terça-feira, 17 de maio de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Mary Porto








Quem é Mary Porto?  
Nasci em 4 de novembro de 1939 no Rio de Janeiro, filha mais velha de uma família originária do Ceará. Em minha infância morei em várias capitais do nordeste
 pois, sendo meu pai militar, éramos levados a segui-lo para onde quer que fosse.
Iniciei meus estudos de desenho com 15 anos, com professor particular contratado por meu severo pai.
Vivi minha juventude nos “anos dourados” do Rio, morando na Lagoa Rodrigo de Freitas e estudando no Colégio Jacobina , em Botafogo. Fiz um pouco de Jornalismo na PUC, por insistência de meu pai, mas logo voltei para arte, meu assunto favorito!
Nos anos setenta mudei-me para São Paulo com marido e filhos, onde continuo até hoje, completamente radicada e adaptada à vida paulistana.
Tenho três filhos e oito netos, uma vida muito movimentada!

Como a arte entrou em sua vida?
O despertar de meu olhar para a pintura deu-se na infância. Morava na Urca, bairro do Rio de Janeiro, e nos fins de tarde atravessava a quadra que me separava da casa de meus avós para com eles “merendar”. Na metade do caminho, dentro de uma garagem com a porta  basculante levantada, alguém pintava.
Um homem com seu cavalete, palheta, tubos coloridos, e pincéis, muitos pincéis!
Ali era minha parada obrigatória, fascinada que ficava pela cena, olhando, por
trás do ombro do artista sentado, o lento escorregar do pincel... Mais do que o assunto da pintura (pequenas paisagens), causavam-me forte impressão a massa de cor tomando forma sob o pincel do artista, seus gestos precisos e delicados misturando as cores, conquistando tonalidades sutis, construindo formas claras ou escuras. Foi um momento sagrado, o chamado de minha alma para a pintura.
Hoje, como artista e terapeuta, passo muitas tardes sentada ao lado de alguém que está pintando, e toda vez me emociono ao observar o sensível toque do pincel
carregando a tinta sobre a superfície do trabalho...

Qual foi sua formação artística?
Iniciei os estudos de pintura e desenho muito cedo em minha juventude no Rio.
Frequentei escolas de arte no Brasil e no exterior, ateliês de pintores e cursos avulsos onde nos quais desenvolvi a prática e a teoria do desenho, pintura em aquarela, acrílico, sumiê, gravura em metal, xilogravura e várias outras técnicas.
Pouco a pouco  foi  se definindo em minha pintura a preferência pela aquarela. As cores vivas, porém delicadas, sua transparência, limpidez e profundidade atraíram-me e encantaram-me,. A aquarela tornou-se minha técnica preferida, com a qual encontrei a melhor linguagem para expressar-me.


Que artistas influenciam em sua obra?
Passei por muitas fases e influencias em meu trabalho até chegar onde estou, dedicação total à aquarela, o estudo das cores, formas, pigmentos. Os aquarelistas são meu maior encantamento, isto é, mesmo que um artista pinte à óleo ou acrílico gosto de pesquisar suas aquarelas, transparências , cores.
Por exemplo, Cèzanne, que tem fantásticos trabalhos à óleo; quando examinamos seus estudos em aquarela podemos ver a “construção” de seu trabalho, suas dúvidas, suas tentativas e observações mais precisas... Na aquarela não há subterfúgios, vê-se tudo!...


Como você descreve seu trabalho? 
Meu trabalho dos últimos anos é uma serie de Mandalas em aquarela, exercício artístico que criei com finalidades terapêuticas.
Todo o o processo que me levou a criar este exercício terapêutico está descrito no meu livro “O CICLO DAS MANDALAS – Uma metamorfose em sete passos” – Ed. Antroposófica
 Meu profundo interesse pelo ser humano, sua mente e alma, me  levaram a estudar paralelamente outros temas e outras áreas, como filosofia e psicologia.
Que a arte cura nunca tive dúvidas, mas “quando e como” era um conhecimento que eu desejava aprofundar. Sentia fortemente os limites em que a arte contemporânea estava inserida e lutava em vão para romper.
 Apliquei este o novo exercício da metamorfose das mandalas em pacientes, alunos indicados por médicos e psicólogos que frequentam meu atelier. Ateliê artístico-terapêutico em sessões semanais
Os resultados mostraram-se surpreendentes, com relatos de vivências e experiências  nas quais a força para a superação de obstáculos interiores se apresentava agora, neles, forte e renovada.
 Atualmente continuo na divulgação deste método terapêutico através de cursos e palestras que dou regularmente em São Paulo.
 Veja meu site :

É possível viver de arte no Brasil?
Acho muito difícil viver de arte no Brasil,  principalmente para os aquarelistas! Creio que para ser reconhecido e entrar para o “circuito” é preciso conhecer as pessoas certas, pois há um grupo fechado que domina o mercado de arte.
Faz-se muito pouco movimento para a formação de publico, educação do olhar, conhecimentos mínimos para a apreciação de uma obra de arte (digo a mesma coisa sobre a musica e outras formas de arte).
 Assim o mercado da arte fica restrito à algumas pessoas de posses, que são ‘orientadas’ por alguns ‘especialistas”, sempre esperando que a obra vá se valorizar e gerar lucro ao investidor.
 No momento faço exposições meramente para divulgar meu trabalho terapêutico, mas não vendo minhas obras.

