terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Orlando Azevedo




Quem é Orlando Azevedo ? 
Nasci na Ilha Terceira/Arquipélago dos Açores Vivi nessa ilha a na Ilha de São Miguel até os nove anos.
Estava escrito. A ilha terceira está ladeada pelo Monte Brasil e com nove anos fui morar em Lisboa na Avenida do Brasil. Com 13 anos,  meu pai passa a integrar o corpo técnico da FAO quando vem para o Brasil em missão especial para junto de outros altos técnicos implantarem a primeira escola de engenharia Florestal do Brasil Desde cedo, que o interesse pelas artes e de modo particular a fotografia estão em mim como vocação.
Minha mãe além de excelente  poetisa era também pianista e desenhista
Com apenas 9 anos já possuía câmera fotográfica   e com 13 fiz meu primeiro curso e montei meu primeiro laboratório.
Durante o período de estudo de ensino médio em que cursei o clássico fui diretor cultural do grêmio estudantil quando promovi muitas palestras e organizava os salões de arte moderna e dirigia o jornal estudantil
No colégio passo a participar de uma banda de rock nos anos 60 e nos anos 70 com nova postura e participando em peças de teatro junto de Denise Stocklos
Este conjunto se torna a lendária banda A Chave cujos integrantes mantiveram sua formação original durante dez anos até que se dissolveu.
Foi a banda que iniciou Paulo Léminski no rock e que gravou sua primeiras composições no mercado fonográfico.Durante um ano desenvolveu com o poeta o projeto em Prol do Português Elétrico quando criaram dezenas de músicas que se mantém inéditas.

Como a arte entrou em sua vida? Qual foi sua formação artística? Que artistas influenciam em sua obra?
 A Arte nasce como vocação e de modo particular a fotografia. Sou formado em Direito que me deu uma sólida base de humanas e de seu entendimento e relação com o outro. Convivi com diversos artistas com os quais muito aprendi.Tais como Krajcberg e mesmo Poty  Lazarotto em Curitiba.
Participei de muitos cursos e vários módulos experimentais tais como a semana de arte moderna em Curitiba na escola de Belas Artes. Acima de tudo o relacionamento e vivência com outros artistas das mais diversas manifestações foram decisivos em minha carreira e saber
A Chave tinha como intenção criar um laboratório de comunicação de criação no qual todas as artes dialogassem vivências e experiências o que ocorreu com algumas vertentes tais como cinema,fotografia.som e texto e artes plásticas
Em artes gosto de tudo o que realmente me perturba.Mas gosto mesmo dos fotógrafos da Magnum, Larry Towell, Cristina Rodero e claro Koudelka,Salgado etc
Mas  não tenho nenhuma influência deles mas admiração.Não tenho ídolos mas pessoas que admiro. Duchamp .Os surrealistas e dadaístas.A fotografia Russell.Sou pirado pelo Kieffer e Tunga.


Como você descreve seu trabalho? 
Meu trabalho é obsessivo e visceral.Trabalho sem parar 24 horas vivendo fotografia e arte.Venho do mundo analógico e com super domínio e conhecimento do ofício
Hoje só fotografo praticamente com digital que me simplificou e muito a vida.Se estou em produção fotografo fácil uns 8 cartões dia de 8 gigas cada.Nem almoço.Fotografo direto.
Meu trabalho é múltiplo e diverso onde vários caminhos se apresentam e despontam.Em função disso decidi assumir mais dois heterônimos. Jacob Bensabat e Yury Andropov. Cada um assume um papel de representatividade de minha fotografia.No fundo todos são Orlando Azevedo mas com caminhos bem definidos e territórios de vivências. Cada vez mais uso menos equipamento Subi Pico da Neblina com 20 quilos de equipamento o que é insano. Quero usar uma só lente e uma câmera compacta. 
Uso cada vez mais o iphone que adoro.


É possível viver de arte com a crise atual?
Querer viver de arte é coisa de louco.O Brasil sempre tratou arte como caridade e indigente.Uma blasfêmia. Viver de arte sempre será muito difícil mas só acredito em artista inteiro e que vive seu modo de vida. Não é nem questão da crise atual mas como se encara o mundo da arte. Esse é um longo e tenebroso papo e discussão. Cultura sequer entra no elenco dos políticos e dos governos.
Mas quem dá identidade e verdade a um país são seus artistas Sou um sobrevivente de mim mesmo.
Mas vou em frente.

Que comentários você faria sobre a arte contemporânea em Curitiba?
Tem uma nova geração produzindo obras interessantes.Mas são muito poucos mesmo.Há mais gente preocupa com fama e visibilidade do que a invisibilidade da arte e sua metafísica.Na fotografia é muito mais complexo pois todos se acham fotógrafos
E não são nem fotógrafos e muito menos artistas.O tempo o dirá e mais da metade sucumbirá e desaparecerá.E só ter grana pra bancar seu status não segura.


De que maneira você pensa em se projetar no cenário nacional?
Desliguei da tomada.  deveria ter sido reconhecido em minha obra mas existem uma série de fatores outros. Um dia quem sabe? Sei que tenho respeitabilidade em meu nome e modo de ser e agir mas não aconteci.Não faço parte do circo. Sou uma referência indiferente. Por outro lado os tais dos curadores são uma indecência.Misturam o pessoal com o visceral.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Nem vamos entrar nessa questão.São muitas e muitas vezes sórdidas as questões.A galeria pode determinar um mercado mas não determina a existência de um artista nem sua qualidade.A história o dirá.

O que são os projetos de longa duração?
Projetos que envolvem envolvimento exaustivo.cada projeto meu tem uma média de quatro anos de execução.tem que ter muita garra e fé.Muita determinação.

Há uma crítica sobre a durabilidade das obras em papel e fotografia, o que você pensa sobre o assunto?
Qualquer obra de arte exige cuidados e mimos.Não só em papel. Claro que o papel é complexo em sua permanência existência.Mas são regras básicas para arte em geral.

 Quais são seus planos para o futuro? Algo para o Rio de Janeiro?
São muitos.sonho muito e não consigo realizar tudo o que sonho. Gostaria de ver minha obra reconhecida em sua multiplicidade Quero expor este ano em Sampa e Rio pelo menos
Mas estou mais preocupado em publicar meus livros.Tenho dez títulos para tentar viabilizar.
 Viva a arte e seu mundo aparte.































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Maurizio Cattelan

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