terça-feira, 27 de setembro de 2016

dotART galeria recebe exposições dos brasileiros Pedro Varela e Cássio Vasconcellos e instalações da cubana Ana Mendieta


dotART galeria recebe exposições dos brasileiros Pedro Varela e Cássio Vasconcellos e instalações da cubana Ana Mendieta

Com entrada franca, abertura será no dia 06 de outubro, às 18h, e contará com a presença dos artistas brasileiros. Na ocasião, também será lançado o novo livro de Cássio Vasconcellos, “Aeroporto”.

Com quase 40 anos de atividades ininterruptas, a dotART galeria (Rua Bernardo Guimarães, 911 – Funcionários) segue com grandes nomes em sua programação. Este mês, entra em cartaz mostras de três importantes artistas: Pedro Varela e Cássio Vasconcellos, referências no cenário contemporâneo brasileiro; e Ana Mendieta, performer, escultora, pintora e vídeo artista cubana que coleciona exposições e obras nos mais importantes museus do mundo. A abertura será no dia 06 de outubro, às 18h, e contará com a presença dos dois artistas brasileiros, além do lançamento do novo livro de Cássio Vasconcellos, “Aeroporto” (Editora Madalena, 2015). Com entrada gratuita, as três mostras tem curadoria assinada pelo diretor artístico da dotART galeria, Wilson Lázaro, e poderão ser conferida até o dia 11 de novembro.

Esta será a primeira vez que a capital mineira receberá mostras individuais de Pedro Varela e Cássio Vasconcellos, que ocorrerão nas galerias principais do espaço. Já a Sala Pensando, inaugurada pela dotART galeria em 2016, receberá trabalhos em vídeo de Ana Mendieta. O curador Wilson Lázaro comenta: “Desta vez, o encontro das novas exposições na dotART galeria parte da sensação de respirar como emoção, um convite para olhar e admirar uma obra de arte. Juntamos dois artistas que vêm trabalhando o universo da paisagem pitoresca e tropicalista do “universo Brasil”: tanto Pedro Varela quanto Cássio Vasconcellos estão ligados pelo desejo de fazer-nos sonhar com seus horizontes. Para criar o enredo desse encontro, na Sala Pensando vamos exibir dois vídeos de Ana Mendieta, artista que viveu uma experiência ímpar no cenário das artes visuais, realizando em suas obras um desdobramento de importantes questões, como as ações políticas, sociais e feministas na arte.”

Cássio Vasconcellos apresentará a mostra individual “Viagem Pitoresca pelo Brasil”, onde realiza um ensaio inspirado nos pintores, desenhistas e gravuristas europeus que vieram retratar o Brasil no início do século XIX. Estas gravuras, desenhos e pinturas, presentes nos livros didáticos e nos contos que escutava quando criança, compuseram o vocabulário visual do artista, que sempre teve estas expedições em seu imaginário. Não é ao acaso que Cássio é tataraneto de Ludwig Riedel, botânico da expedição Langsdorff, a mais importante já realizada e que registrou os aspectos mais variados da fauna, flora e da sociedade, constituindo o mais completo inventário já realizado sobre o Brasil no século XIX. Em “Viagem Pitoresca ao Brasil” Cássio vem resgatar este rico material da história do país, tranversalizando a linguagem na arte ao juntar a gravura, o desenho, a pintura e a fotografia em um ensaio autoral, onde a natureza – apesar da evolução social – retorna à sua forma monumental e sublime.

Em sua passagem pela dotART galeria, Vasconcellos também irá lançar, em Belo Horizonte, o seu livro mais recente, “Aeroporto”, na noite de abertura da exposição, no dia 06 de outubro. A obra é resultado de um ano de trabalho com milhares de fotografias em diversos aeroportos no Brasil e nos Estados Unidos, de onde criou o seu “aeroporto imaginário”. A imagem final, única, de grandes dimensões, foi fragmentada em 32 partes, cada página com detalhes de aviões, carros e tudo que envolve os locais. A publicação é da editora Madalena, com coordenação de Claudia Jaguaribe e projeto gráfico de Mariana Lara Resende. Com capa de acrílico e encadernação especial, o livro convida o leitor a remontar o grande aeroporto, como quiser, ao destacar as páginas.

Pedro Varela apresenta, em sua mostra individual, um conjunto de pinturas e uma instalação feita com vinil adesivo que continua a desenvolver um universo tropical, ora imaginário, ora baseado em referências reais. As pinturas apresentam um conjunto de plantas, mas no meio do emaranhado de flores, folhas, galhos e troncos surgem pequenas figuras e elementos que se relacionam de diferentes maneiras com os trópicos. São recortes apropriados da história da arte, personagens anônimos e famosos da história, estereótipos, clichês e referências da cultura popular. Todos entram como “personagens conceituais” carregados de significados relacionados ao universo tropical.

