segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Angelo Issa




Quem é Angelo Issa?
  Sou mineiro, nasci em Pedro Leopoldo. Estudei e trabalhei em Belo Horizonte, morei e trabalhei em Curvelo e retonei para Pedro Leopoldo, onde moro até hoje. Sou de uma família de 9 irmãos, filho de pai escritor e de mãe  professora de música. Sou casado e tenho duas filhas.
Desde criança gostava de desenhar e colorir,  mas acabei seguindo a carreira de engenheiro. Me formei em Engenharia Metalúrgica pela UFMG, fui trabalhar em uma empresa siderúrgica e participei de vários treinamentos no Brasil e exterior (Japão, Alemanha, França e Estados Unidos). Exerci a profissão de engenheiro durante muitos anos e neste período a arte sempre continuou me atraindo e me deixando inquieto. Só me acalmei quando consegui conciliar a minha vocação pela arte com a minha carreira de engenheiro.
Aproveitando a minha experiência empresarial escrevi o romance: "Parasitas e predadores", uma sátira sobre as atitudes comportamentais no trabalho em equipe, lançado em dezembro de 2012.
Como artista plástico, dediquei meu tempo de férias e minhas viagens a serviço no exterior, para visitar galerias, museus e participar de cursos de desenho, pintura e história da arte. Foi assim que consegui conciliar a minha profissão de engenheiro com minha paixão pela arte.
.
Como a arte entrou em sua vida?
 A arte não entrou em minha vida, ela nasceu comigo. Aos 4 anos de idade já mostrava inclinação para a arte, minhas professoras ficavam admiradas com os desenhos feitos durante as aulas. Minha mãe guarda em suas gavetas, até hoje, os trabalhos que fiz nessa época. Aos oito anos eu fazia as ilustrações em preto e branco para as crônicas que  meu pai escrevia para a revista Passarela (que foi a primeira revista lançada em minha cidade). 

Qual foi sua formação artística?
 Aos doze anos comecei a frequentar o atelier do artista Pacheco Silva, que era um pintor acadêmico Pedro Leopoldense. Foi ele quem me deu as primeiras noções de desenho e pintura. Mais tarde, participei do curso livre de desenho da Escola Guinard, fui aluno do professor Carlos Wolney. Participei também, durante um ano, dos cursos de desenho, pintura e história da arte na Volkshochschule da cidade de Düsseldorf, na Alemanha.

Que artistas influenciam em sua obra?
 O primeiro artista que mais me influenciou foi o Van Gogh. Não só pelas suas obras mas também por sua vida. Na minha adolescência li diversas vezes o livro "Sêde de viver " de Irving Stone. Depois dele li as cartas de Van Gogh a Théo, as cartas de Théo a Van Gogh e as cartas a Émile Bernard.
Alguns anos mais tarde, quando fui à Alemanha a trabalho, passei a ter contato com obras do grupo neoexpressionista e passei a admirar artistas como  Anselm Kiefer, Gerard Richter, Daniel Richter e Neo Rauch.
No Brasil, admiro muito o trabalho que vem sendo feito pelos artistas Miguel Gontijo, Adriana Varejão, Luiz Zerbini e Thiago Martins de Melo


Como você descreve seu trabalho?

Normalmente, escolho um tema, faço pesquisas sobre ele e desenvolvo uma série de obras relativas ao tema escolhido. Cada conjunto desta série de obras faz parte das exposições individuais que venho realizando desde 2009:
 2009 -  "Retratos Imaginários" – Galeria do Teatro Cidade, Belo Horizonte/MG.
2010 -  “Eu não matei Van Gogh” – Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, na
Biblioteca Pública do Estado de Minas Gerais.
2012 -  “Parasitas e Predadores” – Academia Mineira de Letras, Belo Horizonte/MG.
2013 -  “Acerca de” – Museu Inimá de Paula, Belo Horizonte/MG
2014 -  "Sentido Obrigatório" - Cine Theatro Brasil, Belo Horizonte/MG.
2014 -  "Silêncio..." - STJ, Brasília DF.
2015 - "Grandes pedaços de qualquer coisa" - Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, RJ.

