terça-feira, 26 de julho de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com Gilson Rodrigues


Gilson Rodrigues vive e trabalha em Belo Horizonte/MG.  É Bacharel em Artes Visuais pela UFMG e licenciado pela UEMG.  Possui em seu currículo exposições individuais e coletivas, entre as quais se destacam: "Novíssimos", na Galeria Ibeu/RJ em 2016, "Jardins Suspensos", no BDMG Cultural/MG em 2016, "Paisagem", na Galeria de arte da Copasa/MG em 2015, Orgânico/Artificial no SESI Mariana/MG, em 2015, "Da Pampulha para a humanidade", na Casa do Baile/MG em 2015, "ÀOBRA - Residência Artística" no Centro Cultural UFMG/MG em 2015 entre outras. Em 2015 foi premiado na 26ª Mostra de arte da juventude no SESC de Ribeirão Preto/SP.


Quem é Gilson Rodrigues?
Nasci em Contagem, cidade conhecida por suas características industriais que fica na região metropolitana de Belo Horizonte. Me lembro que na infância gostava de enterrar coisas, montar meu zoológico de insetos e reinventar meus brinquedos; penso que isso já apontava certa inclinação para as atividades artísticas. Sempre gostei de organizar, transformar e criar "coisas".  Embora não venha de uma família de artistas, minha maior incentivadora foi a minha mãe que, além de mecenas, posava para mim com a maior paciência do mundo quando ainda fazia meus exercícios para a faculdade.

Como você descreve seu trabalho?
Meu trabalho surge de questionamentos e observações sobre as coisas que me cercam. Gosto de reinventar usos e resignificar coisas banais do cotidiano. Acredito que a potência da arte não esta no objeto, mas no que ele suscita. Como profissional da imagem, busco criar dispositivos que funcionem como ruídos capazes de despertar no outro algum tipo de questionamento. Ainda assim, também prezo por uma construção rigorosa da imagem e uma profunda investigação da matéria, que talvez sejam reflexos da minha formação em pintura.

Para a materialização dos trabalhos atuais, além de utilizar muitos objetos que pertenciam à minha antiga casa, busco também referências na internet, que reservo em pastas e subpastas. Essas imagens são retrabalhadas no Photoshop e viram colagens digitais que, mais tarde, servem de referências para minhas pinturas. Minha pesquisa possui uma grande variedade de tratamentos pictóricos que se deve muito à apropriação do trabalho de outros artistas.

Que artistas influenciam seu pensamento?

É sempre muito difícil elencar minhas referências, pois tenho muitas, mas aprecio bastante o trabalho do Marcius Galan. Lembro da primeira vez que vi a instalação Seção diagonal, que me fez repensar muitas coisas sobre arte. Gosto do trompe-l'oeil ali existente; uma presença/ausência que, quando desvendada, se torna apenas cor, forma... ilusão. Ao olhar para esta obra, sempre penso sobre os limites que nos são impostos a todo momento e nos diversos sistemas de convenções que respeitamos, muitas vezes sem questionar.

Na pintura, gosto das cenas densas e ao mesmo tempo vazias criadas por Michael Borremans e das colagens pictóricas de Larry Rivers. A maneira como a artista portuguesa Gabriela Albergaria fala da artificialidade na natureza também me atrai – muitas das pinturas de que me aproprio nos trabalhos atuais, embora pareçam originalmente paisagens virgens, eram, na verdade, jardins modificados ou construídos pelo homem.

As cores e, principalmente, o tempo nos vídeos do artista Bill Viola também me chamam a atenção. Na exposição "The Passions", por exemplo, o artista faz citação a pinturas religiosas. Além de todas as características que envolvem a construção de tais cenas, como planos e composição, Viola consegue ainda ampliar a dramaticidade presente na face de cada personagem. É como se colocasse uma lente sobre pequenos movimentos que sempre estiveram ali. Para tanto, usa o recurso de desacelerar o vídeo – característica presente em outras produções do mesmo período. No momento, estou realizando algumas filmagens que pretendo apresentar em breve e reconheço nestes trabalhos algumas características que se aproximam de tais investigações. Em uma série de vídeos, venho documentando os movimentos das plantas que são invisíveis aos olhos humanos; uma dança silenciosa que é ditada pela luz.

