sexta-feira, 4 de março de 2016

Galeria do Espaço Cultural Marcantonio Vilaça recebe a exposição “Mundo, Imagem, Mundo”, Brasília


A imagem e a construção de realidades: exposição internacional explora a influência da fotografia na formação das múltiplas visões de mundo
e o seu impacto nas relações humanas
Galeria do Espaço Cultural Marcantonio Vilaça recebe a exposição “Mundo, Imagem, Mundo”, que traz a Brasília mais de 80 trabalhos de 18 artistas de 12 países.
Obras fotográficas impressas e vídeos ocupam o espaço até o dia 18 de junho.

Entre os dias 17 de março e 18 de junho, o Espaço Cultural Marcantonio Vilaça do Tribunal de Contas da União, em Brasília, recebe MUNDO, IMAGEM, MUNDO, exposição que reúne cerca de 80 obras fotográficas impressas e 6 vídeos de 18 artistas provenientes de 12 países – Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Nigéria e Sérvia. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas, e aos sábados, das 14 às 18 horas. A entrada é gratuita.
O conjunto de obras apresentado em Brasília faz parte dos trabalhos selecionados a partir de convocatória pública empreendida em 2015 pelo Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte, FIF-BH, que recebeu, ao todo, mais de 1450 inscrições, vindas de 48 países dos 5 continentes. Além da dupla idealizadora do projeto – os artistas visuais mineiros Bruno Vilela e Guilherme Cunha –, também participaram da curadoria o crítico e ensaísta, Eduardo de Jesus, membro-diretor da Associação Cultural Videobrasil (SP) e professor da PUC Minas; e Patrícia Azevedo, artista e professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.
“Nos trabalhos são investigados os diversos mundos que coexistem, se sobrepõem e se tencionam em diferentes contextos sociais e históricos”, afirma Bruno Vilela. “As obras representam diferentes visões de mundo e visões sobre o mundo. A potência de muitas das imagens reside na forma como evidenciam o impacto e até mesmo uma certa fragilidade das estruturas de controle e poder vigentes, dissolvem barreiras ou discutem a apropriação de valores culturais e históricos, levantando questões e reflexões sobre a organização das sociedades – obras em que a poética da imagem converge com o pensamento político, sem serem panfletárias”, afirma Guilherme Cunha.

SOBRE / MUNDO, IMAGEM, MUNDO
O ser humano cria imagens e as utiliza como meio para construir, entender e propagar ideias. Elas influenciam as percepções e produções de realidades, gerando múltiplos entendimentos sobre as concepções possíveis de mundo. O processo de compreensão e construção de realidades está em constante movimento e transformação. Nos diversos contextos culturais estas visões coexistem, se sobrepõem, se intercruzam e se contestam. Essas constantes trocas entre o mundo, a imagem e o mundo  geram um intenso fluxo que impacta as relações humanas. A imagem se torna então uma ferramenta de poder, pois ela tanto organiza como desestabiliza realidades.
Gerar processos de reflexão sobre a produção imagética e suas influências no mundo, é o que pretende a exposição “Mundo, Imagem, Mundo”, que reúne 80 obras fotográficas impressas e 6 vídeos de 18 artistas provenientes de 12 países selecionadas a partir da convocatória internacional empreendida em 2015 pela segunda edição do FIF – Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte – evento bienal, idealizado pelos artistas visuais Bruno Vilela e Guilherme Cunha, que busca promover o diálogo entre a produção fotográfica de diferentes países, bem como o encontro entre fotografia e outros meios de expressão criativa.
Artistas em exposição: Akintunde Akinleye (Nigéria), Alban Lécuyer (Sérvia), Amy Elkins (EUA),  Boris Eldagsen (Alemanha), Cassio Campos Vasconcellos (Brasil), Claude Rouyer (França), Cristina Nuñez (Espanha), Daesung Lee (Coreia do Sul), Ivar Veermae (Alemanha), Katherine Longly (Bélgica), Léo Delafontaine (França), Luisa Puterman (Brasil), Marcela Magno (Argentina), Mario Pfeifer (Alemanha), Michael Lundgren (EUA), Nicola Lo Calzo (Itália),  Paul Thulin (EUA),  Ricardo Muñoz Izquierdo (Colômbia)