O que é o espaço Arandara?
O Espaço Arandara é o local onde funciona meu consultório e atelier terapêutico.
 Lá atendo pessoas indicados por médicos, psicólogos e outros especialistas da área da saúde, com a Terapia Artistica.
Lá também dou os cursos de aquarela em todos os níveis (introdução, aprofundamento e estudos de cores segundo Goethe e Johannes Itten)  Está localizado na rua Virgilio de Carvalho Pinto, 107 – São Paulo

Como funciona a terapia artística?
A pintura terapêutica, ou terapia pelas cores, baseia-se nas orientações de Rudolf Steiner,(filosofo alemão, fundador da Antroposofia) para propor uma atividade artística ativa que ordena as emoções, restabelecendo as forças internas na busca da cura das enfermidades do corpo emocional e físico.
 As forças nutridoras das cores, atuam, restabelecem o equilíbrio emocional e físico do indivíduo.
Nas atividades exercitadas pela pintura terapêutica buscamos, pela reprodução das cores do arco-íris, restabelecer a ordem no mundo imaginativo interior do paciente pela substância material do pigmento onde está incorporado o elemento espiritual da cor.
Na prática da Terapia Artística será sugerida uma sequência de exercícios de pintura para cada paciente, desenvolvidos a partir das solicitações de seu quadro clínico. Os trabalhos seguirão uma sequência de temas escolhidos pelo terapeuta, que procura traçar, pelas cores e temas, os caminhos mais indicados para cada caso.
Poderosos processos vitais entram em movimento quando uma pessoa exerce uma atividade artística como a pintura. Nesse ponto o terapeuta artístico dirige sua atenção para os processos que acompanham a atividade do paciente, e não para o objeto artístico criado.
A pintura terapêutica não dispensa qualquer outro acompanhamento médico
quando necessário. Pode também ser usado de forma higiênica por toda pessoa que deseje aprofundar-se em seu mundo imaginativo interior, desenvolver sua criatividade ou simplesmente diminuir seu nível de estresse da vida moderna.
A essência da cor acompanha a alma humana e nela os caminhos psíquicos se
deixam adivinhar.




O material nacional para pintura já tem boa qualidade?
 O material de pintura nacional para aquarela praticamente não existe! Somente os pinceis podem ser considerados de boa qualidade, mas são bem caros. Precisamos sempre usar papel e tintas importadas, não há como utilizar o correspondente nacional.
Na parte terapêutica, onde o compromisso com a durabilidade do trabalho é menor, há papeis e tintas nacionais razoáveis, mas é só!
Temos também o eterno problema dos fungos, que no nosso clima tropical-úmido não dá para ignorar.

Quais são seu planos futuros?
 Considero, pela minha idade, que já estou vivendo o futuro!
 No momento desenvolvo um projeto, junto com uma empresa de turismo que me procurou, onde serão feitas viagens de cunho cultural e terapêutico, com palestras, sessões de pintura, observação de temas, e outros sujeitos, dependendo do local a ser visitado.
No último ano fomos à Irlanda, este ano em julho vamos à Itália e há a intenção de irmos à Provence  no próximo ano.
Tenho alguns temas que desejo transformar em livros, isso vai me tomar bastante tempo!
Há muito pouca literatura sobre técnica de aquarela, em português.
Trabalho também com a formação de novos terapeutas artísticos, com palestras, estudos de casos clínicos e supervisão em estágios.



Mandala.



Mandala Musical.


Mandala VII.


Irlanda.


Irlanda. Trinity College.


Palestra na Sociedade Antroposófica. 


Palestra na Sociedade Antroposófica. 


Parque da Aclimação. Maio de 2016.


Workshop.








CURRICULO:
MARY PORTO
 Nasceu no Rio de Janeiro, onde estudou desenho no atelier do pintor Luís Almeida Júnior e no Instituto de Belas Artes (atual Escola do Parque Lage)
. Em São Paulo, cursou a Escola Brasil e frequentou os ateliês de Carlos Fajardo e Dudi Maia Rosa.

No exterior, estudou na Escola de Artes Gráficas L´Atheneum, em Lausanne (Suíça), e fez curso de aquarela com o norte-americano Claude Croney.

Participou de diversos cursos de gravura em metal, xilogravura e sumiê (técnica japonesa) no Brasil.

Em contato com a Antroposofia desde a década de 80,  graduou-se como terapeuta artística no Centro Paulus de Estudos Goetheanísticos (São Paulo).

Em 1996, fundou e foi a primeira presidente da 
AURORA - Associação Brasileira de Terapeutas Artísticos Antroposóficos, entidade que promove cursos, palestras e representa os profissionais dessa atividade.
 Atua como terapeuta artística em consultório próprio, em São Paulo – Espaço Arandara – R. Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 107 – Pinheiros – tel 11 999756289
Autora do livro “ O CICLO DAS MANDALAS – UMA METAMORFOSE EM SETE PASSOS” -  Ed. Antroposófica – exercícios em aquarela para aplicação terapêutica.
Atende como terapeuta em seu consultório em São Paulo, e dá palestras e cursos sobre o tema em diversas cidades do país.



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Maurizio Cattelan

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