quinta-feira, 28 de julho de 2016

Conversando sobre Arte: Entrevista com a artista Ana Póvoas







Sou Ana Carolina Póvoas Corrêa, mas assino meus trabalhos – Ana Póvoas - nasci em 20 de agosto de 1970 no Rio de Janeiro.
 Fotografo desde criança, na verdade desde a primeira câmera comprada pelo meu pai; era uma Canon T50, eu tinha por volta de 12 anos. Na sequência minha família se mudou para Fortaleza em 1984, onde  passei a  minha adolescência.
 Ainda em Fortaleza,  me formei em Comunicação Social na UFC (Universidade Federal do Ceará), trabalhei no jornal O Povo como fotojornalista e  simultaneamente desenvolvia um trabalho mais autoral.
 Aos 23 (1993), tive minha  primeira filha e aos 27, mudei pra Pirenópolis – Goiás com a proposta de uma vida simples e sustentável. Vivi 12 anos em uma comunidade que  fica em área de reserva ambiental e aos 30 (1999) tive meu segundo  e ultimo filho. Vivo com o pai dos meus filhos desde os 19 anos.
 Nesse processo de mudança de estado – Fortaleza / Pirenópolis, vivemos em um ônibus (motor home) e passamos por diversos lugares antes de chegar  ao destino.

Em 2004, fui convidada para dar aulas de fotografia em um curso profissionalizante do governo do Estado, isso durou 3 anos e formei 6 turmas. Na sequencia, junto à Secretaria de Cultura  do Município, criei o Photo Pirenópolis (Encontro Internacional de Fotografia de Pirenópolis) e em 2005 a Maratona Fotográfica de Pirenópolis, ambos  com 3 edições .

Me desvinculei desses eventos coletivos e  comecei a organizar os meus projetos pessoais.  Moro em uma cidade  de 300 anos, é tombada pelo IPHAN; culturalmente riquíssima e intensa, dessa forma, esse contexto me  instiga muito a fotografar. Tenho um acervo  fotográfico de Pirenópolis  bem rico, por consequência  disso, criei uma profundidade com essa realidade cultural (festas populares, folias, griós, etc), e relações mais intimas. A Casa do Ser, é uma obra  que surgiu nesse contexto de registro fotográfico – documental e intimo – são representações  profundas,  mas tão simples quanto o tradicional.  


Quanto à obra – A CASA DO SER -, objeto de pesquisa e produção fotográfica sobre representação, memória e identidade, trata de uma poética do íntimo e do comum, retratando as relações entre o ser e sua morada a partir do universo da casa e do cotidiano de Dona Nica, produtora de bananas, moradora da comunidade rural de Furnas, no município de Pirenópolis. As imagens fazem parte de uma experiência minha, onde busco, por meio da fotografia, dar evidência aos elementos de identidade e temporalidade que configuram os espaços da casa e o caráter biográfico dos objetos que a constituem, bem como a singularidade da presença de quem ali habita. 

É possível viver de arte com a crise atual?
 Sim, penso que é possível....acho que aqui no Brasil ainda está se criando essa demanda de mercado, é uma luta! Nada fácil, mas também não é impossível, acredito que caminhamos pra isso (viver de arte) principalmente através dos editais junto ao ministério e as secretarias que vem possibilitando às galerias e demais espaços (centros culturais, universidades, escolas de arte publicas  e particulares, museus, festivais...)a se fortalecerem, formando opiniões e determinando comportamentos sociais. Acho importantíssimo viver a arte, porém, viver de arte .....
vislumbro e trabalho pra isso.
E dessa maneira, através dos editais e convocatórias que  vejo o caminho para a projeção no cenário nacional.

Meu trabalho  é muito intuitivo, no caso dessa obra, tenho muito como alicerce  a Poética do Espaço de Gaston Bachelart.
 A exposição da obra promove o estabelecimento de importantes canais de comunicação e fruição em um novo espaço, estabelecendo diálogo tanto com a comunidade quanto com centros de referência de pesquisa e produção de conhecimento em cultura visual em uma outra região. A Casa do Ser, apresenta um caráter de empoderamento do sujeito e da cultura popular, valorizando os aspectos comuns do cotidiano como uma potência expressiva, que merece ganhar visibilidade na esfera coletiva. Estaremos ainda  durante as olimpíadas no Rio e acredito que  o C.C. Justiça Federal é um espaço cultural importante, uma  janela do Brasil pra o mundo.

Para o futuro: esse trabalho ganhou um prêmio no FAC de Goiás e  no segundo semestre de 2016, estarei  organizando essa obra para a publicação de um livro junto com o curador Diógenes Moura. Serão 1000 exemplares - A Casa do Ser. A programação será bem boa, com lançamento do livro em alguns estados, em universidades, livrarias e lugares afins , sob a minha produção  junto com Anderson Melo, onde pretendo criar um espaço de  conversa para poder contar sobre o processo de produção obra.


























Ana Póvoas - Convite.



A artista.

Um comentário:

Walter disse...

Trabalho intuitivo... para uma pessoa que vive uma relação intrínseca com a natureza pura e simples, ainda mais com toda expressão do olhar feminino. A intuição grita!!! Parabéns Ana, sua arte tem algo de haikai.. é o máximo no mínimo!!! Ganhou um fã

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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