sexta-feira, 22 de abril de 2016

Conversando sobre Arte Entrevista com a Artista Ursula Tautz








Quem é Ursula Tautz?
Eu sou Ursula Tautz da Cruz, nasci  no Rio de Janeiro, filha de pai brasileiríssimo e mãe, filha de alemães. Fui criada pela avó materna, cujo conhecimento de português se resumia à duas palavras: Ataulfo de Paíva e Abacabaxi.
Tínhamos uma boutique, inaugurada nos fervilhantes anos 60/70, em Ipanema e mais de 100 pastores alemães.
Estudei administração de empresas e moda… em 2005, entrei para A Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Como a arte entrou em sua vida?
 A criatividade foi cultivada pelas madrugadas adentro, em que montávamos as vitrines da loja, criávamos modelos, escolhíamos materiais, desenhávamos, pintávamos…e tratávamos os cães
A arte foi uma consequência natural, afinal o espírito contestador e as  percepções já estavam lá.
Qual foi sua formação artística?
       Dez anos  na Escola de Artes Visuais do Parque Lage com diversos críticos e artistas espetaculares como Ronaldo do Rego Macedo, David Cury, Glória Ferreira, Luiz Ernesto, Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale, Paulo Sérgio Duarte, Reynaldo Roels, Pedro França, Guilherme Bueno, Bob N, Marcio Botner, Iole de Freitas.    Hoje participo de grupos de estudos com Daniela Labra e Marcelo Campos. Meu trabalho é acompanhado há mais de dois anos por Isabel Portella. Muita troca, uma relação muito rica.
Que artistas influenciam em sua obra? 
Numa época de dissolução de fronteiras várias criações me atravessam. Me sinto influenciada por escritores, pensadores, diretores, poetas, cientistas e também artistas.
Entre eles: Edward Said, Gordon Matta Clark, Cildo, Doris Salcedo, Bernd e Hilla Becher, Stuart Hall, Heidegger, Freud, Ivan Izquierdo, Francis Alys, Godard, Bergman, Tunga, Sergei Parajanov.
Como você descreve seu trabalho? 
Sou uma artista de proposições multimídia, desenvolvo minha pesquisa através de vários meios, como fotografia, vídeo, objetos, instalações….
Em meus trabalhos abordo questões de identidade  e históricas, pesquisando as relações que envolvem o habitar e o pertencer.
Os espaços sempre  me atravessam, trazendo para o trabalho sua arquitetura e  história.
 Assim utilizo a (re) significação do espaço para o desenvolvimento dessas questões: a inquietação, um certo mal-estar permanente, condição pós-moderna de ser estrangeiro na própria terra. 

Que comentários você faria sobre sua atual exposição?
Participo da coletiva " Aquilo que nos une" no Centro Cultural da Caixa, aqui no Rio de Janeiro. Apresento a instalação  " Estamos todos tentando nos sentir em casa" com cinco balanços costurados uns aos outros por fios dourados.
São 23 artistas que tem seus trabalhos, que envolvem diferentes tipos de "costuras", potencializados  através das relações criadas  pela bela  curadoria de isabel Portella
É possível viver de arte no Brasil?
O mercado é muito restrito e cruel, mas sim, para alguns é possível.

Há uma cultura sobre o papel ser menos durável e muitos não compram, qual a sua opinião?
Acredito que  o fomento ao colecionismo venha transformando esta cultura.
Novos colecionadores sem acesso à obras fortunosas ou movidos por seu desejo (e não pela promessa de valorização), vem adquirindo também trabalhos em papel.

Como é a comercialização das instalações? Existe mercado?
Se o mercado de arte já é restrito, o das instalações mais ainda. Mas ele existe.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Afinidade. Acredito que um artista e uma galeria devem trabalhar juntos e portanto ter os mesmos interesses. 
A mulher e o homem estão em igualdade de condições no mercado de arte?
Não, como em qualquer mercado, estamos em desvantagem. Ainda….

Quais são seus planos para o futuro?
Ir para a Amazônia, pesquisar minhas origens paternas e descobrir novos  atravessamentos.


"Mas que as asas enraízem e as raízes voem"
Juan Ramón Jimenez
15 balanços em madeira (30x50) costurados ao chão com fios de ouro, 2015.










Aparecimento - 7 da série Estranhamento. Manipulação digital pigmentos minerais sobre papel fotográfico, 2014.





Aparecimento - 5 da série Estranhamento. Manipulação digital pigmentos minerais sobre papel fotográfico, 2014.



Fluidostática, 2015 18 balanços com 18 vidros de tinta para caneta tinteiro.





Fluidostática.



