quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Caio Pacela






Quem é Caio Pacela? 
Acredito ser alguém que procura se reconhecer nas dúvidas e angústias do outro e que entende que a dor e as perplexidades são escola.

Como a arte entrou na sua vida? 
Desenho desde que me conheço por gente. Não sei exatamente quando iniciei, mas sei que nunca parei. Já a pintura entrou em minha vida quando entrei para a Escola de Belas Artes em 2006, porém houve um momento (não exatamente datável e não exatamente curto) em que percebi que a arte me convidava a rever as coisas e através dela poderia mostrar algo que faz parte de mim, independente desse "algo" ser bom ou ruim, e que não havia como descrever em palavras. 


Como você descreve seu trabalho? 
Penso que descrever verbalmente um trabalho que trata da imagem por excelência acaba sempre num certo grau limitando-o, mas poderia dizer que as questões provenientes da estranheza que o corpo me causa e sua aparente insuficiência e fragilidade me faz meditar sobre as várias formas de habitá-lo e tratá-lo. Penso em suas contradições. Deparar-me com as definições "Templo do sagrado" pela espiritualidade e "Matéria-prima manipulável" pela ciência e acreditar que ambos, de alguma forma, fazem sentido pra mim, me coloca num lugar instável, sensível ao mesmo tempo que desconstrói simbolismos e crendices. 


Que artistas influenciam seu pensamento? 
Dentre os já falecidos poderia citar Michelangelo, Gustav Klimt, Edgar Degas, Picasso, Lucian Freud, Rodolfo Amoedo, Eliseu Visconti, Cândido Portinari, Valentin Serov, Joaquín Sorolla, John Singer Sargent, Anders Zorn, El Greco, Diego Velazquéz, Morandi e Caravaggio. Já hoje em dia alguns dos meus "heróis" são Michael Borremans, Gerhard Richter, John Currin, Luc Tuymans, Rineke Dijkstra, Paula Rego, Marc Quinn, Eduardo Berliner, Justin Mortimer, Richard Billingham e Mamma Anderson. 


É possível viver de arte? 
Em minha experiência não tem sido, mas ainda é cedo pra falar disso.


Qual  a importância de sua participação na exposição  Nada Mais Daquilo Tudo, Na Moral Produções, Rio de Janeiro - RJ?
A exposição reuniu artistas que admiro muito, como por exemplo meus amigos Cláudio Tobinaga e Felippe Sabino que fizeram parte da minha formação, dentre outros tantos, e propunha mostrar e discutir um novo olhar sobre o nosso tempo, desconstrução e transformação...isso tem muito a ver com o que penso e o que tento falar em meus trabalhos. A Maria Baigur (Curadora e produtora) é uma pessoa extremamente cuidadosa e sensível e soube aproveitar o espaço da melhor forma possível. Também tive a oportunidade de mostrar dois trabalhos que ainda não havia exposto antes. 


Que comentários você faria sobre a Arte Contemporânea no Rio de Janeiro?
Pulo essa 

O material nacional para pintura já tem qualidade adequada? 
Não. Ao meu ver nunca teve e está longe de ter.

Como se projetar no cenário nacional? 
Minha busca enquanto novo artista e a principal forma de mostrar meu trabalho para o maior número de pessoas possível tem sido participar de editais e salões pelo Brasil ou fora dele. Como exemplo, estou participando nesse momento da Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas, um projeto que leva uma grande exposição coletiva com artistas em início de carreira por todas as unidades da Caixa pelo Brasil (7 no total) num período de um ano e meio aproximadamente. A Mostra tem sido sucesso por onde passa e chega ao Rio em Novembro. Há hoje também as mídias sociais que acabam de certa forma aproximando o trabalho das pessoas, embora a experiência não seja exatamente a mesma. Enfim, é um caminho longo, duro e trabalhoso, demanda perseverança e insistência, mas vale se é isso que te move.


O que você pensa sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-los? 
Acredito que são de extrema importância, ainda mais num cenário como o nosso onde o investimento no ensino, promoção e divulgação da arte é baixíssimo (especialmente pra quem está começando). Porém há uma questão que sempre me incomoda; alguns salões mesmo depois de uma pré-seleção, exigem que os trabalhos sejam vistos presencialmente pela banca antes de aprová-lo (sem problema até aí), mas não cobrem qualquer tipo de despesa com envio e/ou retorno do material que o artista terá caso não seja aceito ou não ganhe um dos primeiros prêmios e este acaba arcando sozinho com tudo. Sei que alguns artistas abusam do tratamento das imagens no portfólio e enviam trabalhos bem diferentes do que foram vistos pela foto, mas creio ser um percentual muito baixo e seria de grande valia ao menos dividir tais despesas com os artistas, já que o interesse é de ambos.


Que diferença você poderia comentar sobre seus estudos na  EBA e na EAV, Parque Lage? 
São lugares extremamente diferentes na maneira como vêem a arte, ambos tem seus defeitos e qualidades, mas cada um à sua maneira tem grande valor pra mim. Na EBA tive a oportunidade de ir fundo no estudo da técnica do desenho e da pintura e conhecer um pouco sobre restauração (ensinamentos que são imprescindíveis em minha caminhada hoje), ali existem professores muito capazes nesse sentido e grandes artistas. Já na EAV tem sido muito importante conhecer artistas com formações distintas e em momentos diferentes da carreira e ter contato com uma forma muito aberta de discutir e fazer arte. Ali também os professores me parecem ter um pouco mais de experiência com o "meio" (galerias, curadores, instituições, etc.). Enfim, ambos tem um papel fundamental em minha carreira e tenho cada vez mais respeito e carinho por essas instituições.

Quais são seus planos para o futuro? 
Pretendo fazer pós-graduação, mas com foco na possibilidade de tornar-me professor universitário para ter uma certa segurança financeira, mas confesso que isso é um "plano B" que tem sido necessário ser considerado.  O "plano A" mesmo seria poder usar todo o meu tempo de trabalho produzindo no ateliê, participando de projetos, residências, exposições, estudando e até mesmo dando aulas particulares que tem sido algo que já tenho feito com prazer.  




Sem título - Óleo sobre tela - 29 x 24 cm - 2016.


Acesso - Óleo sobre tela - 30x30 cm - 2014.


Bem aventurado - óleo sobre tela - 74x140  cm - 2015 (1)


Fundação - óleo sobre tela - 24,8x15 cm - 2015.


Ideia fixa - Óleo sobre tela - 73x92 cm - 2014.


 Aparelho de substituição sensorial - Óleo sobre tela - 50x70 cm - 2014.


Sem título - Óleo sobre tela - 50 x 40 cm - 2016.

Sem título - Óleo sobre tela - 108 x 72 cm - 2016.


 Um - Óleo sobre tela - 105x125 cm - 2015.


Último Grito - Óleo sobre tela - 70x50 cm - 2014.




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Maurizio Cattelan

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