quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Bernardo de Sá Earp


Quem é Bernardo Sá Earp?
Nasci dia 22 de julho de 1983 em Petrópolis. Com 7 anos me mudei definitivamente para o Rio de Janeiro. Comecei a praticar o surf com 9 anos, o que mudou minha vida. Em Petrópolis estudei no colégio Aplicação, que é o colégio da Universidade Católica de Petrópolis (UCP). No Rio, entrei para o colégio Santo Inácio. Terminada a escola, estudei na PUC-RIO dois anos de design, mas depois, cursei e me graduei em Filosofia.

Como a arte entrou em sua vida?
Meus pais se conheceram na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro, por volta de 1969. Meu pai trabalhou muitos anos, em paralelo à pintura, como programador visual e minha mãe, como professora de artes. Meus pais me deram total liberdade para minhas escolhas, mas foi um processo de amadurecimento que me fez ver a arte como uma parte de mim.


Qual foi sua formação artística?
Nas escolas pelas  quais passei sempre tive aulas de arte, mas naquela época era uma experiência lúdica. Mas, com 17 anos, entrei para faculdade de Design da PUC-RIO. Me decepcionei com a importância do mercado para essa “arte aplicada”. Não consegui engolir o fato de ter um trabalho, apesar de artístico, cuja função principal fosse comercial. Logo me apaixonei por filosofia e só depois de concluir o curso, voltei a desenhar e pintar, mais ou menos em 2007. Estudei, por um breve e importante período na Art Studentes, League em Nova York. Aprendi a ter de desenhar antes da pintura., ou melhor a desenhar usando tinta. Lá, estudei com a professora alemã Cornelia Foss, ligada ao Expressionismo.  Mas, só em 2012 comecei “uma nova formação” na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, gostaria de citar os mestres João Magalhães, Luis Ernesto e Gianguido Bonfanti.

Que artistas influenciam em sua obra?
As minhas maiores influencias artísticas estão na arte religiosa seja de Petrópolis ou Minas Gerais, que visitei muito quando criança. Uma coisa que me marcou quando criança, foram os vitrais da Catedral de Petrópolis e uma pietá numa igreja dos franciscanos. Mas atualmente, as maiores influencias são os expressionistas e os neo-expressionistas, e outros mais atuais, ao qual sinto mais afinidade. Poderia falar de Baselitz, Auerbach, Lucian Freud, mas também de Marlene Dumas, Elizabeth Peyton, Denis Castellas, Luc Tuymans, Francesco Clemente, entre outros.


Como você descreve seu trabalho? 
Me classificam como “expressionista”. Não gosto disso, quero ser independente. O motivo de me colocarem em afinidade com o expressionismo, acho que se deve ao fato de haver algo de trágico e dramático no meu traço, no meu fazer e no resultado. Pinto por que dói existir. E também por isso, pratico o Surf. Costumo pintar figuras femininas de maneira não realista, destorcidas, transbordando para além de sua individualidade, de sua identidade. É uma maneira de falar da sexualidade, fonte da vida, mas também, das dores existenciais .

Qual a importância da EAV Parque Lage em sua formação?
 O Parque Lage é fundamental. É ali que estão as pessoas, ou já passaram por ali. Fundamental para fazer, cada um, a sua rede. As aulas são incríveis, e o espaço é mágico. Penso agora no que Hakim Bey chamava de T.A.Z. . “Zonas Autônomas Temporárias”. Acho que isso é o fundamental no Parque Lage, a liberdade, com orientação. Ainda é possível descobrir o processo e o trabalho que cada um carrega e vai lá pra se re-descobrir.


É possível viver de arte no Brasil?
Espero que sim. Sou, como dizem, um jovem artista, buscando a independência financeira através da arte. Também dizem que não é possível viver de filosofia. Mentira. Há o seu espaço, a Academia. Acho que a arte está mais acessível. A partir do enriquecimento de um pais, de uma sociedade, passa a existir um tempo e uma disposição para se investir em trabalhos não materiais. Toda cultura, toda classe tem sua arte. E mais importante que tudo, eu sou feliz fazendo arte, e como conversamos no Parque Lage, é necessário correr o risco da arte. É aí que está o essencial, o resto não importa.


O material nacional para pintura já tem boa qualidade?
 Eu uso material nacional. As trinchas Tigre são ótimas, simples e boas, mas tenho usado muito bastão de óleo, só importado. Só encontro bastão  de óleo bom, importado.  Muitas das tintas são muito brilhantes, mas é uma coisa que a gente se vira. Sim, considero o material importado melhor, mas o nacional também funciona.  


O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Fazer arte e vender arte são coisas diferentes. As galerias vendem arte, e esse mercado é regido por algo muito misterioso: o que é “boa” arte ou não. Acho que é possível sim concordar sobre o que é “boa” arte, mas isso também pode ser muito relativo, como mostra a história da arte. É uma posição difícil de sustentar, a de que a qualidade da arte possa ser mensurada. Mas é por essa “qualidade” que se constrói um nome e uma reputação…e um preço.


O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Não sei bem. Por um lado, oferecem a chance de reconhecimento, financeiro e de exposição. Mas por outro lado, ficam em um circulo vicioso de quem já tem um currículo de exposições, ou que tenham um trabalho que agrade a certo conceito. É uma experiência que tenho que passar.


Quais são seus planos para o futuro?
 Desejo ter um trabalho bom, e se possível, ter um reconhecimento positivo. Quero estar em boas galerias, e , quem sabe, ir pra fora.



O artista com o trabalho apresentado na ArtRua.


O Amor Segundo Aristófanes, 2013. Acrílica sobre tela. 150x100 cm.                          

As Vezes me Sinto no Canto do Universo dos outros, 2013. Acrílica sobre tela. 163x83 cm.


Deserto na Multidão, 2013. Acrílica sobre tela. 160x120 cm.


Mulher Negra, 2015. Óleo sobre tela. 170x70 cm.


Bandeira Vermelha, 2015. Óleo sobre tela. 120x172 cm.



Duas Mulheres, 2015. Óleo sobre tela. 84x120 cm.



Mulher e Fundo, 2015. Óleo sobre tela. 120x73 cm.


Sem título # 2. Óleo sobre tela. 140x84 cm.

Sem título, 2015. Óleo sobre tela. 104x87 cm.


Ela, 2015. Óleo. 120x160 cm.




A paixão pelo surf aos 15 anos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bela entrevista com um artista que tenho observado de perto e arrisco dizer ser dos mais interessantes do atual contexto nacional, rumo ao reconhecimento mundial. Estamos de olho na sua arte, Bernardo Sá Earp. Obrigada pela entrevista.

Anônimo disse...

Bernardo Sá Earp é artista de corpo e alma, pensamento e essência. Suas criações são singularmente surpreendentes e emotivas, interessantes perspectivas são expressadas pelas combinações de cores que dão o tom de seu talento. Prosperidade ao artista!

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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