sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o Artista Marco Antonio Scarelli






QUEM É MARCO ANTONIO SCARELLI ? 
Nasci em Jundiaí - SP, filho de Isabel Norma Perboni e Orlando Scarelli, que faleceu quando eu estava com 20 anos.Venho de famílias de italianos que tem, até hoje, como hobbie o fazer artístico. Sou o mais velho de três filhos: minha irmã Marta Elisabeth é Dra. Em biologia no Instituto Biológico de São Paulo e meu irmão Márcio paramédico no Hospital Albert Einstein. Tive uma infância tranquila e alegre. Minha geração ainda morava em casas com jardins e quintais. Tinha meus brinquedos a "pilha", mas fazia balões, pipa, brincava com pião, bolinha de gude, taco, carrinho de roli e adorava "bicicleta"... 
Minha adolescência e juventude foi marcada por sons do Mamas and Papas, Rolling Stones, Jannis Joplin, T. REX, Alice Cooper.... 
Com 19 anos entrei na Faculdade de Ciências e me apaixonei pelas matérias, principalmente Psicologia. Aos 22 anos, fui ser professor no "Estado" e o porteiro da escola me confundia sempre com aluno. Procurava fazer as minhas aulas divertidas, bem humoradas e não limitadas às paredes da sala de aula 


COMO A ARTE ENTROU NA SUA VIDA ? 
Como a maioria dos artistas, na infância, já demonstrava inclinação para a arte. Aos 5 anos, meu pediatra Dr. Lavousier, me deu a tarefa de levar para ele, todo mês, um desenho e eu levei isso muito a sério. Mais tarde, meus pais, recorreram aos conselhos de uma amiga da família, a pedagoga Léia, que, graças a Deus, sabiamente recomendou não me matricularem em uma escolinha de pintura, mas  darem  material de desenho e pintura para eu fazer o que quiser. Já com 7 anos, no primário, eu fui o vencedor em concurso de desenho, na escola em que eu estudava, concorrendo com crianças da 1ª a 4ª série e daí por diante, não parei mais. Já nessa época eu falava que seria arquiteto. Sempre misturado aos meus brinquedos  tinha o material de pintura. Entre as tarefas de escola, brincadeiras eu reservava, todo dia, um momento para desenhar.Creio que esses foram grandes incentivos para eu continuar fazendo arte. 

QUAL FOI A SUA FORMAÇÃO ARTÍSTICA ? 
Minhas primeiras lições de pintura foram através da família, dos  meus tios e tias que estudaram pintura. 
Na adolescência procurei cursos livres no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, Pinacoteca do Estado.... 
Considero mais importante as conversas e ensinamentos dos artistas mais experientes do que os cursos. 
Nunca pensei em fazer uma faculdade de Artes Plásticas ou Educação Artística, mas fiz Arquitetura e Urbanismo na Faculdade de Belas Artes de São Paulo porque tinha uma grade curricular com matérias de meu interesse, como : História da Arte, Plástica, Desenho e Mensagem, Design ..... 

QUE ARTISTAS INFLUENCIARAM A SUA OBRA ? 
Talvez tenha sido Salvador Dalí. 
Passei por várias fazes, conforme minha idade: realismo, cubismo, abstrato formal, etc....mas, nos anos 80 percebi que estava fazendo surrealismo. Então, me envolvi numa pesquisa  de psicologia e da linha daliniana, a qual exerceu um fascínio sobre mim. Cheguei escrever e apresentar um monólogo sobre Salvador Dalí, explicando o método crítico paranoico. 

COMO VOCÊ DESCREVE SEU TRABALHO ? 
Procuro fazer um trabalho sem preocupações com definições ; livre, solto, conforme a inspiração que eu tiver. 
Não tenho assuntos preferidos. Adoro participar de exposições que proponham tema, para eu pesquisar, refletir e depois fazer o trabalho. 
As vezes, gosto de ser irônico, sarcástico, às vezes sou mais objetivo ou bem humorado. Mas, já fui mencionado como surrealista pós contemporâneo. 
Conforme a criação, eu utilizo um meio, pode ser pintura, escultura, desenho, foto, instalação, mista.... Tudo depende do meu momento, mas sempre estou pesquisando materiais inusitados. 
Vários críticos e galerias de vários continentes  apontam meus trabalhos como originais e exclusivos, no meio artístico. 
Eu, só estou preocupado em fazer o que minha imaginação permitir. 

