segunda-feira, 20 de março de 2017

Luciana Caravello abre o ano com duas individuais Pedro Varela e Marcia de Moraes


Luciana Caravello abre o ano com duas individuais
 
Luciana Caravello Arte Contemporânea recebe, a partir de 21 de março, dois artistas representativos da arte contemporânea brasileira. Nos dois primeiros andares, Pedro Varela e no terceiro, Marcia de Moraes, em parceria com a galeria Leme, de São Paulo.
 
 
Pedro Varela mostra seu universo tropical

 
Pedro Varela foi buscar no historiador Henry Rousso o título de sua exposição: “Un passé qui ne passe pas” – assim em francês mesmo. Rousso é um dos historiadores mais importantes da corrente que vai buscar uma história contemporânea, que investiga como o passado recente reverbera nos dias de hoje. E o mote dessa exposição – sua primeira individual na Luciana Caravello Arte Contemporânea - é a vontade de falar desse passado que continua reverberando. O seu interesse por personagens conceituais e também nessa representação da flora é justamente falar desse passado que não passa, que emerge nas nossas relações sociais, no nosso DNA, na forma como vivemos hoje.

Pedro apresenta um conjunto de obras monocromáticas em sua maioria, com personagens conceituais que surgem no meio de um emaranhado de plantas, caules e flores tropicais. Esses personagens às vezes são históricos, às vezes são ficcionais, mas sempre fazem parte do universo tropical. São recortes da história da arte, personagens anônimos e famosos, estereótipos, referências da cultura popular. Estão na mostra duas pinturas coloridas grandes de 150 x 150 cm, mais quatro monocromáticas grandes e cinco pequenas, além de alguns desenhos recortados. O texto da exposição é do curador Marcelo Campos.

No trabalho de Pedro, os personagens conceituais que emergem no meio da floresta falam sobre esse passado ainda vivo. Eles são links para diferentes épocas, que estão juntos por sua relação com os trópicos, especialmente o Brasil, criando uma paisagem/narrativa fragmentada. A questão histórica sempre esteve presente nos trabalhos de Pedro, mas nunca de forma tão direta. Isso surgiu aos poucos; a série preta e branca com personagens brotando começou em 2005. Mas a preocupação do artista não é com a história em si, com algo distante que já não faz parte das nossas vidas. “Minha ideia é abordar o que ainda está vivo, mesmo que precise recorrer aos bandeirantes, a imagens de gravuras e cartas náuticas antigas e personagens históricos. No meio desse caldo entram referências mais novas como Herzog enforcado, Brasília e Tarsila do Amaral.“

Pedro mora em Petrópolis, mas está passando uma temporada em Paris – sua mulher, Carolina Ponte, faz uma residência artística na Cité des Arts. De lá ainda irão para a Dinamarca antes voltar ao Brasil. Pedro viveu no México entre 2007 e 2009 e foi com a volta ao Brasil que surgiu seu interesse pelos trópicos. Seu trabalho já cruza fronteiras. Entre individuais e coletivas, participou de exposições no México, no Qatar, França, Genebra, Londres, Uruguai, Argentina, Lisboa. Esteve em 2016 na feira “Untitled”, em Miami.


PEDRO VARELA
Un passé qui ne passe pas
texto: Marcelo Campos

abertura: 21 março 2017 
horário: 19h às 22h

exposição: 22 março a 20 abril 2017 
horário: seg a sex – 10h a 19h / sáb – 11h a 15h


Marcia de Moraes apresenta seus trabalhos “descabelados”

A paulista Marcia de Moraes faz sua estreia no Rio em dose dupla na Luciana Caravello Arte Contemporânea: no dia 21, abre a exposição “Banquete” e lança o livro “Marcia de Moraes”, com um recorte de sua obra em textos de Paulo Myiada e Camila Belchior, editado pela Cobogó.

