quarta-feira, 26 de outubro de 2016

My Body Is a Cage curadoria Raphael Fonseca na Luciana Caravello Arte Contemporânea





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My body is a cage” é a próxima exposição coletiva a ser apresentada na Galeria Luciana Caravello, no Rio de Janeiro. Com curadoria de Raphael Fonseca, a exposição retira seu título de uma música homônima da banda canadense Arcade Fire. Conforme dizem seus versos, “My body is a cage / that keeps me from dancing to the one I love / but my mind holds the key” (“Meu corpo é uma jaula / que me impede de dançar com quem eu amo / mas minha mente segura a chave”), ou seja, se trata de uma música que reflete sobre a inevitável prisão à qual todos os humanos estão condicionados biologicamente: o seu próprio corpo. Essa curadoria, portanto, pretende lançar luz sobre essa relação entre corpo, aprisionamento físico e possibilidade de libertação mental por meio de diálogos estabelecidos entre artistas que trabalham com linguagens diferentes e que advém de gerações e geografias diversas do Brasil.

Onze artistas foram convidados para participar da exposição com objetos que refletem seus interesses de pesquisa em torno desses tópicos. Se para alguns deles a relação entre corpo humano e encarceramento se dá através da utilização de materiais que advém de certas tradições clássicas da história da arte (Carla Chaim, Daniel Lannes e Rodrigo Martins), outros parecem ter um interesse mais antropológico em olhar tanto para o corpo do outro, quanto para os seus próprios corpos (Eduardo Montelli, Igor Vidor, Tales Frey e Virgínia de Medeiros). Há também artistas que parecem contemplar o corpo como algo em um espaço limítrofe entre o humano e o animalesco, por vezes esbarrando no campo do grotesco e do abjeto construído de modo imageticamente potente (Raquel Nava e Zé Carlos Garcia) ou experimentando através da repetição e de ações físicas que beiram uma ausência de sentido imediato (Gabriela Mureb e Jorge Soledar).

Além dos trabalhos reunidos no espaço expositivo, seis artistas foram convidados para realizarem ações a cada sábado da exposição nos turnos da tarde. Leandra Espírito Santo (29/10, abertura), Felipe Abdala (05/11), Obá (12/11), Miro Spinelli (19/11), Elen Braga (26/11) e Gabriela Mureb (03/12) apresentarão trabalhos que dialogam com o campo da performance, mas que também podem ser vistos como ampliações dos limites dessa linguagem com acontecimentos que convidam a participação do corpo do público, experimentam o som ou se configuram como ações banais onde a dramaticidade narrativa se faz ausente.


Raphael Fonseca
Doutor em História da Arte (UERJ). Professor efetivo do Colégio Pedro II (RJ). Recebeu o prêmio Marcantônio Vilaça de curadoria (2015). Curador residente na Manchester School of Art (maio-agosto de 2016). Dentre suas curadorias recentes, destaque para QUANDO O TEMPO APERTA (Palácio das Artes e Museu Histórico Nacional, 2016); REPLY ALL (Grosvenor Gallery, Manchester, 2016); FIGURA HUMANA (Caixa Cultural RJ, 2014); DESLIZE (Museu de Arte do Rio, 2014); ÁGUA MOLE, PEDRA DURA (I Bienal do Barro, Caruaru, 2014); DEREK JARMAN: CINEMA É LIBERDADE (Caixa Cultural Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, 2014-2016); CITY AS A PROCESS (Ekaterinburgo, Rússia, 2012). Escreve regularmente para a revista ArtNexus. Autor convidado do catálogo da 32ª Bienal de São Paulo (2016). Lecionou cursos no Centro Cultural Banco do Nordeste (Fortaleza e Juazeiro do Norte, CE, 2012). Realizou conferências recentemente na Universidade de Hamburgo, na Manchester School of Art e na Universidade Federal do Amapá.

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"My body is a cage" is the next group exhibition to be presented at Luciana Caravello Gallery, in Rio de Janeiro. Curated by Raphael Fonseca, the exhibition takes its title from a homonymous song of the Canadian music band Arcade Fire. As they say in the verses, "My body is a cage / that keeps me from dancing to the one I love / but my mind holds the key", ie, it is a song that reflects on the inevitable prison to which all humans are biologically conditioned: your own body.  Therefore, this curatorship intends to cast light on the relationship between body, physical imprisonment and the possibility of mental liberation through the dialogues between artists working with different languages and coming from different generations and geographies of Brazil.

Eleven artists were invited to participate in the exhibition with objects that reflect their research interests around these topics. If for some of them the relationship between human body and incarceration is through the use of materials that comes from certain classical traditions of art history (Carla Chaim, Daniel Lannes and Rodrigo Martins), others seem to have a more anthropological interest in looking both the body of the other, as to their own bodies (Eduardo Montelli, Igor Vidor, Tales Frey and Virginia de Medeiros). There are also artists who seem to contemplate the body as something in an adjacent space between human and animalistic, sometimes falling into the grotesque and the abject, built in a powerful imagetically mode (Raquel Nava and Zé Carlos Garcia) or experiencing through repetition and physical actions that verge an absence of immediate sense (Gabriela Mureb and Jorge Soledar).

Besides the artworks gathered in the exhibition space, six artists were invited to perform actions every Saturday of the exhibition, during the afternoon period. Leandra Espírito Santo (29/10, opening), Felipe Abdala (05/11), Obá (12/11), Miro Spinelli (19/11), Elen Braga (26/11) and Gabriela Mureb (03/12) will present works that dialogue with the field of performance, but may also be seen as extensions of the limits of language to events that invites to the body participation of the public, experience the sound or that are configured as banal actions where the narrative drama becomes absent.


Raphael Fonseca
Doctor in Art History (UERJ). Professor at Colégio Pedro II (RJ). He received the Marcantônio Vilaça award for curatorship (2015). Resident curator in the Manchester School of Art (May-August 2016). Among his recent curatorship, QUANDO O TEMPO APERTA [WHEN TIME TIGHTENS] (Palace of Arts and National History Museum, Brazil, 2016); REPLY ALL (Grosvenor Gallery, Manchester, UK, 2016); FIGURA HUMANA [HUMAN FIGURE] (Caixa Cultural RJ, Brazil, 2014); DESLIZE [GLIDE ] (MAR, Rio Art Museum, Brazil, 2014); ÁGUA MOLE, PEDRA DURA [SOFT WATER, HARD STONE] (I Clay Biennial, Caruaru, Brazil, 2014); DEREK JARMAN: CINEMA É LIBERDADE [CINEMA IS FREEDOM (Caixa Cultural Recife, Rio de Janeiro and São Paulo, Brazil, 2014-2016); CITY AS A PROCESS (Ekaterinburg, Russia, 2012). Fonseca writes regularly for the ArtNexus magazine. Guest author of the 32nd São Paulo Biennial catalog (2016). Gave courses in the Banco do Nordeste Cultural Center (Fortaleza and Juazeiro do Norte, CE, Brazil, 2012). Recently Fonseca held lectures at the University of Hamburg (Germany), Manchester School of Art (UK) and at the Federal University of Amapá (Brazil).

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Maurizio Cattelan

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