segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Ricardo Siri.




Quem é Ricardo Siri?
 Ricardo Mattos, Rio de Janeiro,22 de março de 1974, nasci em uma família de classe media carioca, 1 irmão, pais engenheiro e professora, tive uma infância maravilhosa bem tranquila, e viajava muito para interior e gostava da roça, plantar e jogar bola. Joguei futebol de Salão pelo Fluminense e Hebraica, mas nunca pensei em ser jogador de futebol, na adolescência andava de moto e surfava, mas já flertava com a música, sempre presente em minha vida.
Como a arte entrou em sua vida?
Queria ter uma bateria e como não podia compra-la construí uma  com latas de sorvete e restos de metais e panelas, acho que foi minha porta de entrada não só para música mas para arte.


Qual foi sua formação artística?Estudei música (percussão) brasileira, árabe, cubana,indiana...... e me formei na Los Angeles Music Academy  como baterista, Casei com Deborah Engel (artista) e comecei a frequentar o Parque Lage e conhecer diversos artistas plásticos. Vi alí a possibilidade de ampliar minha arte.
Comecei a pensar música diferente e fazer meus trabalhos próprios (Lancei 4 CDS autorais)
Minhas performances saíram do palco e foram também para galerias de arte.
Comecei a estudar Arte Sonora e ver as possibilidade do som.
Que artistas influenciam em sua obra?Acredito que a minha maior influência seja a própria vida e o olhar complexo do artista em coisas que se parecem simples. Mas, alguns artistas me influnciam não só pela arte , mas pelo modo de vida e pensamento.
Por isso acho que a artista que mais me influencia seja minha esposa sempre ao meu lado e trabalhando junto. A Deborah Engel.
Como você descreve seu trabalho?
Sou um artista inquieto, trabalhei como músico acompanhando artistas como Sivuca, MPB-4, Fernanda Abreu, depois lancei minha carreira solo em 2000. Foram 4 CDs autorais e ganhar o Premio da Música Brasileira em 2010.
Nesse período já fazia performances e alguns objetos de arte sonora.
Em 2010 fiz minha primeira individual, participei de várias coletivas e expor no Brasil e exterior.
Em 2013, fiz uma residência artística na Cité ds Arts de Paris. Comecei a fazer algumas esculturas com instrumentos que achava nas feiras de antiguidade.
Aprendi a soldar com metais e transformar esses instrumentos de sopros antigos em Objetos sonoros.
Acho que arte não tem limite, não sei o que vou estar fazendo no próximo ano e nem que material vou estar usando.
É possível viver de arte no Brasil?Sim, Aqui sempre parece mais difícil que na Europa e Estados Unidos, lá eles tem muito mais estrutura para fazer e ganhar a vida com arte, mas aqui temos a vantagem de conseguir tirar proveito exatamente por não termos essa facilidade.
É tirar leite pedra,.... isso pode tornar seu caminha mais difícil, mas mais interessante.

Você poderia conceituar Arte Sonora?Qualquer possibilidade de som, não precisa ser exatamente  o que seu ouvido escuta, mas também uma escuta pelo olhar e pelo corpo.

Como é o financiamento para execução dos trabalhos?Todo dinheiro que recebo através do meu trabalho de arte seja nas esculturas, nas obras, mas também na venda de CDs , direitos autorais , produção de trilhas, etc,....invisto na minha carreira como artista.

Há mercado para Arte Sonora?
Acho que a arte sonora está pasando por uma boa fase, até pelo esgotamento da música que é vendida pelo "mercado" musical por isso não vou muito por "Mercado". Consumo arte o dia todo, mais isso não quer dizer que compro. Tem muita gente que compra arte e não tem olhar para poder consumir.


Quais são seus planos para o futuro?
Viver dia a dia, sem pressa, passo a passo, viver bem e educar minhas filhas. Acho que isso já é um luxo.

Beijo 4.


Bigbang.



EnrolaEnrola.

Despedida.


Esfinge.





Metáleira.


S8Mix.


 Oroboro.
Siri - Serpente.






Des/construindo sons e metais


Uma acumulação contraditória de metais sobrepostos é o que o músico e artista plástico Siri parece querer nos apresentar nesta mostra... mas ela vai muito além disso.

Siri é um multi-instrumentalista que constrói seu discurso por meio da performance e da arte sonora. Cria, assim, objetos plásticos sintetizados na onda dos osciladores e efeitos sonoros em velocidades e trajetórias matemáticas, interativas, marcando seu domínio no controle do tempo real dos timbres eletrônicos, compondo objetos de êxtase e efervescência. Suas esculturas sonoras ressoam como disparos, replicados na multiplicidade dos metais retorcidos e várias versões moleculares e circulares dos mesmos.

Com trompetes antigos, trombones, cornetas prateadas e acobreadas, adquiridos em mercados de antiguidades em viagens ao exterior, o artista cria esculturas sonoras – as Metaleiras –, que parecem estar num movimento quase imperceptível, como se fossem saltar delas próprias, no aparecer e dissolver do status de escultura e onde a potência da operação artística com matérias anticonvencionais forma uma interconexão entre a experiência e o objeto. Ele nos convida à experiência simultânea de ouvir e ver. É ainda um mistério a clareza matemática do som, sua estranha distância – o som aparece ritmado e concatenado, passando de uma Metaleira a outra, e a outra... impondo-se na tensão entre a escultura da forma e a escultura enquanto espaço arquitetônico.

