sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Álvaro Tomé.



Darth Vader, 2014. Acrílica sobre tela. 150x100 cm.


Quem é Álvaro Tomé? 
Nasci em Sete Lagoas, MG e moro atualmente em Belo Horizonte. Passei parte da infância em Sete Lagoas onde brincava muito na rua, as brincadeiras eram carrinho de rolimã, rouba bandeira, queimada, bolas de gude, bicicleta, etc. Passei minha juventude na cidade de Varginha onde também aproveitei bastante, pescarias e muitas festas.
Vim para Belo Horizonte no ensino médio e quando comecei a pensar sobre vestibular ouvi falar sobre o curso de Artes Plásticas que foi o escolhido e que me encaminhou para a produção atual.
Atualmente tenho um atelier em Belo Horizonte onde produzo e leciono técnicas de pintura e desenho. Trabalho com tintas acrílicas sobre tela, óleo sobre tela, aquarelas e atualmente estou produzindo esculturas em resina e fibra de vidro também.
Trabalhos são enviados para a Galeria Contempo em São Paulo e a Galeria Luhda no Rio de Janeiro. Fiquei noivo este ano e casarei no ano que vem com uma mulher maravilhosa. 

Como a arte entrou em sua vida?
Desde criança minha família percebeu que eu gostava muito de desenho, minha mãe diz que certa vez eu estava sentado no passeio de casa, peguei um pedaço de tijolo e comecei a desenhar um cachorro que estava na rua. Depois dessa e outras situações, me colocou em aulas de desenho, tinha oito anos de idade quando iniciei as aulas, desde essa época não parei de fazer aulas de desenho até o final da faculdade.

Qual foi sua formação artística?
Estudei a graduação em Artes Plásticas e a pós-graduação em Arte e Contemporaneidade na Escola Guignard-UEMG em Belo Horizonte. 

Que artistas influenciam em sua obra?
O pintor Charles Bell influenciou bastante, os artistas Cildo Meireles e Nelson Leirner com a visão bem politizada inserida nas obras, o autor Guy Debord com o livro "A sociedade do espetáculo". Oswald de Andrade com o manifesto Antropofágico.

Como você descreve seu trabalho?
Inicialmente trabalhava apenas com tintas acrílicas, posteriormente comecei a utilizar óleo sobre a pintura acrílica em algumas telas. Com o surgimento de uma ideia, aprendi a trabalhar com a tinta aquarela para uma série específica, contrastando a suavidade da técnica com o peso do tema. Nessa série, que utilizo imagens de pessoas vestidas de padres, a crítica é somente à pedofilia e não à religião.
 Na série dos bonecos de bolas de gude penso na relação mútua entre os personagens que encobrem as bolas e a deformação dos personagens pelas bolas, é nesta ocasião que a teoria do movimento antropofágico relaciona com o meu trabalho. O estrangeiro é devorado pelas bolas, transformado, como no Manifesto Antropofágico escrito por Oswald de Andrade, "Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem.". Inclusive em algumas das telas insiro imagens de elementos de telas da Tarsila do Amaral nos reflexos dos personagens.
 Na série das armadilhas abordo uma crítica à pedofilia. Insiro imagens de bichos de pelúcia em armadilhas para caça de ursos, tudo representado na pintura. 

É possível viver de arte com a crise atual?
A crise abala o mercado mas as obras continuam sendo comercializadas, pode ser em menor número mas é possível. Outra maneira de viver de arte, que é bem prazerosa é lecionar. Equilibro a produção e as aulas. Trocas de experiências e aprendizados com alunos além da grande pesquisa sobre artistas, pintores, escultores, etc. Tudo isso é muito enriquecedor.

Que comentário você faria sobre a arte contemporânea em Belo Horizonte?
Em Belo Horizonte temos duas escolas de arte muito boas e muitos artistas maravilhosos. Infelizmente as galerias da cidade não dão o devido reconhecimento para alguns bons artistas locais. Nos últimos anos a cidade abriu novos espaços muito importantes para a arte contemporânea melhorando bastante o circuito cultural.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Os salões são muito importantes para os artistas, mas nem todos são interessantes por não divulgarem bem ou não promoverem uma boa exposição, assim como não tomarem cautela com a integridade física das obras.

