quinta-feira, 7 de julho de 2016

Viaduto das Artes - Deriva Exposição Fotográfica


Viaduto das Artes inaugura exposição fotográfica em que cenas corriqueiras de Belo Horizonte ganham a beleza de um registro atemporal.
Os fotógrafos e os forasteiros compartilham entre si uma habilidade: enxergar na cidade tudo aquilo que costuma passar despercebido a seus moradores. É esse olhar singular sobre Belo Horizonte que o artista Daniel Pinho traz à tona em Deriva, exposição itinerante com inauguração na próxima quinta-feira (14/07), no Viaduto das Artes.
Nas 50 fotografias que documentam o centro e a periferia da capital mineira, a aparente trivialidade é apenas a porta de entrada para um registro repleto de nuances e significado. Nas imagens, o olhar do fotógrafo não é o de um artista em busca do enquadramento ideal, mas sim o de um cidadão que, ao se perder pela cidade, redescobre seus encantos e encontra a beleza até na mais corriqueira das cenas.
Nessa deriva pelas ruas do comércio e dos bairros residenciais, Daniel Pinho se assemelha a um andarilho. “Ao vagar pela cidade, não participo. Observo os acontecimentos e fotografo somente aquilo que me chama atenção”, explica. Da animada atmosfera urbana do centro aos bucólicos arredores da periferia, o artista encontra instantes de contemplação que, em seu conjunto, despertam um sentimento de pertencimento. Um anúncio publicitário em um cruzamento, pessoas passando o tempo em uma praça, comerciantes em suas lojas, cachorros adormecidos no passeio: cenas que vivenciamos rotineiramente, sem parar para contemplá-las.
Natural de Belo Horizonte, Daniel Pinho iniciou sua carreira em fotografia no exterior. Durante esse período, dedicou-se à beleza do cotidiano e à impossibilidade de apreciá-la em função do excesso de imagens a que somos expostos. Com essa experiência, hoje o artista produz fotografias que, apesar de toda sua proximidade com o espectador, provocam admiração por sua beleza nua, despida de adornos. “O desaparecimento da natureza a favor da cidade nos torna forasteiros no mundo. Meu olhar sempre forasteiro, mesmo em minha cidade natal, me guiou durante todo o processo de produção”, revela.
A exposição
Produzidas em filme fotográfico 35mm, as fotografias de Deriva possuem um aspecto anacrônico, porém atemporal. Para Daniel Pinho, o suporte analógico restaura ao fotógrafo o poder da contemplação, contribuindo também para que o próprio espectador reflita sobre seus modos de perceber o mundo e tudo aquilo que o cerca.
A exposição conta, ainda, com objetos que fazem alusão às fotografias e um vídeo em VHS com cenas da cidade a partir do ponto de vista de quem a percorre de carro. No espaço onde haverá a exibição, o artista também irá oferecer uma oficina de fotografia com inscrições gratuitas e abertas à comunidade.
Sobre o artista
Daniel Pinho trabalhou como diretor de arte no Brasil antes de iniciar seus estudos artísticos na Europa. A partir de 2011, viveu em Bologna, no norte da Itália, onde se formou em Fotografia Autoral pela Academia de Belas Artes. Em 2013, ampliou seus estudos em Düsseldorf, na Alemanha, onde teve contato com artistas contemporâneos e realizou importantes projetos em sua linha de pesquisa artística. Ao retornar para a Itália, foi selecionado para a residência artística Mountain Photo Festival. Nos últimos dois anos, Daniel Pinho retornou ao Brasil e, nesse período, já expôs seus trabalhos no Festival de Fotografia de Tiradentes, na Semana de Fotografia de Belo Horizonte, na Aliança Francesa e outros espaços culturais.
INAUGURAÇÃO DERIVA
Local: Viaduto das Artes (Av. Olinto Meireles, 45 – Barreiro)
Data: 14/07/2016
Horário: 19 horas
Exposições
Viaduto das Artes: 14 a 28/07
Centro Cultural São Geraldo: 01 a 31/08
Centro Cultural Salgado Filho: 01 a 30/09
Oficinas de Fotografia (gratuitas)
Viaduto das Artes: 25/07 (13h30 às 16h30)
Centro Cultural São Geraldo: 18/08 (14h30 às 17h30)
Centro Cultural Salgado Filho: 22/09 (19h às 22h)
Produção
Carla Onodera

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Maurizio Cattelan

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