quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Carlos Bevilacqua




Quem é Carlos Bevilacqua?
Nasci no Rio de Janeiro em 1965, cresci na Tijuca. Três irmãs, meu pai engenheiro e professor universitário e minha mãe dona de casa e também professora. Tudo muito simples, escola, esporte, família, brincar na rua, ferias nos balneários cariocas (região dos lagos e serra). Brincadeira predileta: construir coisas.

Como a arte entrou em sua vida?
No colégio, tinha muitos amigos filhos de artistas e muitos já estavam envolvidos com cinema, teatro e musica. Eu não tinha talento pra nada disso. Então na faculdade de arquitetura descobri minha vocação plástica.

Qual foi sua formação artística? Qual a importância de seus estudos em Nova York?
 As primeiras aulas com Milton Machado e Jose Maria dias da Cruz abriram os trabalhos. Com Bolsa da Fundação Vitae cursei dois anos e meio numa escola de pintura, a New York studio school of drawing, painting and sculpture. O departamento de escultura era pequeno, posso dizer que aprendi mais nas aulas de desenho e nas palestras dos críticos convidados. Mas o que realmente me acrescentou mais que tudo, foi a oportunidade de frequentar o Moma, o Metropolitan, Guggenheim, Whitney, alem das centenas de galerias da cidade. Conhecer muitos artistas da minha geração de todas as partes do mundo e conversar. Interagir com tudo isso foi determinante na minha formação.

Que artistas influenciam em sua obra?
Todas esculturas que gosto me influenciam. Mas especialmente, vou pinçar: Franz Weissmann e sua visão espacial, Richard Serra seus primeiros trabalhos ainda com chumbo, o equilíbrio que ele encontrava com aqueles materiais pesados que passavam uma incrível sensação de leveza. O Calder também chamou atenção no quesito movimento. Duchamp também tem seu lugar. Mas  Brancusi e Giacometti são os mais importantes escultores do sec XX estou sempre as voltas com a obra desses dois.


Como você descreve seu trabalho?
Faço esculturas e todos os conceitos relativos a esse segmento da arte me interessam. Trabalho numa escala pequena, na delicadeza da ponta dos dedos, procuro sempre criar uma tensão entre os elementos da escultura e gerar uma vontade de movimento. Para tal faço uso da gravidade, do equilíbrio, de materiais e objetos, todos escolhidos com muito cuidado e atenção. Busco estruturas, não fico repetindo formulas bem sucedidas e variando as formas. A escultura esta sempre flutuando mesmo quando sai do chão. As obras estão carregadas com o potencial da escala, sempre, não importa o tamanho em que se apresenta. Como se tratasse de uma distancia não de uma tamanho.

É possível viver de arte no Brasil?
Uns conseguem outros não, a possibilidade existe.

Você é representado pela Galeria Fortes Vilaça em São Paulo, o mercado lá é melhor?
Todos os mercados são melhores em São Paulo, o de arte é só mais um.

As suas esculturas são muito especiais, de um custo elevado para elaboração, você é o financiador?
Não sei se são especiais, mas fico lisonjeado. Sim investi tudo que tinha no trabalho, mas trabalho com galeria desde cedo elas ajudaram e seguem ajudando. Mas você se engana quando diz que meu trabalho tem um custo elevado, minha escultura sempre teve dimensões pequenas, e uso materiais em muito pouca quantidade mas sempre com a qualidade necessária para responder a plástica que exige. Uso muito mais ar e isso é grátis. Não tenho ateliê, trabalho um tempo aqui e ali em pequenas salas, tenho uma oficina em miniatura que cabe em duas caixas de ferramentas. Meu ateliê é minha cabeça, não gasto um tostão para usar minha imaginação.

Você acredita em recursos públicos para o desenvolvimento da arte no Brasil? Alguma sugestão?
 Não é preciso recursos para fazer arte. Quem é artista faz arte com o que esta a sua volta. Você precisa de recursos para viver mas ai é outro departamento. Mas é sempre bom incentivos só é preciso tomar cuidado para isso não tomar o teor da inserção social pela arte. Seria melhor recursos públicos para ensinar as pessoas a ler e escrever primeiro.

Algo programado para o Rio de Janeiro?
Nada.

Quais são seus planos para o futuro?
Seguir trabalhando e sonhando em um dia ter um ateliê.



























