quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Chico Fortunato





Quem é Chico Fortunato? 
Chico Fortunato é Francisco Fortunato Montenegro Moreira. 
Nasci no dia 8 de julho de 1958 aqui no Rio, ​família classe média/alta. Meu pai era engenheiro e arquiteto. Minha mãe era jornalista até se casar, ambos aqui no Rio. Tenho um irmão e uma irmã mais moços. 
Morávamos numa casa no Jardim Botânico, lá passei minha infância, até a morte do meu pai em 1968, quando tivemos de mudar para um apartamento e alugar a casa.
Estudei no Colégio Andrews desde o primário até o 3°ano científico, e no vestibular passei p/a Geografia na UFRJ, depois me

transferi pra PUC onde me formei em 1984. Não quis seguir essa carreira de geógrafo pois já me sentia artista, onde me formei em 1984. Não quis seguir essa carreira de geógrafo pois já me sentia artista.
Viajei bastante durante a minha adolescência. Fiz intercâmbio nos EEUU pra aprender inglês, e por ter um tio diplomata, também passei algumas temporadas na Europa, estudando francês, e viajando pela América do Sul e Central.
Minha mãe apesar de não ser rica, era sócia do Country Club, durante a adolescência joguei tênis e tive bons amigos ​ por lá​
​​Fiz alguns bicos aqui e ali até ir parar na Argumento, que na época era uma livraria pequen​a Fiquei trabalhando à noite por 4 anos, na época que estudei na PUC. Somando o que ganhava mais a grana que meu avô às vezes me dava, eu me virava e já morava sozinho
Mudei muito de endereço pelo Rio, até casar em 1987, e ter meus 2 filhos, hoje com 27 e 26 anos.

Passei praticamente toda a década de 90 morando na Holanda e em 1999
​retornei ao Brasil.

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Como a arte entrou em sua vida?
Sempre desenhei​, era atividade permanente desde a infância. No Rio e nas minhas viagens frequentava os museus e galerias. Quando voltei do intercâmbio nos EEUU em 75, comecei a procurar mais orientação. Depois de uns 2 anos fazendo cursos de pintura, desenho, gravura, me juntei a um grupo de colegas artistas e dividíamos um pequeno atelier na Gávea. Mais tarde, depois das primeiras exposições coletivas, meu trabalho foi criando uma identidade.
Porém o grande passo foi dado em 82, quando conheci Paulo Garcez. Ele acabara de criar um pequeno grupo de artistas que se reunia quinzenalmente, e nessas reuniões, discutíamos nossos trabalhos. Isso se estendeu até o final de 1986.

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Qual foi sua formação artística?
Começou no Atelier de Artes Plásticas Helio Rodrigues em 1977 e um ano depois, frequentei também o Parque Lage (EAV), lá fiz litogravura com Antonio Grosso e desenho com Roberto Magalhães. Mas a verdade é que o aprofundamento se deu no atelier, aliás eu acho que os cursos técnicos servem para introdução. Foi assim com a aquarela, que fiz durante muitos anos, e depois com a pintura a óleo e acrílica. Enquanto fui aluno na PUC, também frequentava muito as aulas de História da Arte, do curso de Prog. Visual.



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Que artistas influenciam em sua obra?
​​O momento mais importante foi quando conheci o Construtivismo, os suprematistas, o Malevich e depois Mondrian. Mais pra frente, toda aquela turma americana dos anos 50, incluídos aí Joseph Albers, Mark Rothko, Kelly, Newman, Reinhardt e Stella, foram eles e os artistas Neoconcretistas.




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Como você descreve seu trabalho?
Meu trabalho​ vem dessa genealogia. As questões que me interessam e emocionam são em geral ligadas ao espaço e a cor. As vezes saindo do formato quadrangular, para figuras irregulares, vazadas, outras sugerindo a terceira dimensão. Me interessa muito apresentar ao espectador algo que possibilite diferentes interpretações.


