sábado, 16 de julho de 2016

Laura Belém - Histórias Curtas individual na Galeria Athena Contemporânea RJ Curadoria: Vanda Klabin.






Laura Belém abre primeira mostra  individual na Galeria Athena Contemporânea e no Rio de Janeiro

A partir do dia 19 de julho a artista Laura Belém apresenta duas novas séries de trabalhos na exposição "Histórias Curtas", que acontecerá na Galeria Athena Contemporânea.  
A inspiração para os trabalhos surgiu através do contato de Laura Belém com o centro comercial Cassino Atlântico, que comercializa antiguidades e também abriga a Galeria Athena Contemporânea. A intenção é criar um diálogo entre o ambiente do centro comercial e da galeria de arte. 
A mostra reúne trabalhos recentes e inéditos compostos de grupos de esculturas realizados a partir da peças de pedra-sabão e uma série de colagens. Vanda Klabin, a curadora da exposição, observa:  "Laura Belém cria territórios simbólicos onde as impossibilidades se tornam presentes seja pelo deslocamento de situações espaciais, seja pelo esvaziamento do conteúdo original de objetos - como se quisesse afirmar uma realidade física que está prestes a se volatilizar. Resta apenas um resíduo sugestivo de narrativas anteriores, à espera de novas camadas de significados."

Com o título Histórias Curtas, a mostra instiga o espectador e faz referência ao assunto da exposição: a vida, da morte, e novamente da vida. A artista, a partir da apropriação de elementos e da reinserção deles em novos contextos e narrativas, transforma a percepção do espectador, dando novos sentidos à elementos utilizados e descartados em nosso cotidiano.


Como tudo começou:

"Ao visitar uma das tradicionais oficinas de pedra-sabão nas proximidades de Ouro Preto (MG),  encontrei várias peças utilitárias que haviam sido descartadas pelos artesãos, por estarem inacabadas, quebradas ou por apresentarem algum defeito de fabricação. O local era uma oficina de torno de pedra sabão. As peças inutilizadas estavam depositadas num canto da oficina e, por estarem ali há muito tempo, estavam totalmente cobertas com o pó da própria pedra sabão, o que lhes agregava uma camada temporal. Algumas permaneciam maciças – uma tigela sem a cavidade escavada; outras sem a base que lhes permite ser um recipiente – como no caso de uma garrafa sem o fundo. Interessou-me o potencial escultórico dessas peças que ‘deram errado’, que não serviram ao seu propósito funcional. E isso deu início a um processo de resgate desses utilitários descartados, tanto nessa oficina como em outras da região. 
O que restava dos utilitários desprovidos de função era uma nova forma e um traço do processo de transformação da pedra bruta, da criação e do fazer do artesão. Antes da minha visita, algumas dessas peças estavam sendo separadas para serem destruídas e transformadas em talco, dando seqüência ao ciclo da vida. Outras já haviam sido descartadas nos terrenos ao redor das oficinas, misturando-se à terra. Meu interesse nessas peças como esculturas iam, portanto, além do seu potencial formal para incorporar o acaso, a falha, e a atuação do tempo – elas se tornavam relíquias do processo. Ao resgate e à escolha das peças, seguiu-se um procedimento de cobertura e fixação do pó de pedra sabão nas ‘recém-encontradas esculturas’, como que para eternizar o acaso e a ação do tempo, e também para revelar a matéria-prima crua na qual as peças se transformariam, se fossem destruídas. A última etapa foi a formação dos conjuntos das peças, agregadas pela função, semelhança, ou potencial significativo. Assim nasceu “Histórias curtas (Natureza morta)”.

