sexta-feira, 24 de junho de 2016

O dever do agradecimento por Alice Rosa - Homenagem a José Manuel Ribeiro do Santos





O dever do agradecimento 

 Entre os fatos mais significativos em minha carreira profissional, saliento a oportunidade de colaborar no esforço de implantação do nosso Hospital Universitário. Foi um privilégio ter dedicado tempo e energia à abertura de uma instituição de serviço à vida humana. Foi um privilégio compartir a experiência com pessoas que se distinguiam pela competência e a aptidão para o trabalho coletivo, sem a ambição do papel de solista.
Na regência do grupo, a figura invulgar de Clementino Fraga Filho. Tão breve o perdemos, mais uma perda na equipe inaugural, a de José Manuel Ribeiro dos Santos, primeiro Coordenador da Comissão de Residência Médica do Hospital.  Naquele início,   a tarefa mais desafiadora na área educacional  era organizar os programas dessa etapa da formação médica, depois de um  impecável concurso para a escolha dos jovens médicos que optaram por fazer parte da história da nova instituição.  A um só tempo, era necessário dar-lhes condições para ajudar a pôr em marcha as atividades assistenciais e a promover seu aprendizado.   
Como iniciar programas educacionais cuja essência é o treinamento em serviço num hospital sem pacientes? Como desenvolver os programas educacionais paralelamente à progressão das práticas assistenciais? Como preencher adequadamente o tempo sempre precioso dos Residentes? Como acolher seus justos e inevitáveis reclamos?
Passados os primeiros momentos, ainda sob a orientação da Comissão encarregada da seleção dos Residentes, a tarefa foi atribuída a José Manuel, professor assistente, originário do Serviço do Professor Luiz Feijó, no Hospital Moncorvo Filho. Dedicou-se integralmente à tarefa, procurando aprender os conceitos fundamentais dessa modalidade de pós-graduação, manter-se atualizado com sua crescente regulamentação, aprender com os mais experimentados, e preservar o diálogo com os Residentes, pontuado de reivindicações.  
Não foi encargo de fácil condução. Além das restrições inerentes ao funcionamento recente do HU, deparou-se com a contrariedade de Chefes de Serviço, que, habituados à tradição do trabalho isolado, insistiam em conduzir sozinhos o programa de treinamento, já regularizado para todo o Pais.
José Manuel exerceu modelarmente sua atividade. Mostrou sua inteligência incomum, sua lealdade, sua inteireza moral, com que, aliás, conduzia também seu trabalho fora da Universidade. A sinceridade, por vezes incômoda, era outro de seus traços distintivos. Em condições desfavoráveis a sua atuação, não recorreu à simpatia e a promessas, para conquistar apoio. Não se valeu de ocasiões e amizades de circunstância para benefício próprio, ou para alcançar visibilidade.    
Irmanados, Márcio Fonseca e eu acompanhamos o final da vida desse colaborador. Por sua formação espiritual, foi exemplar nos preparativos para a viagem e na serenidade ao ver aproximar-se seu início.
     O tempo passa, as horas passam, o mundo interior se despovoa, a saudade viceja e cresce. De você, José Manuel, ficam a gratidão pela colaboração inestimável, a amizade duradoura, o exemplo de honradez.  Obrigada.  
Alice Rosa
Ex-Coordenadora da CAE
    

      

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Maurizio Cattelan

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