// AÇÃO EDUCATIVA
O pensamento e a reflexão sobre a imagem e o seu impacto nas relações humanas, propostos na exposição, serão ampliados com a ação do Programa Educativo do Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. O projeto de atendimento ao público visitante visa estabelecer um momento de diálogo, de inserção das obras em contextos possíveis, fornecendo acesso e subsídios para que o público conheça e reflita sobre Arte e o universo que a circunscreve.
O TCU conduz um programa educativo de visitação para alunos de instituições públicas do Distrito Federal, que inclui transporte fornecido pelo Tribunal. As turmas são recebidas de segunda a sexta, a partir das 9h no turno da manhã e, à tarde, a partir das 14h. Habitualmente, as turmas agendadas para o Espaço Cultural visitam antes o Museu do TCU, onde, recebidos por educadores, apreciam a exposição Casa dos Contos. Demais instituições, escolas particulares, visitantes espontâneos e outros grupos são atendidos, com ou sem agendamento e conforme a disponibilidade de educadores, nos horários de 9h às 19h de segunda a sexta-feira e, aos sábados, das 14h às 18h.
As visitas podem ser agendadas pelo telefone (61) 3316-5221.

ARTISTAS E OBRAS
Exposição MUNDO, IMAGEM, MUNDO

Abertura: 17 de março de 2016, às 19 horas
Visitação: de 18 de março a 18 de Junho // segunda-feira a sexta-feira, das 9 às 19 horas e aos sábados, das 14 às 18 horas.
Espaço Cultural Marcantonio Vilaça | Tribunal de Contas da União (Setor de Administração Federal Sul – SAFS Quadra 4, Lote 1 - Brasília/DF)

Akintunde Akinleye
Séries: Inside Nollywood  /  Oil Bunkerers
País: Nigéria   
Oil Bunkerers | No Delta do Níger, os moradores estão vendo, desde muito tempo atrás, o petróleo ser levado de suas terras ancestrais, gerando bilhões para as companhias petrolíferas estrangeiras e as elites da Nigéria, enquanto a população permanece pobre. Não é de admirar, então, que alguns tenham decidido retomar uma parte de volta. O roubo de petróleo bruto, conhecido localmente como “bunkering” se tornou um fenômeno durante os anos de militância contra a indústria do petróleo no início de 2000, e um meio de sobrevivência para muitos moradores locais.

Inside Nollywood | A indústria do cinema da Nigéria, conhecida popularmente como Nollywood, é uma das maiores do mundo. O fotógrafo da Reuters Akintunde Akinleye documentou a vida nos bastidores deste negócio prolífico, que lança no mercado um grande número de filmes, muitas vezes com orçamentos baixos. Produções de Nollywood não são populares apenas nos países onde eles são feitos, eles também têm um público cada vez maior entre os africanos que vivem no exterior, que desejam matar a saudade de casa. Muitos dos filmes são produzidos em inglês, mas também em idiomas locais – Yoruba, Hausa e Igbo.

Alban Lécuyer    
Série: Coming shortly: Sarajevo    
País: Sérvia    
Vinte anos após o fim da Guerra da Bósnia (1992-1995) Sarajevo enfrenta os mesmos problemas de outras cidades contemporâneas: como encontrar o lugar de cada um em uma sociedade marcada pela fragmentação (em distintos distritos, étnias, religiões ou entidades de classe)? Como olhar para o futuro de uma cidade que vem passando por profundas mudanças e onde os planos dos promotores imobiliários sobrepõem à realidade da paisagem urbana espaços gerados por computador? A série proposta por Lécuyer explora a distância entre a realidade da cidade e suas representações imaginárias, acionando o papel da consciência e da história na construção de um mundo sempre em transformação.

Amy Elkins    
Série: Black is the Day, Black is the Night    
País: EUA   
De forma poética e delicada a série de Elkins dá vida e visibilidade ao imaginário de vários homens que cumprem penas de vida e morte em prisões de segurança máxima nos EUA. A ideia da série partiu de um questionamento da artista em relação às noções de realidade, de auto-identidade ou mesmo das memórias que esses presos trazem do mundo fora do ambiente carcerário. Em 2009, Elkins começou a escrever para vários presos sobre estas ideias perguntando sobre os impactos dessa radical forma de isolamento. Além das cartas, o diálogo entre os presos e Elkins se desdobrou em uma colaboração que resultou em imagens que, de alguma forma, figuram o imaginário desses prisioneiros, as histórias e as perplexidades que eles experimentam.


Boris Eldagsen    
Vídeos: Poem  #67, #68
País: Alemanha
Em Poems, Boris se aventura em uma metafísica e um erotismo sem excessos. Não explora narrativas, um lugar ou uma pessoa, transforma a realidade do mundo. Criando relações espaço-temporais e imagens quase inacessíveis aos registros mais racionais, resta ao espectador se lançar em suas próprias profundezas.

