quarta-feira, 3 de maio de 2017

Galeria de Arte da Fundação Cultural FCPEMG: Do Primititivismo ao Lirismo - Aneto.




Galeria de Arte da Fundação Cultural FCPEMG apresenta a exposição
Do Primitivismo ao Lirismo
Aneto
Abertura: 11 de maio, quinta-feira, às 19 h - até 30 de junho de 2017 


A exposição Do Primitivismo ao Lirismo procura delinear o  percurso, a abnegação e a superação de Aneto em sua vida pessoal e artística. O artista, reconhecido como fiel discípulo de Guignard, apresenta 30 obras em técnicas e formatos diferenciados, que abrangem sua trajetória artística, influenciada por suas origens e vivências, refletidas em quase oito décadas de pintura. A curadoria da mostra é assinada em conjunto por  Paulo da Terra Caldeira e Cristina Fonseca.  A Galeria de Arte da Fundação Cultural FCPEMG está localizada à rua da Bahia, 1032, 9º andar, Centro - Belo Horizonte. O período de visitação será de 12 de maio a 30 de junho, de segunda a sexta-feira, de 13:30 h a 17:00 horas.
Aneto (Antônio Augusto Neto)  é o pintor de obras que envolvem o olhar perspicaz de seus admiradores. Sua temática recria, entre outros motivos, paisagens oníricas e enevoadas de cidades históricas e do interior mineiro, apresenta tipologia diversificada do cotidiano de figuras humanas e de lembranças de espetáculos circenses assistidos em sua infância as quais são consagradas em suas telas. Sua admiração pelo mestre  Alberto da Veiga Guignard e por suas obras o acompanha e o influencia fortemente ao longo de sua caminhada.
De origem humilde, Aneto nasceu em 13/06/1933, em Diamantina, cidade mineira detentora de importante patrimônio artístico e arquitetônico barroco. Com uma vida de privações, chegou a morar no Asilo Protetor da Infância, perdeu precocemente sua mãe e, sem muitas opções, para aliviar infortúnios e desventuras, aos dez anos de idade, desperta o interesse pelos caminhos da arte, ao desenhar e mais tarde, usar telas, tintas e pincéis para registrar a rotina de moradores e a paisagem de onde nasceu. Em 1946, ao transferir-se para Belo Horizonte e desempenhar inúmeras atividades como faxineiro, garçom e desportista na Polícia Militar, obteve emprego como motorista na Escola de Engenharia da UFMG, onde permaneceu até se aposentar. Com a admiração inspirada pelo seu trabalho e o incentivo que recebia daquela instituição frequentou, entre 1951 e 1959, as aulas de pintura ministradas pelo mestre Alberto da Veiga Guignard, na Escola de Arte do Parque Municipal (atual Escola Guignard). Na Escolinha do Parque, Aneto foi colega de Álvaro Apocalypse, Chanina, Estevão, Gavino Mudado Filho, Jarbas Juarez, Maria Aparecida de Carvalho, Sara Ávila, Solange Botelho, Vicente de Abreu, Vilma Martins, Vilma Rabelo, Wilde Lacerda, Yara Tupynambá, entre outros consagrados pintores. Em seguida, participou de salões de arte, recebendo premiações, com ênfase para a Menção Honrosa outorgada pelas obras expostas no X Salão de Artes de Belo Horizonte (1955 e no de 1956) e de inúmeras exposições individuais e coletivas, destacando-se a individual na Galeria Guignard: Vinte e cinco anos de arte de Aneto  (1979)  e as coletivas em homenagem a Guignard realizadas na Galeria de Arte do BDMG Cultural: A Cidade e o Artista: dois centenários (1995) e Ver e Voltar a Ver: a cidade dos alunos do mestre Guignard (2012).
A profunda influência de Guignard incidiu não somente sobre a vida e obra de Aneto como também dos colegas Wilde Lacerda, Petrônio Bax, entre outros. Segundo a saudosa crítica de Artes Plásticas, Maristela Tristão, indagada se entre os alunos de Guignard haveria algum que ela considerasse o mais fiel ao mestre, ela respondeu: “Tinha. O Wilde de Lacerda. Tem o Aneto, que é muito Guignard. Não é que imitem, é influência”. No mesmo período, Yara Tupynambá asseverava que “... inspirar não é copiar” e que “... naquela época, a influência era o conhecimento de Guignard. Não à arte dele. Alguns faziam parecido...”.
Polêmica à parte, o importante é que algumas de suas obras transmitem enorme tranquilidade aos visitantes enquanto outras relembram a infância, em razão de situações inusitadas, mostradas em suas pinturas, que poderão ser conferidas nesta mostra.










