sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Quântica Rara - Marcelo Solá. Texto: Antônioa da Mata na Orlando Lemos Galeria.



Esta exposição que Marcelo Solá apresenta na Orlando Lemos Galeria é a produção inusitada de uma trajetória artística alheia às tendências históricas – mas sem ignorá-las – demonstrando, por onde passa, o seu interesse em trabalhar com liberdade e de modo simultâneo o desenho e a gravura, sem, entretanto, deixar de instigar, em busca de novos meios com os quais ele possa expressar sua visão de mundo e dos homens do seu tempo.

            Uma vez superada a constatação dessa individualidade, no seu ritmo próprio de evolução, é preciso observar à luz de sua época até que ponto seus contemporâneos lhes são indiferentes, incluindo-se aí as ressonâncias detectáveis no que concerne às principais correntes da arte.

            Para se compreender a mensagem que um artista busca propagar com sua obra, é necessário analisar sua trajetória. Nesse sentido, é possível se referir a Marcelo Solá de diversas maneiras: ou pela cronologia tão bem assentada – e geralmente privilegiada pelos espectadores –, ou por seus temas recorrentes, ou, ainda, por sua contemporaneidade, que lhe é tão prezada e atestada pela sua individualidade indomável.

            Pode-se ver que a sua obra o leva a dois caminhos: Um, que exagera nas marcas da intervenção, com transições extremamente arbitrárias, traçados esquemáticos arquitetônicos, uso do recurso das garatujas e rabiscos; o outro, oposto, que o leva a eliminar qualquer presença humana, numa continuidade indiferente daquilo que o cerca, que atenua estas especificidades em proveito da generalização.

            Atua precisamente numa conjuntura em que as abstrações de diferentes famílias se opõem às correntes realistas, onde a sua força singular lhe conduz a escapar dessas oposições e o leva a novas convenções de projetos artísticos de outros terrenos, que fazem parte de uma cultura contemporânea.

            O que determina a qualidade tão especial na obra de Marcelo Solá é o equilíbrio nela presente: Algo que é, ao mesmo tempo, estudado e espontâneo, que se sustenta pelo estado de espírito nela reinante e, de modo especial, pelo amadurecimento obtido por seu percurso muito ordenado, imposto em decorrência da sua autodisciplina, que é, realmente, o fundamento da sua arte.

                                                                                                         Antonio da Mata
Mestre em Artes – UNICAMP 
e Supervisor do Museu de Arte de Goiânia
                                                                                               Março de 2017.
Rua Melita, 95, Jardim Canadá • Nova Lima, MG • CEP 34000-000
Telefones: 55 31 3224 5634 / 3581 2025
www.orlandolemosgaleria.com.br




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