Cássio Campos Vasconcellos   
Série: Viagem pitoresca pelo Brasil    
País: Brasil   
As fotografias apresentadas por Cássio Vasconcelos se inspiram nos pintores europeus que retrataram o Brasil no início do século XIX – como Johann Moritz Rugendas, Jean-Baptiste Debret, Hercules Florence, Conde de Clarac, Aimé-Adrien Taunay, Carl von Martius, entre outros – que, a partir de 1816, aportaram no Brasil com a Missão Artística Francesa, a Missão Austro-Alemã e a Expedição Langsdorff. O objetivo era estudar e retratar o Brasil, mostrá-lo ao velho mundo, que até então não tinha nenhuma referência visual do que havia por aqui. Assim, uma figura de Brasil começa a habitar um conjunto de representações, uma ‘imagem’ revisitada que atualiza o fascinante, o temeroso e o desconhecido.

Claude Rouyer    
Série: Chemins Maigrelets    
País: França    
As enigmaticas e instigantes fotografias de Rouyer parecem nos conduzir para o universo das florestas, fábulas e crenças populares que, de algum forma, refletem nossa relação com a natureza e sua influência sobre nós, criando uma intimidade, desejada ou tolerada, com o nosso ambiente e nossos entes queridos.

Cristina Nuñez Saleron
Vídeo: Someone to love    
País: Espanha   
O vídeo reúne, pela primeira vez, os mais significativos auto-retratos realizados ao longo da vida da artista espanhola Cristina Nuñez. Mostra a evolução de sua auto-imagem enquanto sua voz narra a própria infância e adolescência, relacionamentos conturbados com o um viciado em heroína e o entendimento da fotografia como uma ferramenta quase terapêutica.


Daesung Lee    
Série: On the shore of a vanishing island    
País: Coreia do Sul   
As imagens de Lee acionam sentidos delicados das noções de pessoa e de estar no mundo, o desamparo, a solidão inerente e a coragem frente ao desaparecimento inevitável. Revelam “o demasiado humano” e, sem qualquer drama, relatam o êxodo da população da ilha de Ghoramara, localizada no delta do Golfo de Bengala, na Índia. Devido ao expressivo aumento do nível do mar, resultante de bruscas alterações climáticas desde a década de 1960, as margens da ilha vem sendo constantemente cobertas. Nos anos de 1980 mais de 50% do território havia desaparecido devido à erosão, o que levou dois terços da população a abandonarem a ilha.

Ivar Veermäe    
Vídeo: Center of Doubt: Crystal Computing
País: Alemanha
Cristal Computing é um vídeo em torno de uma pesquisa sobre o centro de dados do Google em St. Ghislain, Bélgica, o maior centro de dados da empresa na Europa e o segundo maior do mundo. O trabalho refere-se à importância da materialidade e localidade na infraestrutura das grandes empresas ligadas à rede, o que muitas vezes fica escondido sob a retórica publicitária “da nuvem”. Desde o título, o vídeo aponta, por um lado, para as políticas secretas da corporação e, por outro, para o uso de subsidiárias como um método para a evasão fiscal. Aponta, em especial, para a consciência dessa materialidade e da retórica controversa da empresa, o que não poderia ser mais urgente.

Katherine Longly
Série: Abroad is too far    
País: Bélgica
O desenvolvimento econômico da China vem afetando diretamente diversos aspectos da vida cotidiana. A indústria do lazer experimenta um amplo crescimento impulsionado pelo poder aquisitivo da classe média e pelo desejo de descobrir o mundo. Com a ajuda de empreendedores, as autoridades chinesas encontraram uma maneira de saciar o desejo dos novos ricos de conhecer outros lugares. “Por que visitar Paris, se é possível ver a Torre Eiffel na China mesmo?” A reprodução de monumentos globalmente conhecidos é um gesto simbólico que atua na construção de complexos processos identitários na China contemporânea. Expressam, com isso, a dimensão econômica, política e ideológica de uma sociedade de consumo global que despreza as tradições locais.

Léo Delafontaine    
Série: Micronations   
País: França    





// SERVIÇO
Exposição “Mundo, Imagem, Mundo”
Abertura: 17 de março de 2016, às 19 horas
Visitação: de 18 de março a 18 de Junho // segunda-feira a sexta-feira, das 9 às 19 horas e aos sábados, das 14 às 18 horas.
Espaço Cultural Marcantonio Vilaça | Tribunal de Contas da União (Setor de Administração Federal Sul – SAFS Quadra 4, Lote 1 - Brasília/DF)

Imagens de divulgação: https://flic.kr/s/aHskv1XN3f
Outras exposições no TCU:
Casa dos Contos
Local: Museu do TCU – Ed. Sede do Tribunal de Contas da União
Exposição permanente
Visitação: de segunda à sexta-feira, das 9 às 19 horas

Entrada gratuita

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Maurizio Cattelan

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