“Estamos todos tentando nos sen;r em casa” R. B. Kitaj 5 balanços (30X60cm) perfurados com os desenhos de GraLschatz Glatz / Ullersdorf an der Biele, Sta Cruz do Sul, Manaus e Rio de Janeiro costurados uns aos outros por 2000m de fios dourados Dimensões variadas 2016


Sobre Saudades ( Sem Lembranças ) para Televisores ou Saudações a Nam June Paik, 2014-2016. Vídeo instalação. Dimensões variadas.


Rio das Mortes, 2016. 22 telhas feitas nas coxas na região do Rio das Mortes /MG. Dimensões variáveis.


Ursula Tautz nasceu no Rio de Janeiro, onde vive  e trabalha

 Exposições Individuais

2015 I Fluidostática curadoria Isabel Sanson Portella I Galeria do Lago, Museu da República I Rio de Janeiro
           Laura Erber e Ursula Tautz  Martha Pagy escritório de arte I Rio de Janeiro
2007 I Aquilo que nos cabe daquilo que nos resta
Site specific work I Escola Alemã Corcovado I Rio de Janeiro

Exposições Coletivas
2016 I “Aquilo que nos une” curadoria Isabel Portella I Centro Cultural da Caixa I              Rio de Janeiro
Reminiscências curadoria Isabel Sanson Portella I CCJF I Rio de Janeiro
ADIV, volume 7 I Projeção de Vídeos Experimentais curadoria Marcos        Bonisson
2015 I Intervenções Urbanas ArtRIo 2015 curadoria Isabel Sanson Portella I  
           Jardins do Museu da República I Rio de Janeiro
           Estranhamentos curadoria Isabel Sanson Portella I CCJF I Rio de Janeiro
2014 I A questão do espaço curadoria Glória Ferreira e Luiz Ernesto I  Parque
           Lage I Rio de Janeiro
2011 I 10XUSO Inhame Residência I Rio de Janeiro
           Fuzuê   Largo das Artes I Rio de Janeiro
2010 I Ocupação  Praia do Flamengo I 116/ 402 I Rio de Janeiro
           Formatos Espaço Cranio I Rio de Janeiro
2009 I Coletiva  Espaço Cranio I Rio de Janeiro
2008 I Cético Assombro Parque Lage I Rio de Janeiro

Selecionada pelo programa “Olheiro Da Arte” pelo curador Fernando Cocchiarelli

Formação

2015 - 2016 I Grupo de estudos com Daniela Labra
2014 - 2016 I Grupo de estudos com Marcelo Campos
2013 I selecionada por Glória Ferreira e Luiz Ernesto e no Programa Projeto de Pesquisa 2013  EAV-Parque Lage
2010 I EAV - Parque Lage, oficina com Bob N e Marcio Botner
2009 - 2010 I  
          EAV – Parque Lage, curso “Arte Moderna” e “Arte contemporânea” - Pedro França e Guilherme Bueno
2009 I EAV -Parque Lage, oficina com Anna Bella Geiger e Fernando Cocchiarelli
2005 - 2009 I EAV - Parque Lage, oficinas com Ronaldo Macedo e David Cury
2009 I curso “Arte Brasileira, 1963-2008: Quatro Décadas de Contemporainedade” - Reynaldo Roels Jr.
2008 I EAV – Parque Lage, oficina com Iole de Freitas
           Curso “Moderna e Contemporânea. Passagens e persistências na arte hoje” - Paulo Sergio Duarte
2007 I Curso “Conceitos de História da Arte” - Paulo Sérgio Duarte
2006 I Grupo de estudos com Luiz Ernesto 
           Grupo de estudos com Alexandre Lessa
1997 -1999 I
           School of Visual Arts, Nova Iorque, workshops Design Experimental
1997 I Escola Superior de Propaganda e Marketing, Produção Gráfica


Coleções

Sybille Rohrmann /AL
Stephan Alexander /RJ
Carlos Forbes /SP
Lucia Meira de Lima /RJ
Ivo Minoni /RJ



Publicações

“O Centro em duas coletivas”, Daniela Labra
Crítica - Jornal O Globo, Segundo Caderno Artes Visuais, 21/03/2016

“Sólidos e Fluidos”, Marcelo Campos
Texto críticoRevista DASartes, edição 44, jan/fev 2016
“ O azul de Ursula Tautz e outras cinco indicações culturais”
Ilustríssima -Jornal Folha de São Paulo, 01/11/2015

Catálogo exposição Estranhamentos, 04/2015
Dica de artista, Daisy Xavier
Jornal O Globo, Segundo Caderno, coluna Artes Visuais, 30/03/2015

“Reflexão: Cronotopos Urbanos, cidades imaginárias”
Jornal do Comércio, 07/12/2012



Contato
ursulatautz@ursulatautz.com


Tel.  21 986467676                                  End.: R. Alberto de Campos, 125/301 – Ipanema 

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