quinta-feira, 7 de julho de 2016

Carlos Scliar, da reflexão à criação, sob a curadoria de Marcus de Lontra Costa. Caixa Cultural




A CAIXA Cultural Rio de Janeiro inaugura, no dia 5 de julho (terça-feira), às 19h, a exposição Carlos Scliar, da reflexão à criação, sob a curadoria de Marcus de Lontra Costa. Será apresentado um panorama da obra de Carlos Scliar, com cerca de 135 trabalhos, entre pinturas, gravuras e desenhos, realizados ao longo de mais de seis décadas. A mostra marca os 15 anos de falecimento do artista e é patrocinada pela Caixa Econômica Federal e Governo Federal.





A curadoria buscou selecionar imagens em consonância com o espírito de Scliar, sintetizando uma vida inteira dedicada à construção de uma iconografia nacional. As obras expostas integram, num mesmo espaço, a participação política e social coletiva em defesa dos verdadeiros ideais democráticos, a pureza das pequenas histórias e a beleza contida nas coisas simples, nos objetos e vivências cotidianas do ser humano: bules, lamparinas, velas, frutos e flores, documentos, bilhetes, lembranças, saudades, desejos, memórias, resíduos, ruídos, sussurros, silêncios.



“Em qualquer técnica, em qualquer período de sua vida, Carlos Scliar é o artista do método e da métrica. A linha é o elemento que organiza a sua aventura artística; a partir dela, de seus vetores, ele constrói formas, acrescenta cores, desenvolve a sua poética particular. Para ele, o Brasil é assunto permanente: em busca das névoas do passado, encontrou-as (e se encontrou) entre as montanhas”, comenta o curador Marcus de Lontra Costa.













 Carlos Scliar_Bule azul ferro de passar vermelho etc no desenho de 1954_1986 his res | Carlos Scliar_Bule azul ferro de passar vermelho etc no desenho de 1954_1986 low res







Na mostra serão exibidas desde as primeiras pinturas de Scliar, dos anos 1940, até sua produção dos anos 2000, passando pelas gravuras gaúchas dos anos de 1950, pela série Território Ocupado até chegar ao impressionante álbum Redescoberta do Brasil, obra final e definitiva de Carlos Scliar.











O projeto conta o apoio do Instituto Cultural Carlos Scliar e a  produção da exposição está a cargo de Anderson Eleotério e Izabel Ferreira – ADUPLA Produção Cultural, que já realizou importantes publicações e exposições itinerantes pelo Brasil, como Farnese de Andrade, Athos Bulcão, Milton Dacosta, Miguel Angel Rios, Raymundo Colares, Carlos Scliar, Debret, Aluísio Carvão, Henri Matisse, Bruno Miguel, Teresa Serrano,Regina de Paula, Nazareno, entre outros



Serviço:
Exposição Carlos Scliar, da reflexão à criação
Curadoria: Marcus de Lontra Costa
Entrada Franca
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Abertura: 5 de julho (terça-feira), às 19h
Visitação: 5 de julho a  21 de agosto de 2016
Horário: terça-feira a domingo, de 10 às 21h.
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

Assessoria de Imprensa:
Raquel Silva – raquelsilva@alternex.com.br – (21) 2274-7924 / 99965-3433      

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Rio de Janeiro (RJ)
(21) 3980-3096 / 4097
www.caixacultural.gov.br | @imprensaCAIXA









Sobre o artista
Scliar nasceu em 1920 em Santa Maria (RS). Viveu e trabalhou em Cabo Frio, Ouro Preto e no Rio de Janeiro, onde morreu em 2001. Deixou, para o Brasil, um extraordinário patrimônio cultural. Talvez nenhum outro artista sintetize de maneira mais evidente os desafios, os desejos e os dilemas da ação e da estratégia modernista no nosso país.

Filho de imigrantes, desde cedo o nacionalismo é elemento que estrutura a identidade de Scliar. A sua sólida formação cultural e sua precoce sintonia com os anseios e expectativas do mundo surgido após a revolução socialista de 1917 garantiram, para o jovem Scliar, destaque na imprensa e na vida intelectual da capital gaúcha. Diferentemente dos artistas brasileiros, que tinham na França a sua referência e, muitas vezes, o seu espelho, Scliar compreendeu o espaço de construção artística moderna através dos filmes e gravuras expressionistas alemães.