O Sr. Carlos Luis de Almeida, que foi responsável pela construção da Casa de Cacos em Contagem, também se tornou uma importante influência. Fiz um trabalho sobre sua obra e mergulhei fundo no universo deste artista, que revestiu toda a estrutura da casa em que passava os finais de semana com pequenos cacos de cerâmica e louça, durante os anos 1960 a 1980.

Gosto e creio me aproximar de artistas que criam seus próprios universos, como Giorgio Morandi e Hans Bellmer, por exemplo. Em minhas paisagens, recorro a um método usado por esses artistas ao reincidir alguns elementos: uma porcelana pode reaparecer em ângulos ou escalas diferentes, com interferências em sua estrutura, destorcida ou não...

É possível viver de arte?

Viver apenas com a venda de trabalhos é um privilégio, pelo que percebo. A maior parte dos artistas que conheço possui profissões paralelas... Esta é uma questão delicada e presente na vida de muitos artistas. Considero necessário repensar o significado do ócio e sua importância para a atividade artística, pois, quando se tem uma profissão paralela, o que pode acontecer é um distanciamento progressivo do trabalho. Sem falar que as pessoas ainda tendem a associar a atividade artística com momentos de recreação, o que pode gerar dificuldades.

Qual a importância de sua participação nos Novíssimos no IBEU?
Para mim, representa um reconhecimento do trabalho e a oportunidade dele se expandir por outros territórios geográficos.

Que comentários você faria sobre a Arte Contemporânea em Belo Horizonte?
Diria que a Arte Contemporânea na capital mineira está muito bem representada. Embora muitas instituições e galerias possuam uma tendência mais tradicionalista, há também vários espaços independentes surgindo com uma grande abertura aos novos artistas.

O material nacional para pintura já tem qualidade adequada?
Eu diria que melhorou bastante, mas alguns materiais ainda não se comparam aos importados, sem falar que não existe uma variedade de marcas.

Como se projetar no cenário nacional?
Participações em salões e residências costumam ser apontadas como alguns dos mecanismos iniciais de legitimação do artista perante galerias e colecionadores. Mas, hoje, podemos também contar com a abrangência da internet e múltiplas ferramentas de pesquisa que nos possibilitam conhecer os trabalhos de artistas de outras regiões. Assim, notícias, portfólios e pesquisas artísticas podem sobreviver um pouco mais à efemeridade e ecoar por outros territórios.

O que você pensa sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-los?
Vejo nos salões uma grande oportunidade para artistas emergentes se lançarem no circuito. É também uma oportunidade de diálogo com artistas e curadores de outros lugares, possibilitando trocas que propiciam uma evolução no trabalho de um artista. Porém, observo há algum tempo que a exigência de encaixar os trabalhos em categorias como pintura, desenho, vídeo, etc., é uma divisão anacrônica que limita as possibilidades. Outro aspecto questionável de algumas convocatórias é a exigência do envio de portfólio impresso. Aquelas que já adotaram o sistema de inscrição on-line se mostram mais democráticas, já que os gastos com a impressão de portfólios, que rapidamente se tornam obsoletos, muitas vezes inviabiliza a participação.

Você tem financiamento para realizar suas instalações?
Infelizmente, não. A cada ideia, uma dor de cabeça... Quando há uma ajuda de custo a partir da seleção em um edital, ela geralmente prevê alguns gastos com o transporte de obras e a montagem da exposição, sem relação com o custeio de realização dos trabalhos.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar produzindo, fazer residências, viajar, fazer um mestrado e criar meus pavões.






Díptico.




Jardins Suspensos, 2015. Técnica mista sobre tela, 100x150cm.


Lição de Pintura, 2016.


Paisagem, 1013. Técnica mista sobre mdf. 100x150cm.


Plantio Direto, 2015. Óleo sobre tela, 126x66cm.


Replantio e propagação, 2015. Acrílica e óleo sobre lona, 300x160cm,


Sem título, 2014. Óleo sobre mdf. 100x150cm.


Vasos com Azaleias, 2014. Óleo sobre tela. 20x30 cm.