A outra série de trabalhos da exposição, “Tapeçaria (Big Bang)”, resulta mais diretamente do meu contato com o Cassino Atlântico e em particular com a feira que ocorre ali aos sábados, quando são dispostos longos tapetes pelos corredores e andares do centro comercial, transformando toda a sua percepção. Tais tapetes ficam ali para serem comercializados e muitos deles são persas, apresentando motivos florais ou da fauna. “Tapeçaria (Big Bang)” resulta de uma série de fotografias de detalhes desses tapetes, que foram impressas em papel de arroz e em seguida rasgadas à mão, para se transformarem em novas composições de colagens sobre papel. Movimento, contração e expansão, estão ali presentes, e isso é enfatizado pelo título, assim como a ideia da criação. Na cosmologia, Big Bang se refere à rápida expansão da matéria que deu origem ao universo. O fim e o começo conectados, o fragmento e o todo, o ciclo do tempo, a transformação, o dia-a-dia alterado – essas são algumas das ideias por trás da exposição.”

         Laura Belém, 04 de julho de 2016.










Laura Belém nasceu em Belo Horizonte, 1974. Bacharel em Artes pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (1996) e Mestre em Artes Plásticas pelo Central Saint Martins College of Art (Londres, Reino Unido, 2000). Participou em residências artísticas em diversas instituições como em Madri, Nova York e Toronto. Desde 1998 expõe no Brasil e no exterior. Recebeu a Bolsa Pampulha do Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte, 2004), assim como CIFO Grants and Commissions Program/”Emerging Recipients” da Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami, E.U.A., 2011) e o Prêmio CNI SESI Marcantônio Vilaça para artes plásticas (Brasília, 2011).

Dentre as exposições individuais já realizadas destacam-se: 2015 - Ilha Restaurante (Casa do Baile, Belo Horizonte); Hoje tem Cine (Sesc Palladium, Belo Horizonte); Anekdota (Capela do Morumbi, São Paulo); 2013 - The Secret Garden (Galerie Virginie Louvet, Paris, França); 2012 - The Temple of a Thousand Bells (York St Mary’s, York, Reino Unido); 2011 - A Outra Paisagem (Galeria Luisa Strina, São Paulo); 2007 - Paisagens Flutuantes (MAMAM no Pátio, Recife). 


Dentre as exposições coletivas estão: 2016 - Esforço-Desempenho (Galeria Athena Contemporânea, Rio de Janeiro) 2015 - Procura-se (Tofiq House, São Paulo); O Espírito de Cada Época (Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto); 2014 - Limited Visibility (CAM Raleigh, E.U.A.); Cruzamentos: contemporary art in Brazil (Wexner Center for the Arts, Columbus, Ohio, E.U.A.); 2013 – Amor e Ódio a Lygia Clark (Zacheta National Gallery of Art, Varsóvia, Polônia); 2012-13 - Prêmio CNI SESI Marcantônio Vilaça para as Artes Plásticas (Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Cuiabá, Macapá and Maceió); 2011 - Viewpoint (Cisneros Fontanals Art Foundation, Miami, E.U.A.); Quiet Attention (Art Tower Mito Contemporary Art Center, Mito-Shi, Japão); 2010-11: The more things change (SFMOMA, São Francisco, E.U.A.); 2010 - Paralela 2010  (Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo); Paisagem Incompleta (Palácio das Artes, Belo Horizonte); 2009 - KURS: The Lake (The Art Museum of West Zealand, Dinamarca); Drawings: A-Z (Museu da Cidade, Lisboa, Portugal); 2008: Blooming (Toyota Municipal Museum of Art, Japão); 2007 - Extra(ordinary): New Art from Brasil (York Quay Centre, Toronto, Canadá); Panorama da Arte Brasileira (Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo); VI Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre); 2005 - 51st Venice Biennalle (Arsenale Galleries, Veneza, Itália); 2003 - Prague Biennale (Veletrzní Palác, Praga).


Laura Belém - Histórias curtas
Curadoria: Vanda Klabin
Abertura: 19 de julho, às 19h até às 22h
Exposição: de 19 de julho a 21 de agosto
Segunda à sexta - 11h - 19h
Sábado - 12h -18h
Local: Galeria Athena Contemporânea – 2513-0703
Av. Atlântica, 4.240 | 210 e 211

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Maurizio Cattelan

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