quarta-feira, 8 de março de 2017

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Rick Rodrigues, Espirito Santo





Quem é Rick Rodrigues?
Nasci no dia 11/12/1988, em João Neiva, cidade interiorana do Espírito Santo, a 76 km da capital (Vitória). Vivo e trabalho na mesma cidade. Sou solteiro, moro com minha mãe. Antes de entrar para a faculdade de Artes Plásticas, me formei em técnico de programação de computadores, trabalhei por um ano nesse ramo e no ano seguinte, iniciei os estudos em artes.

Como a arte entrou em sua vida?
Desde pequeno eu mantinha relações diretas com as artes, principalmente, as artes visuais. Sempre gostei muito de desenhar, criar objetos com papelão, costurar, fazer recortes e colagens.
Durante o Ensino Médio presenciei os amigos escolhendo os cursos de graduação, tive bastante receio ao escolher o curso de Artes Plásticas, entretanto, logo nos primeiros semestres eu tive a certeza que escolhi o curso da minha vida. Assim, a arte permanece em mim.

Qual foi sua formação artística?
Sou bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) (2010-2014) e, atualmente curso Mestrado em Artes (2016-) na mesma instituição.
Participei de cursos de formação em Arte Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake e no Instituto EDP (2014/2015). Realizei 2 (duas) exposições individuais e diversas coletivas em Vitória/ES, Santa Maria/RS, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Madrid/ES e Porto/PT.

Que artistas influenciam sua obra?
Gosto muito do trabalho do artista cearense, Diego de Santos, nos conhecemos em 2013. Além de admirar muito a poesia do meu amigo Diego, com ele aprendi muitas burocracias do meio das artes. Agradeço-o por tantas dicas que me ajudaram impulsionar meu trabalho.
Tenho admiração e sou pesquisador de artistas, como: Kátia Canton, Sandra Cintro, Nazareno Rodrigues, Polliana Dalla, Fábio Carvalho, Rodrigo Mogiz, Andrea Fernández, Hilal, Rosana Ricalde, Bispo do Rosário, Leonilson, dentre outros.

Como você descreve seu trabalho? Falar sobre meios utilizados e assuntos discutidos.
Tenho o desenho híbrido como ponto de partida; passeio pela apropriação, bordados, decalques e criação de objetos tridimensionais.
Com grafites coloridos para lapiseira 0.5 mm sobre papéis de texturas finas, crio monocromias vermelhas ou azuis capazes de evidenciar as questões da infância e a arquitetura cotidiana, mesclando-as a elementos que contribuem para reavivar as memórias afetivas, sonhos, desejos, perturbações, fragilidades e laços familiares, construção poética de referências surrealistas. Às memórias adiciono uma espécie de enciclopédia de fábulas e uma coleção de símbolos. Permito que todos adentrem meus pequenos universos particulares compostos por temas e signos peculiares. Ora alguns desses signos saltam dos poemas desenhados e ganham a terceira dimensão; dotados de fragilidades, em escalas de miniaturas, aproximam-se de brinquedos e compõem pequenos mundos.
O bordado é recente na minha pesquisa. As primeiras séries de lenços bordados são de 2015. 
A delicadeza, a fragilidade humana, o real, o irreal e os sonhos são aspectos presentes nas minhas obras, por pesquisar as várias possibilidades de desenhar, acabei chegando ao bordado. “Na verdade, aprendi o bordado com um irmão falecido e minha primeira série foi de passarinhos, que fiz em homenagem a ele. Quando éramos crianças, eu o via costurando couro na roça dos meus avós e ele, sem muita paciência, me deu a estratégia: ‘você vai e depois volta com a linha’”. É o famoso ponto-atrás. Retornei em minhas memórias afetivas e de infância e, nos últimos projetos de desenho, cheguei a essa estratégia lembrando-me dessa costura. Além disso, o bordado para mim, é uma das formas de se desenhar. “Os meus trabalhos são sobre memória, infância, a vida no interior. Tenho trabalhos de uma exposição que eu fiz em 2016, que às vezes o desenho ganha a terceira dimensão e vira objeto, como por exemplo o trabalho do travesseiro e a caminha, que faz parte de uma coleção de miniaturas que eu tenho e que passaram a acontecer nos desenhos”.