Com estes trabalhos, o artista pretende pensar uma ideia de identidade dos trópicos, assumindo estereótipos, mas também buscando figuras esquecidas ou marginalizadas. O guerreiro Tupinambá Cunhambebe pode aparecer ao lado de Zé Carioca, uma pirâmide Maya pode aparecer ao lado de uma igreja do Guignard. Os trabalhos são todos em nuances de preto sobre branco e branco sobre preto. O uso destas cores não é um mero recurso gráfico ou puramente estético, mas uma forma poética de questionar a percepção que temos sobre os trópicos.  Nesta exposição para a dotART galeria são apresentadas aproximadamente 8 telas de diferentes formatos e colagem de vinil adesivo preto que se espalha pela vitrine e pelas paredes da  galeria.

As exposições individuais de Cássio Vasconcellos e Pedro Varela convidam o público a percorrer trilhas que são capazes de produzir sensações sonoras, revivendo lugares que fizeram parte do convívio dos dois artistas, sejam terra, caminhos ou locais visitados pelos sonhos. Há também uma relevância na representação de fundos e cenários, para uma nova ilustração de temas históricos, religiosos e poéticos. O curador e diretor artístico da galeria, Wilson Lázaro,  destaca o diálogo entre os trabalhos dos dois artistas, possibilitado pelas mostras na dotART galeria: “O que vamos ver nas exposições de Pedro Varela e Cássio Vasconcellos, são paisagens de luz, com o uso da perspectiva como importante instrumento de representação. Diz-se que é por meio da luz que os dois artistas encontraram um ponto de criação em suas obras, a reação emocional às nuances de luzes e cores em cada obra provoca sentimentos diversos. Esses atuais paisagistas, Cássio e Pedro, se encontram, não por acaso, e são convidados a respirar nessa cidade nomeada ‘Belo Horizonte’”.

Morta em 1985, Ana Mendieta foi uma performer, escultora, pintora e vídeo-artista cubana, conhecida por suas obras de arte "corpo-terra" ("earth-body"). A obra de Mendieta era, geralmente, autobiográfica e focada em temas que incluem feminismo, violência, vida, morte, lugar e pertencimento. Para a instalação na Sala Pensando da dotART galeria, foram selecionados dois trabalhos em vídeo da Mendieta: Alma Silueta en Fuego e Flowers on Body. Sobre o trabalho da artista, o curador Wilson Lázaro destaca: “Antes dela, as mulheres não tinham muita “entrada” no mundo da arte performance. Sua obra foi fundamental para que outras pudessem produzir, se organizar e se manifestar politicamente, “cavando” espaços na arte atual para terem seus trabalhos vistos e reconhecidos. Ana produzia trabalhos mais viscerais, que conduziam a um olhar para o corpo, seu corpo como extensão da própria natureza, aprofundando a pesquisa em torno da performance como linguagem expressiva”.
Inaugurada em abril de 2016, a “Sala Pensando” é um lugar que propicia o diálogo e a experimentação entre o pensamento contemporâneo e todas as formas de criação e manifestação na arte. O espaço abriga e pretende ampliar o diálogo entre obras de diversas áreas artísticas como moda, música, literatura, artes visuais, artes cênicas, audiovisual e tecnologia, transformando-se numa rede contínua de troca de movimentos, atitudes e ações dos artistas, trazendo um frescor para o ambiente de galeria de arte. Dessa forma, a dotART pretende resignificar a relação do público com a galeria, convidando-o, também, a conhecer e participar do processo.


:: Sobre os artistas ::


Sem título, 2016. 180x180cm.

Pedro Varela (Niterói, 1981) 
Formado pela Escola de Belas Artes da UFRJ, Pedro Varela participa de exposições ativamente desde 2006. Entre as individuais destacam-se: Cidade Flutuante, Paço das Artes, São Paulo, 2010; Ainda Viva, na Zipper Galeria em 2011;Tropical, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 2012; Paisagem Flutuante, Centro Cultural do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, São Paulo, 2012; Pedro Varela na Xippas Montevideo em 2013, Pedro Varela na Zipper Galeria. Em 2013, Tropical na galeria Enrique Guerrero, Mexico DF 2014 e Pedro Varela na Zipper Galeria em 2016. Entre as coletivas destacam-se: Ao amor do Público, Museu de arte do Rio, 2016; Dusk to Down... Threads of infinity, Anima Gallery, Qatar em 2013, Gigante por Su Propia Naturaleza, Instituto Valenciano de Arte Moderna, Valência, 2011; Pontos de encontro, Centro Cultural da Caixa Econômica, Salvador, 2011, Arquivo Geral, Centro de Artes Helio Oiticica, Rio de Janeiro, 2010, Cardinal Points/PuntosCardinales: A Survey of Contemporary Latino and Latin American Art from the Sprint Nextel Art Collection, Art Museum of South Texas, 2008.