DO PRIMITIVISMO AO LIRISMO ANETO 
Paulo da Terra Caldeira* Cristina Fonseca ** 

Do Primitivismo ao Lirismo - 

Aneto, discípulo de Guignard reflete o percurso, abnegação e superação pessoal e artística de Antônio Augusto Neto. De origem humilde, nasceu em 13 de junho de 1933, na distante Diamantina, repleta de casarões coloniais e igrejas em estilo barroco, museus, imagens sacras, pratarias, lampadários, lampiões e ruas calçadas com pedras que testemunham importante fase da história de Minas e do Brasil. Em seus tenros anos, de caráter tímido, gentil e prestativo, Aneto morava no Asilo Protetor da Infância no qual, entre outros constrangimentos, sempre por motivos fúteis, certa vez foi colocado com braços abertos e ajoelhado sobre grãos de milho, enquanto batiam em suas costas. Em outra ocasião, ao buscar uma barra de sabão em um botequim, ofereceram-lhe bebida e, em seguida, foi surpreendido cambaleando pelas ruas. Pego em flagrante, foge e, no percurso, avista um casal com dois burrinhos, junta-se a eles rumando para Diamantina. Ao chegarem à cidade, foi comunicado a respeito do falecimento de sua mãe, ocorrido há três dias. Sem opções na vida, aos dez anos de idade muda-se para Pinheiros, MG, onde trabalha como tropeiro e, posteriormente, para Maria Nunes, MG. Lá, como garimpeiro, foi acometido de febre alta, sendo transferido para a Santa Casa de Diamantina, na qual foi tratado apenas, com farinha de mandioca e café. Contribuíram para despertar-lhe o interesse pelos caminhos da arte e para aliviar tais infortúnios e desventuras sua aptidão pelo desenho, a arquitetura do local, o ambiente e a rotina dos moradores que serão, mais tarde, registrados em suas telas. Em 1946, ao transferir-se para Belo Horizonte, consegue emprego de faxineiro, de pedreiro e como garçom, até engajar-se na Polícia Militar. Sua estatura (1,98 cm) possibilita-lhe competir e ficar em segundo lugar, em prova de Arremesso de Martelo (37,10 cm) e em terceiro, na prova de Arremesso de Disco (29,90 cm). Por influência de amigos ligados ao esporte (futebol, vôlei e basquete) e a convite do Prof. Francisco Magalhães Gomes, obteve emprego como motorista, no Instituto de Pesquisas Radioativas e, posteriormente, na Escola de Engenharia da UFMG (EE-UFMG). Já naquela época, o admirador e incentivador de seus trabalhos, Egídio Benício de Abreu o liberava de seus afazeres na corporação para que comparecesse às aulas de pintura do renomado artista plástico Alberto da Veiga Guignard, na Escola de Arte do Parque Municipal (atual Escola Guignard), a qual frequentou de 1951 a 1959, em suas instalações físicas modestas, situada em aprazível área da Capital. Na Escolinha do Parque, Aneto era colega de Álvaro Apocalypse, Chanina, Estevão, Gavino Mudado Filho, Jarbas Juarez, Maria Aparecida de Carvalho, Sara Ávila, Solange Botelho, Vicente de Abreu, Vilma Martins, Vilma Rabelo, Wilde Lacerda, Yara Tupinambá, entre outros consagrados pintores. Naquele período, Aneto participa do 1º Salão Nacional do Pequeno Quadro (1954) e do Salão Municipal de Arte da Capital de 1954 e o de 1955, nos quais, pela qualidade de suas obras, recebe Menção Honrosa em ambas as edições. Em Belo Horizonte naquela época eram escassos os espaços destinados à realização de exposições de Artes Plásticas. Os pintores buscavam identificar instituições diversas que pudessem suprir tal lacuna. Essa foi uma possibilidade vislumbrada pelo Artista para realizar mostrar suas obras em exposições individuais nas seguintes instituições: Biblioteca Thomaz Jefferson, (1954); Sociedade Mineira de Engenheiros (1955 e 1986); Diretório Acadêmico, EE-UFMG (1955 e 1969); Palácio das Artes: Salões de Arte (1970 e 1979); Salão Jovem do Minas Tênis Clube (1971); Restaurante Mangueiras (1973); B. V. L. Corretora de Valores (1973); Galeria Skorpios, SP (1973); Clube Libanês (1978); Galeria Guignard (1979): Vinte e cinco anos de arte de Aneto; Galeria de Arte da Telemig (1984) e Usiminas (1989). Aneto aceitou ainda, convite para realizar exposições individuais em outras localidades, como: no Clube Itabirano (1975); na Casa de Borba Gato, em Sabará (1981); no Espaço Mascarenhas, em Juiz de Fora (1989); na Câmara Municipal de Contagem e em Marataízes, ES. Participou, igualmente, de