quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Imagem-Movimento | na Zipper Galeria


IMAGEM-MOVIMENTO 
Abertura 29 de novembro, às 19h

Artistas participantes: Ana Vitória Mussi, André Penteado, Felipe Cama, Felipe Russo, Graciela Sacco, Iris Helena, João Castilho, Katia Maciel, Patricia Gouvêa, Ricardo van Steen. Curadoria: Nathalia Lavigne

 

Na próxima terça-feira (29), a Zipper Galeria inaugura sua última exposição do ano. Nesta mostra coletiva, a noção de movimento que se faz presente mesmo na imagem estática é um tema presente nos trabalhos dos dez artistas. Em "Imagem-Movimento", processos de deslocamento aparecem tanto na variedade de suportes utilizados, na circulação de imagens ou na temática dessas séries, contrariando um pouco a ideia do “instante decisivo” defendida por Henri Cartier-Bresson nos anos 1950.

A argentina Graciela Sacco é um dos principais nomes que desde o início dos anos 1980 vem experimentando técnicas pioneiras da fotografia, como a heliografia, com imagens ampliadas em ripas de madeira e outros objetos. Temas como a diáspora contemporânea e trânsitos migratórios em um mundo globalizado também estão presentes em sua produção.

Uma das primeiras artistas no Brasil a introduzir práticas da chamada fotografia expandida, Ana Vitória Mussi vem desde a década de 1970 explorando as categorizações mais tradicionais deste meio. Influenciada por produções audiovisuais de filmes feitos a partir de fotografias, como La Jetée (1962), de Chris Marker, a artista começou a fazer um processo inverso, transformando imagens em movimento da televisão em imagens estáticas, captadas a partir do próprio monitor. Parte desse processo deu origem à série “Mergulho na Imagem”, na qual cenas de saltos acrobáticos são aplicadas por serigrafia em tijolos de vidro, material que utiliza desde os anos 1990.

Outra experiência similar é feita pela artista Katia Maciel em "Inútil Paisagem" (2005), vídeo criado a partir de 150 imagens coladas digitalmente. O tempo estendido da imagem estática está presente ainda em “Imagens Posteriores” (2000-10), de Patricia Gouvêa, com registros de paisagens captados em veículos em movimento, questionando a relação entre mobilidade-imobilidade da experiência corporal no ato de contemplação. Ou no ensaio “Garagem Automática” (2016), de Felipe Russo.

Processos de deslocamento aparecem ainda no trabalho documental “Paisagem Submersa” (2002-2008), realizado por João Castilho, Pedro Motta e Pedro David, que acompanhou a saída de moradores da região do Vale do Jequitinhonha ( MG), atingidos pela construção da hidrelétrica de Irapé; ou “Like Home”, de André Penteado, com fotografias de plantas brasileiras no Jardim Botânico de Londres, feitas no período em que viveu no Reino Unido.

A mobilidade do suporte é também questão central na obra de Iris Helena. Cascas de paredes, recibos de pagamento e marcadores de papel são alguns dos materiais já utilizados pela artista. Em “Notas de Esquecimento” (2009), o registro de praças e lugares de passagem de João Pessoa (PB) é impresso sobre uma infinidade de papéis post-its, evocando um aspecto transmutável da fotografia, com imagens que se esvaecem com a ação do tempo.

Já a circulação de imagens aparece no projeto “Arquivo Tupi”, de Ricardo van Steen, que parte de fotografias produzidas pelo artista ou encontradas em arquivo alteradas com interferências pictóricas e apresentadas em uma urna como um registro histórico fictício. Ou na série "Sul x North" (2010/2015), de Felipe Cama, que mostra reproduções das pinturas da inglesa Marianne North (1830-1890) ao lado de fotos atuais apropriadas das redes sociais, clicadas nos mesmos locais que North retratou no século XIX.

Sobre a curadora
Nathalia Lavigne é pesquisadora e mestre em Teoria Crítica e Estudos Culturais pela Birkbeck, University of London. Atualmente, realiza uma pesquisa sobre reprodução de obras de arte no Instagram, circulação de imagens e colecionismo digital no programa de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Foi uma das pesquisadoras do projeto “Observatório do Sul”, uma plataforma de discussões promovida em 2015 pelo Sesc São Paulo, o Goethe-Institut e a Associação Cultural Videobrasil, que reuniu ao longo do ano profissionais de diversas áreas de atuação para discutir a questão do Sul Global no campo da cultura. É colaboradora de veículos como Bamboo, Select, Artforum, entre outros.

Serviço:
Exposição: Imagem-movimento
Abertura: 29 de novembro de 2016, às 19h
Visitação: até 14 de janeiro de 2017
R. Estados Unidos 1494, Jardim América – Tel. (11) 4306-4306
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h

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Maurizio Cattelan

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