Texto do curador

O método e a métrica

Ao longo de seis décadas de produção ininterrupta e abundante, Carlos Scliar nos legou um extraordinário patrimônio cultural composto por suas gravuras, desenhos e pinturas. Nenhum outro artista, talvez, sintetize de maneira mais evidente os desafios, os desejos e os dilemas da ação e da estratégia modernista no Brasil.
Filho de imigrantes, homem da fronteira, desde cedo o nacionalismo foi o elemento que estruturou a identidade de Carlos Scliar. A sua sólida formação cultural e sua precoce sintonia com os anseios e as expectativas do mundo surgido após a revolução socialista de 1917, garantiram ao jovem Scliar destaque na imprensa e na vida intelectual da capital gaúcha. Diferentemente dos artistas brasileiros que tinham na França a sua referência e, muitas vezes, o seu espelho, Scliar compreendeu o espaço de construção artística moderna por meio dos filmes e gravuras expressionistas alemães. Toda a sua trajetória artística teve como origem a sua sensibilidade gráfica: clareza de composição, disciplina no processo artesanal e síntese de mensagem que faz de cada obra um meio de comunicação direta e efetiva com o seu público.    

Carlos Scliar é o artista do método e da métrica. A linha é o elemento que organiza a sua aventura artística; a partir dela, de seus vetores, ele constrói formas, acrescenta cores, desenvolve a sua poética particular. Para ele, o Brasil é assunto permanente: em busca das névoas do passado encontrou-as (e se encontrou) entre as montanhas. Gaúcho, acabou por se tornar o mais mineiro de nossos artistas. Em busca da luxúria tropical, encontrou nos barcos e nas marinhas de Cabo Frio a placidez e a luminosidade que perseguia. Soube entender, como poucos, a sutil relação entre a invenção e a permanência. Soube resistir à tentação da novidade e permanecer fiel e coerente ao seu ideal de vida e de mundo. Cabe-lhe perfeitamente a máxima de Drummond: “Mais do que moderno, quero ser eterno”.

A exposição “Carlos Scliar: da reflexão à criação” permite ao público carioca reencontrar-se com obras de um dos grandes mestres da arte brasileira. O trabalho curatorial consistiu na difícil tarefa de selecionar imagens, na vasta iconografia de Carlos Scliar, que sintetizassem a sua trajetória profissional, regida por um intenso espirito humanista em sua busca de harmonizar as criações da natureza e as criações do ser humano. Por isso, flores, vegetais e frutas são expostos de maneira harmônica com uma metalurgia inicial, bules, lamparinas, frascos e lampiões. O barroco brasileiro foi constantemente visitado por Scliar numa atmosfera de concórdia e clareza gráfica.

Homem do seu tempo Scliar participou intensamente da vida nacional e viveu e conviveu com os grandes desafios da arte moderna no Brasil e no mundo. Nos anos 50, impôs-se a disciplina do desenho e da gravura, caminhando corajoso na contra maré dos movimentos abstratos.  A partir dos anos 60 definiu os objetos de sua construção artística. O espaço cubista, a clareza da composição, a articulação cromática sofisticada entre os elementos pictóricos são por vezes definidos por formas geométricas, por recursos gráficos oriundos da pop-art e também por movimentos de matéria e cor que encontram identificação com os grandes mestres impressionistas do século XIX. Assim, a pintura de Scliar busca referencias na história da arte para construir uma obra poética e sensível que reflete a capacidade brasileira de se apropriar de informações variadas, várias épocas, várias etnias, várias culturas, e com isso construir uma identidade própria original e provocadora. O reencontro, portanto, com as obras desse grande mestre brasileiro, é também a identificação com imagens que formam o nosso olhar, a nossa maneira de ver, sentir e interpretar o mundo. Neste momento marcante para a vida nacional e em especial para cidade do Rio de Janeiro - que Carlos Scliar tanto amou - é motivo de satisfação e orgulho podermos apresentar ao publico que nos visita por ocasião dos Jogos Olímpicos, uma trajetória artística que reflete e representa o que temos de mais verdadeiro.

Marcus de Lontra Costa
Curador

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Maurizio Cattelan

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