quarta-feira, 27 de julho de 2016

Analu Nabuco - Primeira Matéria na Cândido Mendes Curador: Paulo Sergio Duarte









O olhar de Analu Nabuco sempre foi generoso com objetos relegados. Podia ser um dormente de madeira, com veios marcados pela ação do tempo ou da chuva, ou uma tesoura, já cega e enferrujada. Com alma de colecionadora, a artista plástica recolhia tudo que lhe cruzasse o caminho e chamasse sua atenção. É desta prática e desta aptidão para perceber a beleza e a utilidade no que antes era só descarte que surge Primeira Matéria, exposição que ocupa a partir de 2 de agosto, a galeria Candido Mendes, em Ipanema. 


Por meio da assemblage, Analu une objetos únicos e díspares como um galho de árvore e um pedaço de corda, em arte.



''Diante do estardalhaço contemporâneo, não falta coragem aos investimentos estéticos de Analu, ao empregar um procedimento tipicamente moderno, e usando uma escala íntima, poderíamos mesmo dizer, doméstica. Mas se em Farnese há o recurso à memória do corpo, à doença e à morte; já as coisas juntadas por Analu com frequência pertencem ao universo orgânico da natureza, aos quais são incorporados objetos do cotidiano, que temos todo dia à mão, embalagens de medicamentos, as caixas de guardados, a tesoura, que vão se transformar em ''figuras'' estranhas quando associadas aos galhos de árvores, pedaços de pequenos troncos. Mas não há morbidez. É como se esses objetos de arte vivessem quietos e felizes numa discreta existência.'', descreve Paulo Sergio Duarte que assina a curadoria.

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Maurizio Cattelan

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