Vista da Exposição A Obra. Centro Cultural, UFMG, 2015.


Vista da Exposição Individual Jardins Suspensos, 2016.












www.behance.net/gilsonrodrigs
gilsonrodrigs@gmail.com

FORMAÇÃO
2014 - Artes Visuais Bacharelado em pintura (UFMG).
2013 - Artes Visuais Licenciatura (UEMG).


EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
2016 - Edital Jovens artistas Mineiros, Memorial Minas Vale, Belo Horizonte/MG. "agendada"
2016  - Quase paisagem - Edital Fundação Cultural Badesc, Florianópolis/SC. "agendada"
2016 - Entre - Edital Centro Cultural de Contagem, Contagem/MG. "agendada"
2016 - Jardins Suspensos - Edital Mostras BDMG Cultural, Curadoria: Maria Angelica Melendi, Belo Horizonte/MG.
2015-Orgânico/Artificial - Galeria SESI-Mariana, Curadoria: Isabela Andere Pedra, Mariana/MG.
2015 - Paisagem - Edital Galeria de Arte Copasa - Curadoria: Mário Azevedo, Belo Horizonte - MG.

EXPOSIÇÕES COLETIVAS

2016 - 45ª Edição do salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS - Exposição coletiva, Copacabana/RJ.
2016 - Exposição coletiva, Viaduto das Artes, artista convidado, Belo Horizonte/MG. Exposição "agendada"
2016 - Mostra Curto Circuito Galeria de Arte GTO/ SESC Palladium, Exposição coletiva, artista convidado, Belo Horizonte/MG. Curadoria: Gabriela Carvalho.
2016 - Premiado 26ª Mostra de Arte da Juventude - Exposição coletiva, SESC Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP. Artistas: Gilson Rodrigues, Renan Marcondes e Selene Alge. Curadoria: Renan Araujo e Thiago Honório.
2015 - Entre a casa e o acaso - Exposição conjunta com Luiz Eduardo Lemos - Galeria MAMA CADELA, Belo Horizonte/MG. Curadoria: Marci Silva.
2015 - 26ª Mostra de Arte da Juventude - Exposição coletiva, SESC Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP.
2015 - Mostra de vídeo OS BRUTOS - Exibição coletiva, Sede das Brigadas Populares, Belo Horizonte/MG.
2015 - Da Pampulha para a humanidade - Exposição coletiva, Casa do Baile/Pampulha, Belo Horizonte/MG.
2015 - ÀOBRA - Residência Artística- Exposição coletiva - Centro Cultural UFMG, Belo Horizonte/MG.
2015 - Poéticas do Habitar - Exposição coletiva, Escola de Belas Artes/UFMG, Belo Horizonte - MG.
2014 - Fragmentos e trajetos - Exposição coletiva dos formandos, Centro Cultural UFMG, Belo Horizonte - MG.
2013 - Corpos-dados - Exposição Coletiva - Centro Cultural de Contagem, Contagem - MG.
2012 - VI Mostra de Artes Visuais L. - Exposição Coletiva, Escola de Design, UEMG -,Belo Horizonte - MG.
2012 - Visceralidades - Exposição Coletiva e Café Debate - PUC Minas, São Gabriel. Coletivo Vórtice. Belo Horizonte - MG.
2011 - Sem título - Exposição Coletiva - Festival Independente 424 - Espaço Fluxus, Belo Horizonte – MG.
2011 - Deriva III - Exposição Coletiva - Centro Cultural UFMG. Belo Horizonte - MG.
2010 - Deriva II  - Exposição Coletiva - Centro Cultural UFMG. Belo Horizonte - MG.
2009 - II Mostra de Artes Visuais L. - Exposição Coletiva - Escola de Design, UEMG. Belo Horizonte - MG.

CURADORIA

2014 - Casa de Cacos: objetos - Curadoria e montagem, Museu Casa de Cultura Nair Mendes Moreira, Contagem/MG.


RESIDÊNCIA

2014 - Residência Artística - Centro Cultural UFMG.

PRÊMIOS

2015 - 26ª Mostra de arte da Juventude, Ribeirão Preto/SP.
COLEÇÕES
BDMG cultural

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Maurizio Cattelan

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