainda temos um grande caminho a percorrer neste sentido. Existem festivais de fotografia nos quais o conselho curatorial é todo formado por homens. Concursos que nunca premiaram mulheres. Entendo que é importante continuar produzindo, aprender sempre mais e conseguir o destaque pelo mérito do trabalho.

Os salões de arte ainda são válidos? Alguma sugestão para aprimorá-los?
 Acho salões super válidos. Quando uma instituição se propõe a produzir um salão ela está incentivando e divulgando o trabalho dos artistas. Minha sugestão é: produzam mais salões!

Os preços das fotografias de grandes nomes atinge preços astronômicos, que comentário você faria sobre isso?
 Acho que pensar no objeto fotografia é reduzir o trabalho de um artista. Aquela impressão não é apenas um papel e nem foi gerado apenas com um clique. Aquela imagem foi capturada e selecionada por toda a vivência e estudo daquela pessoa. Então acho que os valores estão corretos. Os artistas que alcançam este lugar certamente merecem estar lá. Por que a fotografia seria considerada menos arte que uma pintura?

Você foi selecionada para o ótimo salão de Jataí, qual sua expectativa?
 Em abril resolvi focar no meu trabalho autoral, então comecei a buscar os salões com trabalho sério e consistente. Ter sido selecionada para o Salão de Jataí foi um ótimo presente.

Quais são seus planos para o futuro?
 Continuar a desenvolver meus trabalhos autorais e poder dividir meus pensamentos o máximo possível.



Cultivar o Jardim.



Cultivar o Jardim. Montagem no Hélio Oiticica.


Entre.

Entre.


Haikai 14.


Minha Janela.

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Maurizio Cattelan

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