Marcia usa lápis grafite e lápis de cor em seus trabalhos, mas é no espaço branco, vazio, não preenchido pela cor, que as formas aparecem. São folhas secas, gargantas, pelos, unhas, pedras, ossos, cacos de vidro, piscinas, bolhas, entre outras coisas.  “Quando todos esses elementos estão aglomerados, o desenho se torna uma grande insinuação de um organismo vivo constituído de infinitas partes que não são a representação narrativa de objetos específicos, mas a transposição para o papel desses fragmentos visuais que tenho acumulado há anos”, explica a artista.

Na exposição da Luciana Caravello, ela apresenta sete obras. A que dá o título – Banquete – é o maior trabalho: um políptico de quatro partes que é mesmo um banquete: nele há uma série de referências figurativas como alcachofras, frutas, seios, unhas, ossos. Mas as referências não são óbvias; são transfiguradas e se tornam algo quase abstrato quando estão juntas no desenho. Tudo junto, acaba gerando um desenho que é um banquete visual, mais do que um banquete para o paladar. Mas para a artista, todos esses prazeres se misturam. Olfato, paladar, visual, tato.

Há ainda dois desenhos e quatro colagens. Os desenhos de Marcia são feitos de aglomerados de formas e, como têm grandes dimensões, há muitos elementos desenhados em cada trabalho, mas as formas não são literais. “Estou montando um vocabulário desde que comecei a usar grafite e lápis de cor. E ele não acaba nunca; aumenta e se transforma de um trabalho para outro, pois vou descartando algumas formas antigas e inserindo outras novas. Assim, o desenvolvimento desse léxico se dá em espiral, não é linear”.

Marcia conta que, ao fazer um desenho, vira constantemente a posição dos papéis, seja de cabeça para baixo ou de lado, para tentar ver novas formas. E ela se surpreende ao perceber imagens que não veria naturalmente. Ela acha importante fugir do vício de sempre usar certas formas no desenho. “Me interessa aquilo que eu não faria num primeiro impulso. Costumo dizer que me interesso por aquilo que está deslocado de sentido ou de lugar. Como se fosse um ato falho do cotidiano. Quero aquilo que não é fixo, é fluido e, de certa forma, descabelado, diz”.

O livro “Marcia de Moraes” é bilíngue (português e inglês) e foi realizado a partir de uma bolsa da Fundação Pollock-Krasner, em Nova York. Nele, estão reunidas imagens de cerca de 60 obras, além dos textos de Paulo Miyada e Camila Belchior e uma entrevista de Lourenço Egreja sobre o processo de trabalho da artista.


MARCIA DE MORAES
Banquete [Projetos especiais]
parceria com a Galeria Leme - SP

abertura e lançamento de livro: 21 março 2017
horário: 19h às 22h

exposição: 22 março a 20 abril 2017 
horário: seg a sex – 10h a 19h / sáb – 11h a 15h


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 Luciana Caravello opens year with two solo shows

Starting 21 March, Luciana Caravello Arte Contemporânea will feature the work of two contemporary Brazilian artists, Pedro Varela on the first two floors, and Marcia de Moraes on the third, in partnership with São Paulo’s Galeria Leme.


Pedro Varela shows us his tropical world

Pedro Varela found the French title of his exhibition, “Un passé qui ne passe pas”, in the work of the historian Henry Rousso. Rousso is one of the most important historians of the school of contemporary history, which explores how the recent past impacts our lives today. The theme of this exhibition - his first solo show at Luciana Caravello Arte Contemporânea - is the desire to talk about a past that still resonates today. His interest in conceptual figures and the representation of flora involves precisely this talking about a past that has not passed, that appears in our social relations, in our DNA, in the way we live today.

Varela presents a selection of mostly monochrome works, with conceptual figures appearing in the midst of a tangle of plants, tree trunks and tropical flowers. These characters are sometimes historical, sometimes fictional, but always form part of the tropical world. They are drawn from the history of art, anonymous and famous figures, stereotypes, references to popular culture. The show includes two large 150 x 150 cm color paintings for large monochromatic ones and five small pieces, along with a number of selected drawings. The exhibition text is written by the curator, Marcelo Campos.

