Quem é Rodrigo Sassi?
Nasci na cidade de São Paulo em 1981,
onde, apesar de passar boa parte de meu tempo fora, vivo até hoje. Apesar de não ter tido nenhuma referência
artística na família, sempre fui incentivado a fazer o que eu desejasse e isso abriu
possibilidades para seguir uma carreira, de certa forma, não usual.
Como a arte entrou em sua vida?
Por volta dos
meus quinze anos comecei a fazer grafite junto a um amigo. Como gostava de
ficar na rua, tomei gosto rápido pela coisa e frequentemente ao invés de ir
para o colégio matávamos aula para procurar muros e grafitar. Isso me
direcionou a escolher um curso no qual eu pudesse dar continuidade e
desenvolver o processo que ali se iniciava.
Qual foi sua formação artística?
Após este
período de iniciação que se sucedeu nas ruas fazendo grafite, entrei na FAAP
para estudar artes visuais. Neste período, me juntei a outras duas artistas e
montamos um coletivo que atuava na área de intervenções urbanas, o que de certa
forma manteve minha linha de trabalho pensada e desenvolvida para o espaço
publico.
Que artistas influenciam em sua obra?
Muitos
artistas influenciam e influenciaram minha obra, no começo eu buscava artistas
que, assim como eu, atuassem com grafites ou intervenções urbanas. Meu trabalho
foi mudando e conforme fui entendendo o que eu estava fazendo, minhas
referencias também foram mudando. Hoje tenho além de artistas, arquitetos e designers
como referências e isso me faz sair um pouco das artes plásticas e, de certa
forma, libertar meu trabalho.
Como você descreve seu trabalho?
Minha trajetória artística é marcada pelo
desenvolvimento e prática de intervenções urbanas. Com o passar do tempo, esta
pesquisa até então realizada no cenário urbano se transformou em referência
estética e conceitual para um trabalho desenvolvido em atelier, hoje dedicado
principalmente à pesquisa tridimensional.
Tendo como ponto de partida referências
arquitetônicas, o cenário urbano e processos relacionados à construção civil,
minhas esculturas assumem como poética de linguagem situações de proximidades
entre estas áreas e as artes visuais, criando a partir do uso livre e
imaginativo de técnicas construtivas, fôrmas de concreto armado que interferem
e atuam sobre o espaço criando sua própria arquitetura. Estas obras são feitas com madeiras descartadas em
sites de construção civil, de modo que os sinais de desgaste aparentes nos
materiais por conta de suas utilizações anteriores integram sua composição,
situando o expectador sobre seu processo construtivo desde a coleta destes
materiais. Ao final, suas formas abstratas tem como características o contraste
entre a brutalidade e rigidez de seus materiais (madeira e concreto) e a
sensação de leveza proporcionada por curvas e linhas que desafiam as
especificidades de sua matéria-prima e se transformam em movimento desenhando o
espaço ao seu redor.
É possível viver de arte com a crise
atual?
É possível!
Como foi a importância para seu
trabalho o período passado em Londres?
Fui para
Londres para tentar entender um pouco do que se passava fora daqui. O que eu
fazia na época, que eram as intervenções urbanas, lá não eram tão fortes quanto
na américa latina. Muito por Londres se tratar de uma cidade praticamente toda
tombada e com leis muito mais rigorosas e firmes em relação as nossas. Minha
pesquisa se voltou para o institucional e mercadológico. Vi muitas coisas e
quando voltei meus projetos e ideias já estavam mais voltados para um trabalho
feito em atelier, mesmo que com muitas referências e materiais vindos da rua.
Como você estuda e se atualiza?
Viajar é para
mim a melhor forma de me atualizar pois o acaso está presente a todo o momento me
despertando novos interesses. Mas pesquisas na internet, frequentando
exposições, conversando com amigos artistas é sempre uma fonte que se pode ser
explorada diariamente.
O que é necessário para um artista ser
representado por uma galeria?
Galeria é
parte natural na carreira de um artista. Faz parte do mercado, entre outros
intermediários e funções que formam este corpo, o artista produz a galeria vende.
Somos tão dependentes delas quanto elas de nós.
Há mercado para instalações? Como
financiá-las?
Há mercado
para tudo, alguns segmentos mais fortes do que outros, mas há. Existem inúmeras maneiras de se financiar
projetos, independente do que sejam. No Brasil existem leis de isenção fiscal
que possibilitam empresas destinarem parte de seus impostos para financiar
projetos culturais. Exposições institucionais também financiam bastante
projetos não comerciais.
Quais são seus planos para o futuro?
Aprimorar e me aprofundar em
minha pesquisa, assim como expor em lugares legais com artistas bacanas é
sempre uma boa ideia. Em relação a minha agenda, tenho algumas exposições em
negociação e alguns outros projetos que estou envolvido. No próximo semestre, estarei por alguns meses
em uma residência artística nos Estados Unidos chamada Sculpture Space, de lá vou me adaptando aos convites e
resultados de editais.










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