Que trabalho, série ou exposição sua você considera a mais importante? Em 2016, realizei o projeto “Tudo o que não invento é falso”, na Galeria Homero Massena (Vitória/ES). Em formato de exposição individual, projeto contemplado pelo Edital 15/2015 da SECULT, desenvolvido com recursos do Funcultura. É a exposição, até o momento, mais importante para a minha carreira, pois tive a possibilidade de ser orientado pelo professor Carlos Eduardo Dias Borges e pela equipe da galeria por quase um ano. O resultado do projeto foi uma exposição com duas séries de desenhos híbridos sobre papel, objetos criados a partir de dobraduras de papel branco, bordados sobre lenços de algodão e fronha de travesseiro, além de objetos de madeira em miniaturas criados ou apropriados para compor as pequenas instalações.

É possível viver de arte no Brasil?
A tarefa é árdua. Há um ano eu decidi trabalhar apenas no meu ‘quarteliê’, como chamo meu quarto e espaço criativo. Entretanto, só produzir não me dá um salário no início ou fim do mês. Tenho empenhado a me inserir em projetos através de editais, como: salões de arte a nível nacional, mostras locais e prêmios de cultura, mas nem sempre esses editais são rentáveis, muitas vezes são, apenas, para mostrar nossos trabalhos e participar do circuito artístico-cultural. Atualmente, sou representado pela Galeria OÁ – Arte Contemporânea (Vitória/ES) e estou desenvolvendo o projeto “Casa 34”, premiado pelo Edital 16/2016 da SECULT, com recursos do Funcultura.
Espero, um dia poder manter um espaço adequado (ateliê) e que, a minha pesquisa artística não seja uma atividade secundária.

Como você vê a arte contemporânea no Espírito Santo?
No Espírito Santo há uma grande pluralidade. Aqui há artistas que desenvolvem pesquisas consistentes com desenho, multimídia, cartografia, pintura, vídeo, artistas que se destacam na performance, jovens artistas-curadores, como a Clara Sampaio, que tem desenvolvido muitos trabalhos no viés da arte contemporânea do estado.
Tem muita gente trabalhando no ES! Temos artistas das mais diversas linguagens. Destaco alguns jovens artistas, como: Polliana Dalla, Nicolas Soares, Amanda Amaral, André Arçari, Thaynã Targa, Natalie Mirêdia, Giovanni Lima, Thiago Arruda, André Magnago, Beatriz Zanchi, Andréia Falqueto, Sandro Novaes, dentre outros nomes. Acredito que esses nomes projetarão a arte contemporânea capixaba no âmbito nacional.
O circuito artístico-cultural se concentra na Grande Vitória. Vejo-me como um diferencial quando resolvi produzir no interior do estado e, retornei à minha cidade natal para esgotar minhas memórias aqui vividas ou inventadas.
Ressalto que não temos espaços culturais suficientes para abrigar a quantidade de artistas que se formam a cada semestre pela escola de arte da UFES. Ainda há poucos editais e leis de incentivo, mas estamos crescendo!

Como um artista jovem pode se projetar no Brasil?
Com o advento das redes sociais há muitas possibilidades de mostrar nosso trabalho para o Brasil e para o mundo.
Eu tenho me dedicado a mostrar minha produção em salões de arte, mostras locais, revistas que fazem convocatórias, sites e perfis que se interessam pelo meu trabalho.
É importante ter um bom portfólio hospedado online, com textos, breve descrição sobre o artista, currículo resumido, enfim, é um trabalho árduo, mas é possível. 

Você participará da exposição Almofadinhas com mais dois artistas, como está sendo a experiência?
Como já ressaltei, os desenhos bordados são recentes na minha poesia. Estou muito realizado em poder expor juntamente com dois artistas que têm pesquisas vastas no campo do bordado (Fábio Carvalho/RJ e Rodrigo Mogiz/MG). Além da figura do curador, o Ricardo Resende, que já foi diretor geral do Centro Cultural São Paulo, atualmente está no Museu do Bispo do Rosário no Rio de Janeiro.
A ‘entidade’ Almofadinhas tem sido um espaço de trocas, experiências e aprendizado. A exposição é consequência de um trabalho que vem sendo discutido e realizado a um ano, quando eu os encontrei nas redes sociais (Instagram e Facebook) e começamos a dialogar sobre o bordado e as questões de estereótipos, afetividades, delicadezas e do sensível.
É um desejo do grupo que, a exposição Almofadinhas aconteça, ainda, em pelo menos no estado de cada artista.

Quais são seus planos para o futuro? Algo no Rio de Janeiro?
Estou desenvolvendo um projeto expositivo que me dispus adentrar as memórias da antiga casa dos meus avós paternos, demolida no ano passado. A culminância do projeto “Casa 34” será no segundo semestre de 2017, na sala 2 da Galeria de Arte Espaço Universitário (GAEU/UFES). 
Não tenho nada marcado no Rio de Janeiro ainda. Também não desenvolvi nenhum projeto ainda em terras cariocas. Tomara que logo aconteça!


