quarta-feira, 8 de junho de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Rodrigo Sassi





Quem é Rodrigo Sassi?  
Nasci na cidade de São Paulo em 1981, onde, apesar de passar boa parte de meu tempo fora, vivo até hoje.  Apesar de não ter tido nenhuma referência artística na família, sempre fui incentivado a fazer o que eu desejasse e isso abriu possibilidades para seguir uma carreira, de certa forma, não usual.

Como a arte entrou em sua vida?
Por volta dos meus quinze anos comecei a fazer grafite junto a um amigo. Como gostava de ficar na rua, tomei gosto rápido pela coisa e frequentemente ao invés de ir para o colégio matávamos aula para procurar muros e grafitar. Isso me direcionou a escolher um curso no qual eu pudesse dar continuidade e desenvolver o processo que ali se iniciava.

Qual foi sua formação artística?
Após este período de iniciação que se sucedeu nas ruas fazendo grafite, entrei na FAAP para estudar artes visuais. Neste período, me juntei a outras duas artistas e montamos um coletivo que atuava na área de intervenções urbanas, o que de certa forma manteve minha linha de trabalho pensada e desenvolvida para o espaço publico.


Que artistas influenciam em sua obra?
Muitos artistas influenciam e influenciaram minha obra, no começo eu buscava artistas que, assim como eu, atuassem com grafites ou intervenções urbanas. Meu trabalho foi mudando e conforme fui entendendo o que eu estava fazendo, minhas referencias também foram mudando. Hoje tenho além de artistas, arquitetos e designers como referências e isso me faz sair um pouco das artes plásticas e, de certa forma, libertar meu trabalho.


Como você descreve seu trabalho?
 Minha trajetória artística é marcada pelo desenvolvimento e prática de intervenções urbanas. Com o passar do tempo, esta pesquisa até então realizada no cenário urbano se transformou em referência estética e conceitual para um trabalho desenvolvido em atelier, hoje dedicado principalmente à pesquisa tridimensional.

Tendo como ponto de partida referências arquitetônicas, o cenário urbano e processos relacionados à construção civil, minhas esculturas assumem como poética de linguagem situações de proximidades entre estas áreas e as artes visuais, criando a partir do uso livre e imaginativo de técnicas construtivas, fôrmas de concreto armado que interferem e atuam sobre o espaço criando sua própria arquitetura. Estas obras são feitas com madeiras descartadas em sites de construção civil, de modo que os sinais de desgaste aparentes nos materiais por conta de suas utilizações anteriores integram sua composição, situando o expectador sobre seu processo construtivo desde a coleta destes materiais. Ao final, suas formas abstratas tem como características o contraste entre a brutalidade e rigidez de seus materiais (madeira e concreto) e a sensação de leveza proporcionada por curvas e linhas que desafiam as especificidades de sua matéria-prima e se transformam em movimento desenhando o espaço ao seu redor.



É possível viver de arte com a crise atual?
É possível!

Como foi  a importância para seu trabalho o período passado em Londres?
 Fui para Londres para tentar entender um pouco do que se passava fora daqui. O que eu fazia na época, que eram as intervenções urbanas, lá não eram tão fortes quanto na américa latina. Muito por Londres se tratar de uma cidade praticamente toda tombada e com leis muito mais rigorosas e firmes em relação as nossas. Minha pesquisa se voltou para o institucional e mercadológico. Vi muitas coisas e quando voltei meus projetos e ideias já estavam mais voltados para um trabalho feito em atelier, mesmo que com muitas referências e materiais vindos da rua.



Como você estuda e se atualiza?
 Viajar é para mim a melhor forma de me atualizar pois o acaso está presente a todo o momento me despertando novos interesses. Mas pesquisas na internet, frequentando exposições, conversando com amigos artistas é sempre uma fonte que se pode ser explorada diariamente.   

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Galeria é parte natural na carreira de um artista. Faz parte do mercado, entre outros intermediários e funções que formam este corpo, o artista produz a galeria vende. Somos tão dependentes delas quanto elas de nós.



Há mercado para instalações? Como financiá-las?
Há mercado para tudo, alguns segmentos mais fortes do que outros, mas há.  Existem inúmeras maneiras de se financiar projetos, independente do que sejam. No Brasil existem leis de isenção fiscal que possibilitam empresas destinarem parte de seus impostos para financiar projetos culturais. Exposições institucionais também financiam bastante projetos não comerciais.


Quais são seus planos para o futuro?
Aprimorar e me aprofundar em minha pesquisa, assim como expor em lugares legais com artistas bacanas é sempre uma boa ideia. Em relação a minha agenda, tenho algumas exposições em negociação e alguns outros projetos que estou envolvido.  No próximo semestre, estarei por alguns meses em uma residência artística nos Estados Unidos chamada Sculpture Space,  de lá vou me adaptando aos convites e resultados de editais.

























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Maurizio Cattelan

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