A sugestão para aprimorá-los é aumentar o número de selecionados com prêmio para todos e tomarem os devidos cuidados para não danificarem as obras. A produção de bons catálogos é muito interessante para os salões e os artistas.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
É uma pergunta complicada, não é apenas a qualidade na técnica ou nas ideias ou em ambos, também é necessário ter sorte por parte do artista. Por outro lado a galeria que abraça um artista também tem que ter sorte em começar a vender bem suas obras.

O Material para pintura nacional já é de qualidade aceitável?
Têm surgido materiais que me agradam bastante.

Você poderia descrever a sua passagem pelo Instituto Inhotin e a importância em sua formação?
Trabalhei durante aproximadamente dois anos no Instituto Cultural Inhotim, o que me proporcionou enorme aprendizado e contato com pessoas maravilhosas, dentre elas grandes artistas.

Quais são seus planos para o futuro? Algo para o Rio de Janeiro?
Pretendo continuar com as pinturas, começar a concretizar algumas ideias novas sem interromper as séries já iniciadas. Aumentar a produção das esculturas também é um dos projetos.
Comecei enviar trabalhos para a galeria Luhda no Rio de Janeiro há pouco tempo e pretendo enviar uma quantidade maior no ano que vem.


Sem título, 2015. Acrílica sobre tela. 150x150 cm.



Sem título, 2015. Acrílica sobre tela. 140x140 cm.


Sem título, 2015, Acrílica sobre tela. 140x160 cm.


Sem título, 2014. Acrílica sobre tela.


Série Armadilha: Hipopótamo, 2013. Acrílica sobre tela. 40x60 cm.


Série Armadilhas, 2013. Acrílica sobre tela. 40x60 cm.

Asterix, 2013. Acrílica sobre tela. 150x150 cm.





Aquarela sobre papel 70x90cm 2012

Sem título, 2008. 140x120 cm.


Batman, 2006. Acrílica sobre tela. 120x80 cm.


Sem título, 2012. Aquarela sobre papel. 70x90 cm.


Esculturas em resina, fibra de vidro, pinturas variadas e verniz automotivo, 2014-2015. Tamanho aproximado de cada: 25 cm.





CURRICULUM VITAE

Álvaro Augusto Fonseca de Oliveira Tomé - 1982

2013/2010 - Tutor - Curso de Especialização em Ensino de Artes Visuais - UFMG.
2008 – Supervisor do programa educativo na Casa Fiat de Cultura, exposição Amílcar de Castro.
2007/2005 – Educador de arte - Instituto Cultural Inhotim.
2006 – Disciplina Representação e Apresentação do mestrado em Artes Visuais -UFMG.
2006 – Pós-graduação em Artes Plásticas e Contemporaneidade – UEMG. BH - Escola Guignard.
2004 – Artes Plásticas – UEMG. BH (Bacharel). Escola Guignard.

 

Exposições e participações


ArtBH - 1ª Feira de Arte de Minas, MinasCentro - 2015
Dualidades - Galeria Contempo, São Paulo SP - 2014
42o Salão de arte contemporânea Luiz Sacilotto - Santo André - SP - 2014
Parte - Feira de arte contemporânea - Paço das Artes / USP - São Paulo – SP - 2013
Preâmbulo – Galeria Contempo , www.galeriacontempo.com.br – São Paulo SP – 2013
Padres Podres - Centro Cultural UFMG - 2012
Trabalhos publicados no livro “Pintura Além da Pintura”. 2011
Encontros e mestiçagens culturais, breve panorama da pintura contemporânea em Minas Gerais - Salão Diamantina – Centro de Artes e Convenções da UFOP – Ouro Preto - 2010
40 anos depois, Coletiva na Galeria de Arte da Copasa de BH – 2008
X, Coletiva no Centro Cultural da UFMG, BH – 2007
Pintura Além da Pintura, promovido pelo CEIA (Centro de Experimentação e Informação em Arte) Palácio das Artes, BH – 2006
Projeto Atelier Aberto no Centro Cultural da UFMG – 2006
Coletiva na Assembléia de MG, BH 2005
Coletiva de pinturas na galeria da Escola Guignard BH- 2004
Coletiva de fotografias na galeria da Escola Guignard BH– 2004
Premiado na VII Mostra Interna da Escola Guignard BH– 2003

www.alvarotome.com.br
Belo Horizonte – MG.
Tel: 31 3292-1229 ou 31 98959-0333.


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Maurizio Cattelan

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