Casa de Passarinho, 2015.

Casa de Passarinho, 2015.


Sem título. Bordado sobre morim branco, 2016.

Série "Revoada", bordado sobre lenços de algodão estampados, 2016/2017.

Série "Revoada", bordado sobre lenços de algodão estampados, 2016/2017.

Série "Revoada", bordado sobre lenços de algodão estampados, 2016/2017.


 Série "Almofadinhas", bordado sobre capas de almofadas, 2016/2017.

 Série "Almofadinhas", bordado sobre capas de almofadas, 2016/2017.

Série "Tudo o que não invento é falso", instalação, 2016.

Série "Tudo o que não invento é falso", instalação, 2016.

Série "Tudo o que não invento é falso", instalação, 2016.

Série "Tudo o que não invento é falso", instalação, 2016.

Série "Tudo o que não invento é falso", instalação, 2016.

Série "Tudo o que não invento é falso", instalação, 2016.




CURRÍCULO ARTÍSTICO

Rick Rodrigues (1988) possui bacharelado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo, atualmente estuda mestrado em História, Teoria e Crítica da Arte (PPGA – UFES).
No Espírito Santo é representado pela galeria OÁ – Arte Contemporânea, Vitória.

+ contato
(27) 9 9861-1008

+ formação complementar

2015 e 2014 Cursos de formação em Arte Contemporânea – Prêmio Energias nas Artes, Instituto Tomie Ohtake e o Instituto EDP.

+ exposições individuais

2016 Tudo o que não invento é falso – Galeria Homero Massena, Vitória/ES. Maio – agosto. Prêmio do FUNCULTURA.
2015 O que dizer sobre o nada sei – Galeria Georges Vincent, Belo Horizonte/MG. Outubro – novembro.

+ principais exposições coletivas

2017
Cadáver Esdrúxulo. Casa Porto de Artes Plásticas, Vitória/ES.
Almofadinhas. Galeria GTO, Sesc Palladium, Belo Horizonte/MG.

2016
Diálogos Iberos. Galeria de Arte e Pesquisa — UFES, Vitória/ES.
Bienal de Arte Contemporânea do Sesc Distrito Federal. Pontão do Lago Sul, Brasília/DF.
DAVisuais. Galeria de Arte e Pesquisa — UFES, Vitória/ES.
Cá Entre Nós #1. OÁ Galeria – Arte Contemporânea, Vitória/ES.
44º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto. Casa do Olhar Luiz Sacilotto. Prêmio Aquisição: desenhos – série Borda(dores).
Luminaria02. CC Mercado de Usera. Madrid/Espanha.

2015
11º Vitória em Arte. Casa Porto das Artes Plásticas, Vitória/ES.
PA – Prova de Artista | 2ª Mostra Internacional de Gravura. Casa Porto das Artes Plásticas, Vitória/ES.
III Salão de Outono da América Latina - Salon d'Automne França-Brasil. Galeria Marta Traba do Memorial da América Latina, São Paulo/SP.
Tous Les Moyens Sont Bons - Material de Verso | Material Diverso. Galeria Georges Vincent – Aliança Francesa, Belo Horizonte/MG.
CORPO-CASA. Centro Cultural SESC Glória, Vitória/ES.

2014
XIII Salão Latino Americano de Artes Plásticas de Santa Maria. MASM — Museu de Arte de Santa Maria, Santa Maria/RS.
Exposição do Acervo. Galeria OÁ — Arte Contemporânea, Vitória/ES.
OCUPA GAP. Galeria de Arte e Pesquisa — UFES, Vitória/ES.
P.A. Encontro de Gravadores e Impressores. Salão Nobre - Junta Freguesia Bonfim, Porto/Portugal.
SP ESTAMPA 2014. Galeria Gravura Brasileira, São Paulo/SP.
Impressões e Memórias. Galeria Memorial da Paz, Vitória/ES.
Ver é Talvez Esquecer de Falar. Programa Prêmio EDP nas Artes, promovido pelo Instituto Tomie Ohtake - SP. GAP Galera de Arte e Pesquisa UFES, Vitória/ES.

2013
Linguagem Gravada. Galeria da Escola da Ciência: Física, Vitória/ES.

RICK|TATI Gravuras. Galeria Complexo Cultural Roque Peruch, Ibiraçu/ES.







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Maurizio Cattelan

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