segunda-feira, 25 de abril de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Christina Amaral






Quem é Cristina Amaral?  
Nasci no Rio de Janeiro, em dia carnavalesco de um fevereiro, em 1950.Graduada em jornalismo com especialidade em áudio visual. Apesar de educada para ser independente, casei cedo e priorizei por algum tempo a educação de meus três filhos. Neste período, a fotografia embora sempre presente, ficou mais como objeto de estudo e diletantismo.

Como a fotografia entrou em sua vida?
Desde muito jovem tive gosto e interesse pela fotografia e era incentivada por meu pai que sempre me presenteava com modestas câmeras. Daí foi o início desta paixão que dura até hoje.

Qual foi sua formação em fotografia?
Muitos cursos de fotografia e muitos estudos. A abertura aos avanços e novas possibilidades técnicas que surgem a todo momento é fundamental.  O photoshop, o lightroom, por exemplo, apesar de alguns criticarem, vem como uma ferramenta importante e aliada. Além disso fotografar, fotografar e fotografar. Acompanhar exposições e os trabalhos dos colegas. Ver fotografia é a melhor forma de aprender e educar o olhar.

Que fotógrafos influenciam em sua obra?
Annie Leibovitz e os clássicos como Henri Cartier-Bresson.

Como você descreve seu trabalho? 
Me interesso por pequenas coisas do cotidiano. Meu olhar está sempre em busca de cenas, que pela simplicidade e pelo comum carregam uma carga emocional que bate no coração e no intelecto. Nos instantes em que estou diante da cena, me sinto o objeto, esqueço de mim, entro no outro e desejo com o meu clic captar a sua anima, que, no momento, é a minha também. Sou um racional sentimental. Quero na cena a dureza/leveza do dia a dia traduzida na dor/alegria da vida desta nossa cidade. Solidão, velhice e amor são meus temas recorrentes.

É possível viver de arte no Brasil?
Muito difícil, de modo geral. Principalmente no caso do trabalho autoral em fotografia. Tenho meu estúdio onde desenvolvo vários tipos de linguagem fotográfica que incluem teatro, books etc que me garantem minha independência financeira. Só com trabalho autoral seria impossível.
Mesmo com o mercado fotográfico saturado como é hoje, pela facilidade na oferta de equipamentos simples (o celular p.ex.) o cliente mais exigente busca por profissionais diferenciados por uma bagagem extensa e linguagem própria.

Quando você é fotógrafa e quando é artista?
O olhar é o mesmo seja qual for o objeto a ser fotografado. No trabalho comercial e contratado coloco também minha marca, minha estética, minha entrega, minha paixão e minha criatividade.

 Que comentários você faria sobre a fotografia nas artes plásticas?
A fotografia é um importante e rico instrumento para as artes plásticas, assim como o vídeo e os avanços da tecnologia digital.

Como você vê o mercado de fotografia no Brasil?
Ao longo das últimas décadas a fotografia de arte, no mundo, vem ganhando status e já adquiriu seu espaço nos museus de arte. A fotografia, como as obras de arte, já é vista como investimento, pelo valor futuro da obra e pelo prazer estético em poder vê-la sempre, que a posse da obra possibilita ao seu proprietário. No Brasil, esse movimento não é diferente na percepção de valor, mas ainda distante, muito distante, de ter uma demanda robusta. É bem tímido e incipiente esse novo mercado de arte.
Em relação à fotografia contratada, a oferta é numerosa e a competição é feroz. À exceção dos nomes feitos, o trabalho é árduo para se conseguir cliente e preço. Em tempos de crise, a dificuldade exponencia. Um fotógrafo iniciante precisa batalhar muito para ser reconhecido e poder fixar preços compatíveis com seu trabalho.

A durabilidade das fotos é adequada? É necessário cuidado especial?
 Essa é uma questão importante, que preocupa os fotógrafos. Preservar as fotos é preservar seu trabalho, é preservar a memória. O avanço rápido da tecnologia é uma faca de dois gumes. Se por um lado, melhora a qualidade do processo de impressão, do papel, da tinta e da armazenagem das imagens garantindo maior durabilidade, por outro ao tornar obsoleta a tecnologia anterior pode significar enorme perda das imagens armazenadas. É preciso estar atento às mudanças e quando isto ocorrer, há necessidade de migrar as imagens para a nova tecnologia, evitando perdas importantes. Vamos ver o que nos aguarda no futuro.

Quais são seus planos futuros?
Continuar a me dedicar a fotografia dando ênfase ao teatro e a obra autoral.
































CHRISTINA AMARAL
FOTÓGRAFA

amaralyamaral@gmail.com

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Maurizio Cattelan

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