 Viagem Pitoresca.


Cássio Vasconcellos (São Paulo, 1965)
Iniciou sua trajetória na fotografia em 1981, na escola Imagem-Ação. Participou de mais de 190 exposições em 20 países. Integra o seleto grupo do “The World Atlas of Street Photography”, livro publicado pela Thames & Hudson, Inglaterra, e pela Yale University Press, U.S.A. e que traz a série “Noturnos São Paulo”. Ele começou sua carreira trabalhando em projetos pessoais e fazendo exposições. Nos últimos anos, o artista apresentou “Coletivos”, no Today Art Museum (TAM), Pequim, China (2013); "Itinerant Languages of Photography", Princeton University Art Museum, Princeton, New Jersey, Estados Unidos (2013); e "O Elogio da Vertigem: Coleção Itaú de Fotografia", Maison Européenne de La Photographie, Paris, França (2012).Como fotojornalista, trabalhou na Folha de São Paulo, em 1988. Ele também viveu em Nova Iorque em 1984-85 e em Paris, em 1989, atuando como freelancer e em 2003 desenvolvendo um ensaio fotográfico sobre a cidade.  Em 1990, trabalhou no estúdio da DPZ Propaganda. Cássio Vasconcellos publicou 5 livros: Aeroporto (Editora Madalena, 2015), Aéreas do Brasil (BEI, 2014), Panorâmicas (DBA, 2012), Aéreas (Terra Virgem Editora, 2010) e Noturnos São Paulo (2002). Ganhou vários prêmios como o Conrado Wessel de Arte (2011), Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA - 2002), pela melhor exposição do ano com a mostra “Noturnos São Paulo”; Prêmio Porto Seguro de Fotografia, (2001); e Fundação Nacional de Arte (Funarte) (1995). E suas imagens fazem parte de diversas coleções no Brasil e no exterior, como o MASP - Museu de Arte de São Paulo (São Paulo, Brasil), Bibliothèque Nationale (Paris, França) e Museum of Fine Arts (Houston, Estados Unidos).


Silueta en Fuego.


Ana Mendieta (Cuba, 1948 – EUA, 1985)
Foi uma performer, escultora, pintora e vídeo artista cubana, que é mais conhecida por suas obras de arte "corpo-terra" ("earth-body"). A obra de Mendieta era, geralmente, autobiográfica e focada em temas que incluem feminismo, violência, vida, morte, lugar e pertencimento. Seus trabalhos, geralmente, estão associados aos quatro elementos básicos da natureza. Mendieta frequentemente remetia a uma conexão física e espiritual com a Terra. Mendieta unia seu corpo com a terra para se tornar inteira. "Através das minhas esculturas de terra/corpo, eu me torno uma com a terra... Eu me torno uma extensão da natureza e a natureza se torna uma extensão do meu corpo. Este ato obsessivo de reafirmar meus laços com a terra é realmente uma reativação das minhas crenças primitivas... [em] uma força feminina onipresente, a imagem posterior se engloba dentro do útero, é uma manifestação da minha sede de viver." Durante sua vida, Mendieta produziu mais de 200 obras de arte usando a terra como o meio para escultura. A Silueta Series (1973–1980) envolveu a criação de silhuetas femininas na natureza - em barro, areia e grama - com materiais naturais, de folhas e galhos a sangue, criando marcas de corpos ou pintando sua silhueta ou de outros em paredes.


:: Sobre a dotART galeria ::

Inaugurada pelos colecionadores Feiz Bahmed e Maria Helena Bahmed em 1978, recém chegados de São Paulo onde residiram por uma década, a DotART Galeria de Arte foi a primeira em Minas a trazer para o seu acervo(e disponibilizá-lo ao público) nomes da pintura brasileira ainda pouco conhecidos na capital mineira como Manabu Mabe, Volpi, Iberê Camargo, Ianelli, Siron Franco, entre outros. Com o trabalho dos filhos Leila e Fernando, a galeria se destaca no mercado de arte com obras de artistas que passam pelo modernismo, concretismo, neoconcretismo e arte contemporânea nacional e internacional.

:: Redes ::
Instagram: @galeriadotart


:: Serviço ::

dotART galeria recebe exposições de Pedro Varela, Cássio Vasconcellos e Ana Mendieta
de 07 de outubro a 11 de novembro
Local:  dotART galeria – Rua Bernardo Guimarães, 911 – Funcionários – BH/MG
Abertura: 06 de outubro, às 18h (Entrada Franca)
Horários de visitação: De segunda a sexta, das 09h às 19h e aos sábados, das 09h às 13h
Entrada Franca
Informações: (31)3261-3910 ou www.dotart.com.br

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