terça-feira, 20 de setembro de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Daniel Moreira, Belo Horizonte.


Daniel Moreira é natural de Belo Horizonte e graduado em comunicação. Utilizando a fotografia como suporte, busca o diálogo entre as situações documentais e as artes visuais. Em suas obras destaca-se um olhar que humaniza o mundo em suas relações diversas com o imaginário, o ser humano e o consumo. Dentre as principais seleções e premiações destacam-se: Selecionado para o Salão Arte Pará 2016, selecionado pelo edital SESI-SP De Artes Visuais 2016, contemplado com o XIV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2014, Selecionado para o 5 º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia 2014 e Finalista do Prêmio de Arte Conrado Wessel, 2013. 





Quem é Daniel Moreira?
 Nascido em Belo Horizonte no ano de 78, primogênito de três filhos, pai engenheiro e mãe dona de casa, fui criado em uma típica família de classe média mineira. Como meu pai era engenheiro, mudávamos diversas vezes. Morei nas cidades de Jaguara, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Montes Claros e acabei voltando para Belo Horizonte onde vivo e trabalho. Sou casado e tenho dois filhos

Como você descreve seu trabalho?
 Comecei a fotografar relativamente tarde, por volta dos meus vinte e dois anos.
Sempre soube que trabalharia com criação, mas nunca imaginei que a fotografia seria um caminho a seguir. Foi o meu interesse por cinema que me levou a reparar nas potencialidades estéticas proporcionadas pela imagem.
Como nos filmes, utilizo da edição com a finalidade de elaborar um sentido final. Penso que em meu trabalho, utilizo a captura de uma imagem para edita-la na reconstrução de um recorte pictórico dentro do meu imaginário. Ou seja, a fotografia como verdade não me interessa, mas sim a reconstrução da imagem como possibilidade de uma narrativa visual.
Me agrada trabalhar com temas que abordam as margens sociais, sendo assim sempre me preocupo em não criar uma linguagem apelativa.

Que artistas influenciam seu pensamento?
 Citar artistas que me influenciam é sempre complicado.
No meu caso, sofro influência cotidianamente. Pode ser do meu filho que está crescendo e aprendendo a falar ou pesquisando sobre alguma exposição que visitei. Sofro influências diárias, inclusive de artistas amigos de gerações variadas como Miguel Gontijo, Leandro Gabriel ou Guilherme Cunha; e por mais que eu cite diversos nomes, sempre vou acabar esquecendo de alguém. Mas se é pra citar, vamos lá: me agrada o trabalho do Pieter Hugo, Edward Weston, Gregory Crewdson, Joel Peter Witkin, Richard Avedon, Mario Cravo Neto, Katy Grannan,  e mais um monte de gente.

É possível viver de arte?
 Depende do que você considera viver... Dá para pagar as contas, porém viajar, pagar uma boa escola para seus filhos, plano de saúde  e morar bem, aí tem que rebolar. A vida do artista costuma ser instável, às vezes você recebe uma bolada e depois passa meses sem receber nada. Hoje temos diversos editais que podem auxiliar o artista a não depender exclusivamente de venda de obras, porém bons editais estão cada vez mais concorridos. Eu tenho conseguido viver de arte, mas é preciso ter certeza do seu objetivo para não se perder no meio do caminho.


Quando você é artista e quando você é fotógrafo?
 As duas palavras, (artista e fotógrafo), estão atreladas para mim.
Comecei a fotografar  comercialmente, ou seja, com a intenção de simplesmente ganhar dinheiro criando uma imagem que me fosse encomendada. Com o passar do tempo comecei a sentir uma necessidade de organizar os meus pensamentos através do meu olhar e começar a produzir séries fotográficas sobre temas que eu considero pertinentes.
De lá pra cá não parei mais, e há algum tempo faço praticamente 90% do que eu produzo pela necessidade de produzir arte, e não porque alguém me contrata.

Qual a importância do Photoshop para quem trabalha com fotografia artística?
 Nas minhas obras utilizo o Photoshop para correção de cor e contraste, ou seja, o que já era feito nos laboratórios de revelação.
Atualmente é difícil imaginar algum tipo de fotografia sem nenhum tipo de manipulação, porém tem que saber o limite certo e a hora de parar.
Eu, particularmente não vejo o menor problema, mesmo porquê as fotografias sempre foram manipuladas por meio dos químicos.


Que comentários você faria sobre a Arte Contemporânea em Belo Horizonte?
 Belo Horizonte, assim como outras grandes cidades, sempre lançou bons artistas além de ser um território pulsante para a criação. Atualmente tem me chamado atenção, as ações voltadas para viabilizar espaços de produção artística independente. Locais como Mama Cadela, Galpão Paraíso, Viaduto Das Artes, Casa Camelo, Quartoamado são alguns dos locais concebidos e criados por artistas e que tem apresentado um novo recorte da arte em Belo Horizonte.

A participação da fotografia na arte contemporânea é enorme, os preços obtidos em leilões são sensacionais, o que você pensa sobre isso?
 A fotografia é uma forma de arte recente, e por isto foi subjugada por diversos setores do mercado. Porém, à medida que novas propriedades técnicas e materiais utilizados foram se consolidando, começou a surgir o interesse de colecionadores, curadores e consequentemente de galeristas.
Como toda obra de arte, hoje a fotografia segue o rumo natural do mercado.
Se um colecionador adquiri determinada foto e um curador chancela a sua qualidade ou importância, provavelmente o seu valor tende a subir.
Atualmente a fotografia é recebida com o mesmo status da escultura e da pintura em grandes leilões.

Como se projetar no cenário nacional?
 Regra não existe. Cada um tem o seu tempo e cada artista tem a sua estratégia e o seu próprio caminho.
Eu acredito que a melhor maneira de se projetar, é fazer o trabalho chegar as pessoas. Ou seja, expor. Participar de editais, premiações e salões também é importante para legitimar o trabalho. E sempre produzir, produzir, produzir...


O que você pensa sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-los?
 Acho que são importantes não somente por lançar novos artistas, mas porque proporciona a possibilidade de artistas conceituados exporem com artistas em formação.
Confesso que me incomoda os salões que não arcam com o envio e a devolução das obras. Como artista, sei o quanto é caro enviar um trabalho.
O fato também de alguns salões não possibilitarem a inscrição via internet é um atraso de vida e um custo a mais para o artista.

 Quais são seus planos para o futuro?  
Produzir e expor.


Catadores.






Paisagem Ambulante 381.


Paisagem Ambulante 381.

Paisagem Ambulante 381




Aquilo que Não Cabe em Mim.

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Maurizio Cattelan

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