In Varela’s work, the conceptual figures that appear in the midst of the forest speak of this still living past. They are links to different epochs, joined by their relation to the tropics, especially Brazil, creating a fragmented landscape/narrative. The question of history is has always been a feature of Varela’s work, but not as directly as this. It appears gradually; the black and white series with sprouting figures was begun in 2005. But the artist is not interested in history in itself, with something from the distant past that is no longer a part of our lives. “The idea is to address what is still alive, even though we must go back to the conquistadors, old engravings and nautical charts and historical personalities. Stirred into this mix, there are also more recent references, such as Herzog hanging in his prison cell, Brasília and Tarsila do Amaral“.

Varela lives in Petrópolis but is currently residing in Paris, where his wife, Carolina Ponte, is artist in residence at Cité des Arts. He will then be spending some time in Denmark before returning to Brazil. The artist lived in Mexico between 2007 and 2009 and his interest in the tropics emerged when he came back to Brazil. His work straddles national borders. His solo and group shows have included exhibitions in Mexico, Qatar, France, Geneva, London, Uruguay, Argentina, and Lisbon. In 2016, he participated in the “Untitled” fair, in Miami.


PEDRO VARELA
Un passé qui ne passe pas
Text: Marcelo Campos

Opening: 21 March 2017 
7pm – 10pm

Exhibition: 22 March - 20 April 2017 
Mon-Fri – 10am – 7pm /Sat – 11am – 3pm


Marcia de Moraes presents her work “untamed’

São Paulo artist Marcia de Moraes is making her debut in Rio with a double dose at Luciana Caravello Arte Contemporânea. On the 21st, she opens her exhibition “Banquet” and launches “Marcia de Moraes”, a book with a selection of representations of her work and texts by Paulo Myiada and Camila Belchior, published by Cobogó.

Moraes uses creates her works using graphite and colored pencils, but it is in the white empty space, not filled with color, that the images appear: dried leaves, throats, hair, fingernails, rocks, bones, shards of glass, swimming pools, bubbles and the like. “When all these elements are brought together, the drawing produces a powerful impression of a living organism composed of infinite parts, which are not a narrative representation of specific objects, but are a transposition onto paper of these visual fragments that have built up over the years”, the artist explains.

Seven works appear in Luciana Caravello’s exhibition. The title piece – Banquet – is the largest: a four-part polyptych which is itself a veritable banquet with figurative references to artichokes, fruit, breasts, fingernails, bones. But the allusions are not obvious, but transfigured and almost abstract when juxtaposed in the drawing. The whole drawing is a more feast for the eyes than for the taste buds. But, in the artist’s view, although these pleasure blend together: smell, taste, sight, touch.

There are two more drawings and four collages. Moraes’s drawings involve a multitude of forms and, as they are large-scale, each contains many elements, but the forms are not literal. “I have been building up a vocabulary since I began using graphite and colored pencil. And it never stops; it grows and transforms from one work to another, as I discard some old shapes and introduce new ones. The development of this lexicon is thus spiral, not linear”.

Moraes says that, when she produces a drawing, she is constantly moving the paper around, turning it upside down or on its side, in an attempt to see new forms. And she is surprised to see images that she would not make out naturally. She thinks it important to avoid the habit of always using a certain repertoire of shapes in drawings. “I am interested in what I would not do instinctively. I like to say that I am interested in things whose meaning or positioning is distorted. Like a slip of the tongue. I want something that isn’t fixed, but fluid and in some way untamed,” she says.

The book “Marcia de Moraes” is bilingual (Portuguese and English) and was funded by a grant from the Pollock-Krasner Foundation, in New York. It contains images of around 60 pieces, texts by Paulo Miyada and Camila Belchior, and an interview with Lourenço Egreja on the artist’s working process.


MARCIA DE MORAES
Banquet [Special projects]
in partnership with Galeria Leme - SP

Opening and Book Launch: 21 March 2017
7pm – 10pm

Exhibition: 22 March - 20 April 2017 
Mon-Fri – 10am – 7pm / Sat – 11am – 3pm
 
 


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Maurizio Cattelan

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