É POSSÍVEL VIVER DE ARTE NO BRASIL ? 
Não é fácil, mas é possível. Os meus alunos que optaram seguir nesta profissão estão muito bem. 
Tive muitos momentos difíceis, quase chegando a desistir, mas quando se faz um trabalho com prazer e  responsabilidade, conseguimos superar as dificuldades. 
E, hoje, os novos artistas  e emergentes, tem alguns estímulos em seu favor. 

O MATERIAL NACIONAL PARA PINTURA JÁ TEM QUALIDADE ADEQUADA? 
As galerias, primando pela qualidade das obras, praticamente exigem materiais importados que, lógico, são  excelentes, mas já vi artistas do exterior usando materiais brasileiros.  

QUE COMENTÁRIOS VOCÊ FARIA SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA ARTE CONTEMPORÂNEA, EM JUNDIAÍ ? 
A cada ano, surgem novos artistas na cidade e o que me alegra é o nível intelectual, a qualidade e a originalidade dos trabalhos apresentados. Vários deles estão sendo professores nas universidades em São Paulo ou Campinas. Maior gratificação é saber que a maioria, passou pelos cursos da AAPJ, onde eu trabalho e sou presidente. 
Infelizmente, por falta de mais espaços, a cidade não absorve todo o potencial artístico e os artistas tem de procurar outros locais indo a São Paulo ou para o exterior. 
Desde 1975 a Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí, vem realizando exposições e eventos de arte contemporânea, sempre procurando qualidade e surpreender o público, tendo muito sucesso. Teria muito para contar ...  
A  Prefeitura desde 2010 promove o edital nacional da Galeria Fernanda Milani, trazendo artistas de vários locais do Brasil. 
Mas, percebo que o público jundiaiense é bastante exigente. Não aceita qualquer coisa. Não adianta o artista ter um discurso maravilhoso. Se a obra não estiver em sintonia com o discurso, o público não acata o trabalho. 

OS SALÕES AINDA  SÃO VÁLIDOS? ALGUMA SUGESTÃO PARA APRIMORA-LOS ? 
Ainda são uma porta para os iniciantes. 
De 1975 a 1978 e em 1999 a Associação dos Artistas Plástcos de Jundiaí realizou salões de arte contemporânea, sendo que Sérgio Romagnolo  e Leonilson, assim como outros, tiveram seus primeiros prêmios na carreira artística naqueles salões. Mas, hoje, os salões estão desacreditados. Acredito que os organizadores deviam escolher melhor os jurados. Deviam ser mais cultos, informados, mais éticos e fossem imparciais em suas seleções. 

QUAL A IMPORTÂNCIA DE UM ARTISTA PODE SER POR UMA GALERIA ? 
A importância é recíproca para o artista que quer ou consegue trabalhar com uma galeria. 
Eu, porém, trabalhei com três galerias ( hoje fechadas) , nos anos de meu início e confesso que fiquei decepcionado. 
Não tenho contato com galerias  em  São Paulo, mas galerias da Europa, Oriente Médio e Extremo Oriente  abriram suas portas para meus projetos. Hoje, participo mais de editais e exposições no exterior do que aqui, no Brasil. 

DE QUE MANEIRA UM ARTISTA PODE TER SEU RECONHECIMENTO NACIONAL ? 
Não existe regra para isto. 
Acredito que o artista deve se preocupar em fazer o seu trabalho, participar de eventos, divulgar, aprimorar, ter responsabilidade com o que produz. 
Ser artista é como ser qualquer profissional. Em todas as áreas de trabalho encontramos excelentes, geniais profissionais, ótimos, bons, regulares medíocres, ruins e péssimos. Infelizmente, a ordem de reconhecimento não segue a mesma ordem de qualificação. Pode ocorrer de um bom artista não ter o reconhecimento que merece e um outro péssimo artista ser considerado genial. 
A fama, popularidade não significa ter talento. 

QUAIS SÃO SEUS PLANOS PARA O FUTURO ? ALGO NO RIO DE JANEIRO? 
Não sou de fazer planos para longo prazo. Continuo trabalhando em 4 séries - 2 já apresentei parcialmente e 2 são inéditas, ainda. Já enviei trabalhos para exposições, em 2017, na Finlândia, Java Ocidental e Alemanha e preparo alguns para a Espanha e Turquia. 
Não tenho nada firmado para o Rio de Janeiro, mas se conseguir algum espaço levarei com muita alegria, meus trabalhos. 


Abraço

Em Sintonia.

Corpos em Cronos.


Sob o Efeito do Cronos.


Momentos de Reflexão.


Sob o Enígma de Ananke.


Varal.


O Peixe.


O Bufão.


Sem título.

Sem título.


Sem título.

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