exposições coletivas nas seguintes instituições: Sociedade Mineira de Engenheiros (1952); Edifício Dantés (1953); Grupo Pampulharte: (1957); Saguão da Reitoria da UFMG (1971 e 1998); Salão Minart (1972); Escola de Direito, UFMG (1972); Palácio dos Leilões (1972); Jornada Universitária (1972); Portão Mineiro (1975); Galeria Guignard (1976); Galeria Otto Cirne; AMMG (1976); Escola de Arquitetura, UFMG (1977); Museu Nacional de Belas Artes, RJ (1997); Sociedade Mineira de Engenheiros (1986); Casa da Cultura “Josephina Bento”, Betim (1992); Espaço Cultural Pampulha Iate Clube (1993); Galeria de Arte do BDMG Cultural: A cidade e os artistas: dois centenário e Ver e Voltar a Ver: A cidade dos Alunos do Mestre Guignard (1995 e 2012): Secretaria Municipal da Coordenação de Gestão Regional Pampulha (2001); Faculdade Estácio de Sá (2003); Organização dos Aposentados e Pensionistas da UFMG (2009 e 2011); Hall da Biblioteca, EE-UFMG (2009 e 2011). Pioneiro na divulgação de suas obras para a população em geral Aneto mostra seus trabalhos em espaços públicos, como a Feira de Arte da Praça da Liberdade (1975), o Espaço Mangueiras e a Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Destaque-se, por oportuno, que o Pintor foi agraciado com Menção Honrosa pelo conjunto das obras expostas no X Salão de Artes de Belo Horizonte (1955) e escolhido como tema da Jornada Universitária UFMG, em 1972, quando foto de seu retrato, pintado por Guignard, constou nas publicações da instituição. Além disso, alcança o primeiro lugar em certame para escolha de música representativa da EE-UFMG e, merecidamente, recebe homenagem da Câmara Municipal de Belo Horizonte, por sua “brilhante exposição realizada na Sociedade Mineira de Engenheiros” em 1986. Dez anos após, a OAP-UFMG lança o vídeo: Aneto, em sua série de Artistas da Universidade. A temática de Aneto recria, entre outros motivos, paisagens oníricas e enevoadas de cidades históricas e do interior mineiro, apresenta tipologia diversificada do cotidiano de figuras humanas e de lembranças de espetáculos circenses assistidos em sua infância as quais, mais tarde, são consagradas em suas telas. Sua admiração por Guignard e por suas obras o acompanha e o influencia fortemente, como também aos colegas Wilde Lacerda, Petrônio Bax entre outros, ao longo de suas caminhadas. Na entrevista As boas sementes de Guignard, publicada na primeira página do caderno Espetáculo, do jornal: Estado de Minas, de 28/01/1997, o jornalista a Walter Sebastião indaga a crítica de Artes Plásticas, Maristela Tristão, se “Tem algum dos alunos que você considera o mais fiel a Guignard?” ao que ela rebate: “Tinha. O Wilde de Lacerda. Tem o Aneto, que é muito Guignard. Não é que imitem, é influência”. Ainda no mesmo jornal, Yara Tupinambá assevera que “... inspirar não é copiar” e que “... naquela época, a influência era o conhecimento de Guignard. Não a arte dele. Alguns faziam parecido...”. Polêmica à parte, o importante é que algumas de suas obras transmitem enorme tranquilidade aos visitantes enquanto outras relembram a infância, em razão de situações inusitadas, mostradas em suas pinturas. Destarte, saudemos com júbilo e contentamento, o ainda jovem de mais de oito décadas de vivência, trabalho, praticante de esporte, pai de oito filhos, de inúmeros netos, bisnetos e, mais que tudo isso, pintor de obras que envolvem o olhar perspicaz de seus inúmeros admiradores.

Curadores * Professor aposentado da Escola de Ciência da Informação Departamento de Organização e Tratamento da Informação Universidade Federal de Minas Gerais ** Economista Curadora da Galeria de Arte da Fundação Cultural FCPEMG Museóloga em Formação Escola de Ciência da Informação Universidade Federal de Minas Gerais
SERVIÇO
Exposição de pintura “Do Primitivismo ao Lirismo"
Abertura: 11 de maio de 2017, quinta-feira, de 19 h às 21:30 horas
Período: de 12 de maio a 30 de junho
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 17 horas
Local: Galeria de Arte da Fundação Cultural FCPEMG
Rua da Bahia, 1032 – 9º andar, Centro
CEP. 30.160-011 - Belo Horizonte, MG
Tel. 3146-9302
Entrada franca

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Maurizio Cattelan

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