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​Nos últimos anos, você trabalha com design de móveis, como isso se compatibiliza com a pintura?
Eu apenas desenho, não os produzo. Ambos, móveis ou joias, são fruto de parcerias importantes, uma com meu marceneiro, outra com uma amiga joalheira. Toda a execução é feita por eles. 
O design surgiu por acaso, e quase sempre os móveis ou joias surgem a partir dos meus desenhos, dos esqueletos das minhas pinturas. 


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É possível viver de arte no Brasil? 
Muito difícil, mas não impossível. A maioria dos artistas precisa se virar de outros modos.​
 Digamos que é uma mistura de competência e sorte, de estar no lugar certo na hora certa.

Óleo ou acrílica, linho ou lona, qual sua preferência?   
Idealmente o que deveria determinar um ou outro, seria o que melhor resultado trouxer pra pintura. Mas há também outros fatores que podem preponderar. 
No meu caso,​ mesmo com dificuldade financeira, sempre achei importante utilizar material de qualidade, a tinta rende mais, a tela dura mais e se comporta melhor, é óbvio isso. Além disso, a tinta com mais pigmento reduz a quantidade de camadas a pintar.
Já houve tempo em que eu não cobria parte da tela, o suporte fazia parte da obra. Usei o linho para esta série, por que precisava da cor e textura dele. E também preferi a lona crua em outras.
Já pintei à óleo sobre madeira, linho e tela, para o meu trabalho seria mais fácil pintar à óleo, pela secagem mais lenta. Mas como tenho atelier em casa, acabei optando pela acrílica, sem cheiro forte.

No meu trabalho, em geral de superfícies lisas e grandes áreas de cor, quando vou pintar um quadro grande, usando acrílica tenho que ser ágil e ter uma certa estratégia de atacar a tela, pois a secagem é bem rápida. O óleo nesse caso seria mais conveniente.

O material nacional para pintura já tem qualidade adequada?
Os pigmentos e tintas nacionais são de péssima qualidade. Os importados caríssimos e escaços. A justificativa pra taxação tão alta aos importados, sempre foi de defender a indústria nacional. Mas isso não fez melhorar em nada sua qualidade ao londo de décadas. Pelo contrário, parece que fez com que a industria nacional se acomodasse, e não investisse um níquel em qualidade.​ Vejo que os artistas que podem comprar seu material fora não exitam em fazê-lo.

Como um jovem artista pode ser por uma galeria?
Sempre​ achei muito difícil essa relação direta, do artista com a galeria.  Eu sempre recomendo que o artista procure uma maneira de ser introduzido por terceiros, que marque uma visita, já que aqui praticamente não existe a figura do agent.

De que maneira um artista pode ter reconhecimento nacional?
 Em geral se de alguma maneira ele se destacar fora do país, ou se uma galeria souber fazer bem seu trabalho na sua divulgação com público e mídia. Mas de todo jeito é um processo vagaroso.


Quais são seus planos para o futuro?
Dia 26 de novembro, vou participar de uma coletiva na Galeria Mezanino em São Paulo.
De 8 a 11 de dezembro, tem a feira ArtRio Carioca, meu trabalho vai estar na galeria Gustavo Rebello Arte. estou também começando a organizar o material pra fazer um novo livro.




Trajetória, 2013, acrílica sobre tela, 110x80cm -



Nova configuração, 2013, acrílica sobre linho, 120x100cm.




Articulado, 2013, acrílica sobre tela, 60x200cm.






Espectativa, 2013, acrílica sobre tela, 140x140cm.


Urbano, 2013, acrílica sobre tela, 100x100cm.



Zig zag, 2013, acrílica sobre tela, 140x70cm.


Vida secreta, 2014, acrílica sobre tela, 120x140cm.



 Encontro, 2014, acrílica sobre tela, 140x140cm.










 




cel: 55 21 988 531 553
skype: chfortunato

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Maurizio Cattelan

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