segunda-feira, 30 de maio de 2016

Abstract - Jeff Chies Curadoria e texto de Silvana Boone Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim Caxias do Sul




ABSTRACT

Desde o início do século XX busca-se a verdadeira dimensão estética da pintura abstrata. Na força do gesto do artista é construído o sentido da soma entre cor e forma e a ativação de todo o espaço da obra onde, num primeiro momento, nenhuma das partes merece maior atenção do que o todo.
A exposição inaugural do artista Jeff Chies em Caxias do Sul, ABSTRACT, reúne muito mais conceitos do que cabe no seu título: abstração, ato, ação, síntese, extrato, redução, movimento. Inúmeras referências de estudo do artista manifestam o vigor da abstração: Franz Kline, Antoni Tápies, Cy Twombly, entre outros artistas que manifestam-se na produção artística não-figurativa contemporânea, e Paulo Pasta, mestre com quem Chies estudou em São Paulo, durante quatro anos.
No recorte conceitual desta exposição, manifesta-se o gesto vigoroso das linhas de Kline, referenciado nas composições em branco e preto que, ao seu modo, introduzem uma mínima carga cromática, quebrando a rigidez da ausência da cor.
Longe da realidade figurativa, o movimento não linear de grandes pinceladas evocam um percurso labiríntico entre azuis e azuis, vermelhos e vermelhos, azuis e vermelhos e os seus múltiplos tons sobrepostos. A linha em movimento - ou o movimento da linha - determina a ocupação do espaço. O espectador é convidado a transitar por zonas de experiências sensoriais e estéticas que ora manifestam-se como grandes manchas cromáticas, ora sugerem pinceladas caligráficas, aproximando-se de processos pictóricos de Cy Twombly.
Na materialidade da pintura, sua maior propriedade. A pintura é o próprio tema. A veladura sutil e articulada da sobreposição de camadas de cores opacas, onde o olho é por vezes enganado em uma profundidade inexistente, quase ilusão, provoca uma segunda mirada, mais intensa. Sobreposição de planos que remetem à imagem, o movimento em direção ao fundo da tela. Há que se ter o tempo para deter-se na experiência imersiva no espaço da obra.
Sua falsidade bidimensional, por vezes sugere novos planos para dentro da tela em artifícios visuais que provocam operações mentais. A pintura já não é uma janela, mas um portal de vibrações cromáticas e formais ativadas pela matéria e pela percepção do espectador.

Silvana Boone
Doutora em Artes Visuais
Curadora da Exposição ABSTRACT

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Maurizio Cattelan

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