Carlos Bevilacqua



Nasceu no [Born in] Rio de Janeiro, Brasil, 1965
Vive e trabalha no [Lives and works in] Rio de Janeiro, Brasil


Exposições Individuais [Solo Exhibitions]


2015            Let it go, Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
2013           Oceano Branco, Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
2011            Volta, Galeria Arthur Fidalgo, Rio de Janeiro, Brasil
2010            Dois,Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
  Simon Preston Gallery, New York, USA
2008            Módulos Eternos, Galpão Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
Simon Preston Gallery, New York, USA
2007            Por-si – Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil
2006            O Abraço do Tempo...Jazz [em colaboração com (in collaboration with) Ernesto Neto], Galeria Fortes Vilaça, São Paulo, Brasil
2003                 Fugato - Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, Brasil
Movimento e fuga - Galeria André Millan, São Paulo, Brasil
2001                 Junta Universal - Galeria André Millan, São Paulo, Brasil
2000            Não Toque / Projeto Novas Direções, MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil
1999            Evoluções da Forma - Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes,  Rio de Janeiro, Brasil
1995            Galeria André Millan, São Paulo, Brasil
1993            Front Gallery, New York Studio School, New York, USA
1992                 MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil
Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro, Brasil
1989            Galeria Macunaíma - FUNARTE, Rio de Janeiro, Brasil
1988            Galeria Espaço Alternativo, Projeto Macunaíma/FUNARTE, Rio de Janeiro, Brasil

Exposições Coletivas [Group Exhibitions]

2014           Maracanã, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brasil
          Prêmio Marcantonio Vilaça Funarte – obras adquiridas, Museu de Arte
          Moderna do Rio de Janeiro, Brasil                                                      
2010            Desejo da forma, Akademie der Küsnte, Berlin, Germany
Paralela 2010 – A Contemplação do Mundo, Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo, Brasil
2009            Um Mundo sem Molduras, MAC USP – Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, Brasil
                     Nus [Nudes], Galeria Fortes Vilaça & Galeria Bergamin, São Paulo, Brasil






                 
2008         Coletiva 08, Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil
2006                 Presente Liquido, Casa Andrade e Muricy, Curitiba, Brasil
Ciccillo, Acervo Mac/USP, São Paulo, Brasil
2005                 Educação, Olha, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brasil            
2004                 Espaço Lúdico, BNDES, Rio de Janeiro, Brasil
Infância - A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, Brasil
4 artists and I, Butler Gallery, The Castle, Kilkenny, Ireland
2003            Passaporte Contemporâneo, MAC – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil
2001            Arco das Rosas / O Marchand como Curador, Casa das Rosas, São Paulo, Brasil
Auto Retrato, MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil
2000            Novas Aquisições Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil
1999                 Salão da Bahia, Museu de Arte Moderna de Salvador, Brasil
1996            Esculturas no Paço, Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil
1995            15º Salão Nacional de Arte Contemporânea, Galeria do Século XXI, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil
1994                 Escultura Carioca, Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil
1993                 Home Allone, East Village, New York, USA
1992                 Summer Show, New York Studio School, New York, USA
1991                 Summer Show, New York Studio School, New York, USA
1989            O pequeno infinito e o grande circunscrito, Galeria Arco Contemporânea, São Paulo, Brasil
                        11º Salão Nacional de Arte, FUNARTE, Rio de Janeiro, Brasil
Rio Hoje, MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
1988                 Projeto Macunaíma, FUNARTE, Rio de Janeiro, Brasil
6º Salão Paulista de Arte Contemporânea, Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil

Formação [Education]

1991/ 1993            New York Studio School of Painting, Drawing and Sculpting, New York, USA

Prêmios e Bolsas [Grants and Scholarships]


2014                      Premio Marcantonio Vilaça  2014


1997 / 98               Bolsa de dois anos para desenvolvimento de projetos [Two years scholarship for developing projects] – UNIARTE, FAPERJ,  UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil
1995                      Prêmio de Aquisição [Aquisition grant],  Salão Nacional de Arte, Rio de Janeiro, Brasil


1991 / 92               Fundação VITAE: Bolsa para dois anos de estudo na [Two years scholarship at] New York Studio School of Painting Drawing and Sculpting, USA
1989                      Prêmio de Aquisição [Aquisition grant], Salão Nacional de Arte, Rio de Janeiro, RJ
1988                            Bolsa [Scholarship] Ivan Serpa, Funarte – Rio de Janeiro, Brasil


Coleções Públicas [Public Collections]


Fundação Nacional de Arte - FUNARTE, Rio de Janeiro, Brasil

Inhotim Centro de Arte Contemporânea, Minas Gerais, Brasil
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM, Rio de Janeiro, Brasil

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo MAC USP, São Paulo, Brasil

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Maurizio Cattelan

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