Gosto de usar diferentes tipos suporte. A mudança de suporte facilita a mudança da maneira de elaborar as obras. Em "Acerca de..." utilizei réguas de cercas de velhos currais. Na exposição coletiva do Barroco à Transparência, usamos a chapa acrílica transparente como suporte. Em "Retratos Imaginários" e "Silêncio" usei o MDF, em "Eu não matei Van Gogh" telas com estrutura e em "Sentido Obrigatório" e "Grandes pedaços de qualquer coisa" usei tela sem estrutura.





É possível viver de arte no Brasil?
Eu concordo com a resposta do artista Warley Desali, a esta mesma pergunta,  em uma entrevista dada a etse blog no ano passado: "Sim, principalmente se você nascer rico e não precisar do dinheiro do seu trabalho pra sobreviver, o que é o perfil da grande maioria dos artistas plásticos brasileiros."


O material nacional para  pintura já tem boa qualidade?
No princípio, eu pintava a óleo e usava só material importado. Tive que mudar para tinta acrílica, por problemas respiratórios e, a partir desse momento, passei a usar material nacional (tintas e pincéis). As dificuldades encontradas hoje são causadas mais por minhas limitações do que pela qualidade do material.

Além de pintor você é escritor, como as duas artes se completam?
O prazer de escrever e o de pintar são muito semelhantes. Sinto o mesmo desafio quando estou olhando para uma tela em branco no cavalete como quando estou olhando a tela em branco de um computador. Tanto durante a pintura quanto durante o ato de escrever um livro, a obra flui como se eu estivesse vendo outro escrever ou pintar. A pintura e o texto vão surgindo, além de minha vontade, me surpreendendo a cada parágrafo a cada pincelada.
Mas o quadro, quase não precisa de correção quando está terminado. O livro, porém,  depois de terminado precisa de correções. São mas de 100 páginas que precisam se lidas e acertadas. E esse período é um bocado chato. Geralmente tenho de ler o livro uma centena de vezes. No final eu não consigo nem ler mais. Tenho de esperar algum tempo para poder voltar a corrigi-lo.



Que comentário você faria sobre o mercado de arte Belo Horizone
"... há ali artistas do passado que se agarram às suas crenças e negam todas a novas tentativas, há enfim os artistas do presente, cujo modo de ser atinge um pequeno sucesso, que se agarram a esse sucesso com unhas e dentes, brigando e ameaçando qualquer companheiro que se aproxima deles". Essa frase foi escrita por Émile Zola, no jornal L'Événement de Paris, em 1891. Penso que ela poderia ser usada nos dias de hoje para definir o mercado de arte em Belo Horizonte.




Como o artista pode se projetar no cenário nacional?
Certo dia li uma entrevista dos irmãos Coen (Joel e Ethan, diretores e roteiristas do cinema norte-americano). Questionados sobre o que sugeririam para alguém que quisesse fazer sucesso no cinema, eles responderam sem hesitar: "Morar em Nova York ou em Los Angeles." E isso nos Estados Unidos, um país infinitamente mais desenvolvido que o nosso.
No Brasil, se você não está nem no Rio, nem em S. Paulo, a sua chance de se projetar no cenário nacional será muito menor.


Qual a importância para um artista ser representado por uma galeria?
Hoje em dia o artista, além de seu trabalho, precisa fazer um trabalho de Marketing, desenvolver projetos para concorrer a leis de incentivo, negociar as obras, conseguir espaços para suas exposições e preparar as exposições. Se for representado por uma galeria, ele poderia dedicar todo seu tempo na produção de suas obras - que é o que ele mais gosta na vida.


Quais são seus planos para o futuro? Algo no Rio de Janeiro?
 Continuar pintando, escrevendo e buscando mercados em Minas e fora de Minas. Atualmente, estou com alguns amigos em um projeto de trabalho coletivo no Rio de Janeiro que deverá ser concluído e apresentado até meados do ano que vem.
Estou também terminando meu segundo livro, que é uma fábula sobre a liderança de equipes.








A Cerca de


A Cerca de.



Sentido Obrigatório.



 Sentido Obrigatório.




 Grandes Pedaços.



 Grandes Pedaços.




 Grandes Pedaços.




 Grandes Pedaços.


Grandes Pedaços.









Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now