sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Carla Gonçalves





Chamo-me Carla Gonçalves e nasci em 1967, em Angola. Licenciei-me em Arqueologia pela Faculdade de Letras do Porto em 1991, tendo depois obtido o grau de mestre em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes do Porto em Janeiro de 2010, com a tese "Retratoplastias". Foi principalmente através do mestrado em Belas-Artes que defini o meu percurso, através uma reflexão exaustiva sobre a minha actividade artística.
Actualmente dedico-me à propagação de objectos de arte portátil através da marca "Portable Art", criada em 2015, nomeadamente nos Museus da Região Norte de Portugal e em mercados urbanos turísticos, que existem mensalmente no centro da cidade do Porto, como forma de propagar certo tipo de objectos artísticos por todo o mundo. Não é fácil viver da arte em Portugal, não existem formas de incentivo, geralmente a arte restringe-se a um circuito fechado, não aberto a qualquer artista com talento, e sinto que a crítica de arte também se encontra um pouco alheia às inovações.
Desde cedo me dedico à pintura e à literatura, sendo que ambas se complementam, numa espécie de pintura-poética, uma forma de abordagem da minha existência neste mundo e neste tempo. Interessam-me vários artistas contemporâneos, principalmente pelo seu raciocínio, e como forma de saber outras formas de fazer e pensar a arte. Claro que alguns estão mais presentes, como, por exemplo, Marcel Duchamp, Alselm Kiefer, Vik Muniz, Marlene Dumas, Luc Tuymans, etc.
O meu trabalho artístico consiste em fazer intervenções sobre diversos suportes que existem actualmente no nosso dia-a-dia, como jornais,revistas, livros, lixo, roupa, etc., geralmente materiais reciclados, como é o exemplo das esculturas com papel de jornal e embalagens de produtos comestíveis. São sempre objectos que podem ser transportados em mão, nomeadamente os postais pintados e de edição única que vendo para os turistas. É uma forma de dar um pouco de mim para as pessoas de todo o mundo. 
O meu trabalho artístico é um processo contínuo, que existe enquanto vivo, e, por isso, um processo lento, reflexivo e sem ambição de êxito pessoal, seguindo uma linha muito pessoal, à parte de tendências ou grupos. 
Quanto a planos para o futuro, espero que a marca "Portable Art" tenha maior divulgação no meu país e no estrangeiro, necessitando de apoios em variados níveis, estando sempre aberta a representações noutros países, sendo o Brasil um dos meus preferidos, pela partilha da língua e da cultura.


Figura adormecida no fim de um dia, aguarela do quotidiano.



Retrato de Família.

Mulher artista, Rosa Ramalho, retrato inacabado, grafite e sanguínea sobre papel craft.



Rizomas, 2016.  graffiti sobre papel.



Natureza espontânea a florescer em meu pensamento, estudo # 6.



No silêncio alucinante dos amantes.

O mesmo corpo num outro pensamento, aguarela.

Tudo está certo no seu instante sentido, aguarela.



Tudo está certo no seu instante, num ir sendo sem tempo..



Instantes de vida.



Aconchego. Aquarela.

Instantes Vividos, 2016.


Cuidar, aguarela.



Estudo de figura Humana #249.

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Maurizio Cattelan

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