terça-feira, 15 de março de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Leonardo Cosoy



Paulistano, nascido em 1943, Leonardo Kossoy se formou em direito pela Universidade Mackenzie, mas desde os anos 60 enveredou pela literatura e pelas artes visuais, vinculando-se a vanguardas culturais. Posteriormente, abandonou outras atividades para se dedicar exclusivamente à fotografia.
“Sua ligação com a poesia, com a obra de Jorge de Lima, confere um viés barroco trágico a suas imagens”, avaliou o crítico de arte Paulo Herkenhoff, que ressaltou o diálogo sustentado por Kossoy “com minúcias de grandes pinturas de Tintoretto, Tiziano ou Veronese”. Essas motivações interdisciplinares - entre a literatura, a fotografia e a pintura – confluíram numa fase mais recente para o estudo de elementos da obra dos pintores Caravaggio e Francis Bacon, principalmente nas definições de perspectivas, enquadramentos e iluminação.
Leonardo Kossoy sempre viaja para fotografar no Mediterrâneo, motivado por referências literárias e mitológicas. Nas correspondências entre fotografia e literatura, o olhar poético sobre a realidade conduz seu trabalho. Leitor dos relatos de viagens de Patrick Leigh-Fermor, aproximou-se da questão das fronteiras e dos viajantes, como expôs na sua mostra “Desoriente: o Eu nômade” (2006/2007). No Mediterrâneo, aprofundou ainda sua relação com a geografia, a história da arte e a fotografia nos recortes poéticos da realidade.
Kossoy já realizou as exposições “4 un-common places in Brooklyn” (2004), “Desoriente: o Eu nômade” (Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo e Rio de Janeiro - 2006/2007), “Espanhas” (Centro Cultural da Caixa do Conjunto Nacional - 2007) e a coletiva “Onde a Água Encontra a Terra” (2009/2011) – ao lado de Fernando Azevedo e Carol Armstrong -, apresentada no Masp em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, na Fundação Clóvis Salgado em Belo Horizonte, no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba e na Casa das Onze Janelas em Belém.Em 2012, a convite do curador e escultor Emanoel Araujo, integrou a exposição “A sedução de Marilyn Monroe”, no Museu Afro Brasil. Entre 2011 e 2013, Leonardo Kossoy desenvolveu a série fotográfica “Only You”, exposta no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), em 2014, com curadoria de Fernando Azevedo.
Como a arte entrou em sua vida?
Através da literatura. Quando comecei a ler fiquei encantado com as possibilidades de  visitar outras realidades. Daí a descobrir que estas eram uma criação foi um  pulo bastante rápido.Fui poeta e recebi um prêmio ,aos 18 anos, como revelação de jovem poeta. Ainda cometo alguns poemas. 



Qual foi sua formação artística?
Na literatura que comecei desde cedo. Nas artes plásticas um pouco com amigos e com um curso de gravura dado por Marcelo Grasmann e na fotografia  mais seriamente com o conhecimento da obra de Cartier Bresson, André Kertesz e outros.

Que artistas influenciam seu pensamento?
 Como disse acima, tive interesse nas obras dos fotógrafos europeus do meio do século 20.
Já então estabeleci uma relação entre fotografia e pintura que me acompanha  até hoje.Gosto também de cineastas que foram também influenciados pela pintura como Fellini, Visconti e outros.

Como você descreve seu trabalho?
Gosto de me referir a um entrelaçamento entre as artes visuais: pintura,fotografia, cinema, vídeo. Acho interessante discutir a ideia de que as artes visuais falam sobre criação mas a fotografia parece condenada a ser vista como um registro da realidade. Nada mais errado. A fotografia é uma arte criativa ao mesmo título que as outras. Pode ter uma aparência de realidade e até um compromisso com registros . 
Dou um exemplo. Vi recentemente na" Vanity Fair”uma matéria retratando um CEO de indústria farmacêutica. Numa pagina ele tinha a risca do cabelo do lado esquerdo da cabeça, acompanhando uma entrada de cabelo e uma sobrancelha mais levantada. Nas páginas seguintes a risca  com os mesmos detalhes estava do lado oposto. Qual é o real? Não importa. Todos são. Talvez até de forma subliminar entende-se que  isso é uma forma de mostrar quão duvidoso é o personagem. Este projeto exposto agora foi feito em estúdio com atores.

Fala sobre os laços entre as artes visuais como linguagens próprias mas aparentadas

e fala também de linguagens entre pessoas que as vezes se compreendem mas as vezes não.


É possível viver de arte com a crise atual?
Depende da vida que se quer levar. Sempre foi difícil viver de arte. Michelangelo e Caravaggio morreram pobres mas Rubens e Velásquez eram pobres e se tornaram ricos
com  a arte deles.
O mercado de arte está aquecido apesar das crises recentes. 

Qual a sua expectativa para sua atual exposição no Centro Cultural  dos Correios, RJ?
Espero ter um público numeroso e diverso. É o tipo de espaço que convida as mais variadas pessoas a ter contacto com arte.
Esse tipo de público me interessa muito pois vem ao encontro da minha opinião,a de que ninguém precisa entender de arte. Basta ter vontade de olhar.

 Como você financia os seus trabalhos em vídeos. Há mercado para eles?
Os meus videos são financiados com recursos próprios. São de baixo custo. Em geral só museus e instituições se interessam por adquirir vídeos.Os colecionadores raramente compram .

 Há uma critica sobre a durabilidade das obras em papel e fotografia. O que você. pensa sobre o assunto?
Existem obras em papel, desenhos , nankin, gravuras, etc. que se encontram em ótimo estado de conservação mesmo as que tem mais de 500 anoscomo os desenhos de Leonardo da Vinci e as gravuras de Dürer.
A fotografia também podem ser bem conservada como vemos em obras com  150 anos , dos irmãos Daguerre e do fotografo Nadar. É preciso respeitar alguns dados. O papel é muito sensível a luz, a fungos, a mudanças de temperatura. Pode ondular, descolorir, etc.
No entanto , bem protegido pode resistir indefinidamente.

 Qual a diferença entre um fotografo e um artista?
Nenhuma. Alguns fotógrafos se dedicam ao jornalismo e são menos preocupados com as questões da arte, assim como ótimos pintores de dedicam a publicidade. Cada um tem inquietações especificas, mas todos são artistas.

Algumas fotografia foram vendidas em leilões internacionais por milhões de dólares, que comentário você faria sobre o fato? 
A fotografia como outras artes pode ser reproduzida muitas vezes, é uma arte de muitas cópias em que ,a rigor, todas podem ser cópias e nenhuma um original.
No entanto considera-se no mercado que a de mais valor deve ser aquela realizada pelo próprio artista ou reconhecida por ele.
Ainda para ficarmos nesta questão do original ,é preciso saber quantas cópias o artista
costumava fazer .Eu, por exemplo, costumo tirar 8 cópias numeradas de 1 a 8 e com certificado de autenticidade.
Os preços do mercado variam conforme a raridade da obra , a procedência, a qualidade, etc.
A fotografia está atingindo esses valores porque. finalmente está sendo objeto de desejo e
está sendo admitida no mundo das obras que podem ser colecionadas .Claro que se trata de um mercado e que portanto tenha todo um acompanhamento dos valores de um mercado. Custo, status de quem compra, moda corrente, etc.


 Série Only You.



  Série Only You.




  Série Only You.




 Série Only You.




 Tókio.




Itatiba.



 Shangai.




 Nova York.




Araraquara.














Only You no Centro Cultural dos Correios, R.J.

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Maurizio Cattelan

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