Créditos
Da série Modos de Olhar Interferência em gravura de Jean-Baptiste Debret, 2016
Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, 2016
exposição Mãe Preta
Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, 2016
exposição Mãe Preta
em exposição na Galeria
Pretos Novos de Arte Contemporânea
Abertura dia 23 de julho, às 15h
As
conhecidas imagens das
amas-de-leite negras, registradas desde meados do século XIX ao início do século
XX, são o ponto de partida da pesquisa das artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa para a exposição MÃE PRETA, com
a curadoria de Marco Antonio Teobaldo, na
Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, do Instituto de Pesquisa e Memória
dos Pretos Novos (IPN), na Gamboa.
A exposição MÃE PRETA integra o
Circuito Cultural Rio, idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio,
para a programação cultural dos períodos Olímpico e Paraolímpico, que vai de
maio a setembro de 2016. A mostra, que também faz parte da programação oficial
do FotoRio 2016, busca traçar os elos e ressonâncias entre a condição social da
maternidade durante a escravidão e as vozes de mulheres e mães negras na
contemporaneidade. A exposição reúne obras em fotografia, gravuras, vídeo e
instalações criadas especialmente para o IPN, onde está localizado o sítio
arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, no qual milhares de africanos
escravizados recém-chegados ao país foram enterrados à flor da terra, na
primeira metade do século XIX.
“A exposição é uma reinvenção
poética da iconografia relacionada às mães pretas dentro de uma linguagem
contemporânea, tendo como ponto de partida imagens do acervo do Instituto
Moreira Salles e releituras de livros com gravuras de Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e outros artistas. Por meio
de intervenções nessas imagens com objetos óticos, como lupas e vidros,
destacamos a complexidade das relações
das amas-de-leite com as crianças brancas de seus senhores, e das mulheres
escravizadas e seus próprios filhos. De tão conhecidas, estas imagens
são vistas de forma superficial e não revelam as histórias de violência
sofridas por estas mulheres”, explica Patricia Gouvêa.
Nesse
sentido, marcas naturais do tempo em reproduções de negativos de Marc Ferrez
são aproveitadas para simbolizar cicatrizes expostas em composições
fotográficas, em substituição a cópias perfeitas. Trata-se de uma estratégia artística cujo
objetivo é realçar o salto temporal entre o passado e o presente e as
invisibilidades, lacunas e silêncios vividos pelas retratadas, que continuam a
reverberar no presente das mulheres negras brasileiras.
“A exposição
busca ligar a representação daquelas mães pretas e da maternidade em arquivos
históricos do período colonial ao protagonismo exercido pelas mães negras de
hoje. Nosso posicionamento é feminista no sentido de dar visibilidade às
histórias das mulheres, além de questionar o motivo das lacunas históricas em
relação ao papel fundamental da mulher negra na nossa história social e visual”,
afirma Isabel Löfgren.
De acordo
com Marco Antonio Teobaldo, curador da exposição, as artistas têm realizado uma
apurada pesquisa nos últimos 18 meses sobre o tema, que desencadeou uma série
de reflexões e perspectivas acerca da mulher negra no Brasil. Por esta razão,
as autoras optaram por dar voz a estas mulheres, por meio de um trabalho em
vídeo, para que elas possam falar sobre maternidade, discriminação, memória,
ancestralidade e outros temas. Como parte de um trabalho mais conceitual,
estatísticas de mortalidade infantil da época de funcionamento do Cemitério dos
Pretos Novos serão comparadas com dados atuais.
A exposição
deixará como legado uma reformulação da biblioteca do IPN, onde uma nova seção
feminista reunirá títulos de autoras negras e obras sobre protagonismo negro. Além
disso, uma área voltada para a literatura infanto-juvenil destacará títulos
onde crianças negras são protagonistas. As paredes da biblioteca terão retratos
de heroínas negras desde Anastácia, Tereza de Benguela e Nzinga de Angola às
feministas afro-brasileiras Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, entre outras
mulheres que representam as conquistas sociais, luta e resistência da mulher
negra no Brasil.
O trabalho se propõe a contribuir
para o debate sobre a memorialização
da escravidão, que ocorre no Rio de Janeiro desde a descoberta do sítio
arqueológico do Cais do Valongo, em 2010, com o resgate de parte da história da
cidade e do Brasil até então soterrada. A programação da exposição inclui
palestras e oficinas com historiadores da escravidão, escritoras e artistas
negras que ativarão o espaço com reflexões sobre a representação de raça e
gênero na sociedade. Uma publicação em papel jornal, suporte muito usado pela
imprensa abolicionista, será distribuída gratuitamente.
As
artistas trabalham juntas há mais de uma década e realizaram a exposição Banco
de Tempo na Galeria do Lago/Museu da República em 2012, com publicação lançada
em 2015. A dupla busca, em sua pesquisa artística, criar maneiras de relacionar
lugares históricos e arquivos de imagens a debates atuais por meio da arte
contemporânea. A Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea, com direção
artística de Marco Antonio Teobaldo, vem realizando desde 2011 exposições e
eventos com artistas e pensadores que possam contribuir para a reflexão sobre a
memória da escravidão e da herança africana na cultura brasileira.
CIRCUITO CULTURAL RIO
Idealizado pela Prefeitura do Rio, o Circuito Cultural Rio conta com
mais de 700 atrações, selecionadas e patrocinadas por meio dos editais da
Secretaria Municipal de Cultura, que serão apresentadas em mais de 100 espaços
culturais espalhados por toda a Cidade, além dos eventos que acontecem ao ar
livre. Com peças de teatro, exposições, shows, espetáculos de dança, atrações
circenses, eventos de gastronomia, manifestações de rua, saraus, bailes e
afins, o Circuito Cultural Rio vai possibilitar uma experiência integral da
diversidade cultural carioca.
MÃE PRETA
Exposição de Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa
Curadoria de Marco Antonio Teobaldo
Local: Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea
R. Pedro Ernesto, 32/34,Gamboa, Rio de Janeiro, RJ
+55 21 2516-7089
Data: Abertura 23 de julho às 15h
Visitação: 25 de julho a 25 de setembro
Visitação: 3a a 6a - das 13h às 19h | Sábado - das 10h às 13h
Metro: Central
Entrada franca
Livre


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