quinta-feira, 28 de abril de 2016

Gabriel Giucci - Desvio na Porta Vilaseca Galeria Texto Crítico e curadoria de Daniela Labra.




Prezados, 

PORTAS VILASECA GALERIA tem o prazer de convidá-los para a exposição de GABRIEL GIUCCI, intitulada “Desvio”, com curadoria do artista e texto crítico de Daniela Labra, o qual segue abaixo. A mostra tem inauguração marcada para a próxima quinta-feira, dia 28.04.2016 a partir das 19:00h. Maiores informações no convite virtual reproduzido acima.

DESVIO

Esta reunião de homens de traje não é um encontro qualquer. Trata­-se de uma situação armada, construída por meio de uma das mais sofisticadas e tradicionais técnicas de reprodução da imagem do mundo moderno: o retrato sobre tela. Antes mesmo de insinuarmos notar algum posicionamento político do autor, Gabriel Giucci, pode-­se afirmar que o conjunto de trabalhos é sobretudo uma ode ao retrato e suas possibilidades estilísticas, mil vezes transformadas por mestres famosos ou anônimos ao longo da história da arte. Do Século XIV, quando a autonomia do gênero artístico se consolida, até o contemporâneo, são muitos os estilos e técnicas de composição que se instauram como fundamentos para retratar a face humana. Historicamente, o retrato deve enobrecer as características físicas do retratado, de modo a mostrá-­lo como alguém especial, seja pelo status que possui em uma comunidade, ou pela extraordinária singularidade, bela ou não, das suas feições. O retrato sobre tela, por ter como objeto indivíduos, possui ares atemporais, embora a indumentária do modelo ou mesmo a sua pose, possam oferecer boas noções do seu lugar de poder e da sociedade em que se insere.

Em DESVIO, Gabriel Giucci, artista virtuoso no desenho com grafite e técnicas mistas sobre papel, mostra o resultado do aprimoramento de métodos de pintura a partir do tradicional retrato, aliado ao desejo de comentar artisticamente fatos e registros da decomposição política no país, em curso há quase 18 meses. Para tanto, Giucci recorreu à pesquisa na internet ­ a fonte mais mundana e saturada de referências que a humanidade já viu, para escolher dali seus retratados. Assim, selecionou com precisão e apropriou-­se de imagens de políticos e empresários publicadas em sites de conteúdo jornalístico brasileiros para iniciar esta série, não finalizada, que dá título à exposição. Diante da potência das expressões dos homens que negociam o país, captadas primeiro por uma câmera à serviço da mídia mais espetacular, o artista por fim se lançou em uma obstinada labuta para alcançar obras primas.

Inspirado na máscara grega da tragédia, em Caravaggio, nos retratos de Rembrandt, Frans Hals, Jan Van Dyck, Edvard Munch e Francis Bacon, junto a referências mais remotas como o videogame, Giucci valoriza enquadramentos inusuais, experimenta texturas e palhetas de cor para tornar dramáticas e densas imagens de origem massificada que talvez ficassem relegadas ao estoque infinito dos bancos de dados. Desse modo, portanto, consegue subverter com estas pequenas mas vigorosas telas o pobre tempo de fruição do veículo midiático, incapaz de transmitir a força que emana de uma boa obra de arte feita para outros suportes. Ao mesmo tempo, o artista evitou replicar o retrato do modo mais convencional, frontal, o qual provou ser desinteressante do ponto de vista da narrativa teatral e detetivesca que foi alcançada neste conjunto. Otro dado que chama atenção é que embora toque no tema mais popular do momento, não esbarra no populismo. Seu pensamento vai além; é artístico e estratégico. Talvez por residir em Nova York há 3 anos, Gabriel Giucci se posicionou com um olhar crítico mas também distanciado, que lhe permitiu tomar partido abertamente pela pesquisa artística acima de toda ideologia ou da falta dela, algo que o resultado aqui não deixa dúvidas.

Daniela Labra



Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now