Siri cria texturas que denunciam uma prática guiada pela dinâmica de um processo inventivo de apropriação da música eletrônica industrial e artesanal. Essa exuberante inventiva extrai de instrumentos achados ou ganhos o que irá se transformar em pensamento escultural, porém denotando uma radical instabilidade. A casualidade da incerteza quase sempre aparece na impossibilidade de uma configuração perpendicular em balanço, perigosamente transitória e ao mesmo tempo equilibrada em suas margens, como que ativando intensidades e curiosidades inquietantes.

O artista trabalha com a obsessão do ajuntamento, até que, de repente, os metais se juntam entre si, em efervescência de movimentos, envolvendo espaço-tempo e criando outras temporalidades, outras espacialidades, ativas e assimétricas, positivas e abstratas, além de provisórias, fragmentadas, e uma minuciosa mescla de sons, compostos com intervalos de semitons que ocupam o espaço. São descontínuas e heterogêneas temporalidades que se multiplicam e concorrem com variadas esculturas, como operações duchampianas da prática da vivência do objeto.

Essa prática da identidade espacial e estética visual das Metaleiras faz reaparecer uma nova articulação e provoca uma inversão no que se conhece como escultura contemporânea. A estética de Siri trabalha a desestabilização e revitaliza as referências da escultura na justaposição estrutural ou seja, na dualidade da estratégia de justaposição de elementos que se subordinam ao critério estrutural da contemporaneidade. Nas “improvisações” de Siri, há uma desconstrução do som convencional em favor da construção de sons que saem de diversos microfones das Metaleiras, 1, 2, 3 e 4, numa verdadeira instalação plástica inserida na organicidade desordenada da experiência.

Big Bang é um emaranhado de cornetas, espetados como nos códigos cubistas.  Siri aplica uma grande variedade de técnicas compositivas da música culta experimental. O conjunto ultrapassa a fruição visual e constrói, ao mesmo tempo, sua força e sua fraqueza, dentro da dualidade destas peças como objetos plásticos e sonoros: delas ressoam dissonâncias efêmeras entre o improviso e a tonalidade, o andamento, a harmonia e a melodia, mostrando todo o rigor do conhecimento musical de seu criador.

Apesar de detentor do Prêmio da Música Brasileira 2010 e após sua passagem por Paris, o artista repensa sua trajetória e despolariza o campo musical para juntar-se à arte da escultura, assemblages de vitrolas como invenção de experimentos musicais. Na instalação Sincretismo sincronizado, os mais de 60 turíbulos deixam o espectador em estado meditativo. Ele cria um caráter peculiar na estruturação da percepção visual – uma nova inteligência musical de “plásticas sonoras”, nas interfaces interativas de semitons que nos levam a uma imersão sensorial – de cânticos religiosos, sons orientais, africanos, expressões de danças indígenas – mescla que estimula o visitante a entrar no objeto site specific, experimentando dimensões do sagrado, profano, divino e humano. Na sinfonia endereçada aos ouvidos e aos olhos, a instalação não é como utopia extraterrena, mas, antes, uma exigência do fazer, quando o presente irrompe com toda força, constituindo verdadeiros instantes, o tempo agora, o Jetztzeit.

O título da mostra e de uma das obras, Oroboro, é como a metáfora do renascimento e traz um trombone mudo, na forma de uma cobra cheia de significados. Dali emana um renascer de vibrações, na intensidade da forma e da estrutura simbólica, quando a arte fala do som como “plástica sonora” e na estética revelada em que a presença do som é alusão ao nada, toca para o vazio.

Em Rolaenrola, os trompetes permanecem em justaposição e se desdobram sobre si mesmos, vão e voltam de forma circular e a experiência é igual ao círculo do infinito, na ordem da criação e recriação de Oroboro.

O visitante vai se deparar com objetos/esculturas sonoras absolutamente singulares enquanto experimentos de espontaneidade criativa, unidos em espaços fenomenológicos, em segmentos de vários ângulos dos metais que assinalam o caráter da perfeição e constância de um instante. Ao se tornar visível, a própria poética encontra seu lugar para impulsionar a vida e energizá-la.

Cristina Burlamaqui

Julho, 2015





Artista sonoro Siri celebra o renascimento em ‘OROBORO’ na Galeria Mezanino


Multi-instrumentista constrói seu discurso através de performances e arte sonora


O artista sonoro carioca Siri apresenta sua exposição individual ‘OROBORO’ a partir do dia 11 de agosto de 2015 (terça-­feira), 19h às 22h, na Galeria Mezanino, em Pinheiros, em São Paulo. A mostra, que fica em cartaz até o dia 12 de setembro de 2015, passou, no primeiro semestre, pelo Espaço Movimento Contemporâneo Brasileiro (EMCB), no Rio de Janeiro. Neste segundo semestre, também acontece o lançamento de seu quarto álbum experimental “Je ma pele Siri”, desenvolvido durante sua residência artística na Cité International des Artes, em Paris.


Como o nome/título sugere, o simbolismo da serpente comendo sua própria cauda, presente milenarmente em diversas culturas remete ao renascimento, o novo. A partir daí, esse ato mágico de devorar-se e cuspir-se, seu trabalho não desassocia mais a “arte da vida” e nem a “música das artes visuais”. Suas obras ganham estruturas e formas em vídeos, fotografias, esculturas e principalmente na materialização da sua música, rompendo uma evolução musical do abstrato para o concreto, emergindo em um outro nível de existência representado pelo círculo do ‘OROBORO’.


Oriundo da música, onde começou em 1996 - já tocou com grandes nomes da musica brasileira como Sivuca, Hermeto Pascoal e Fernanda Abreu, entre outros,  o artista veio expandindo nos últimos anos para a carreira visual. Já realizou exposições e performances no Brasil e no exterior, como no museu Victoria and Albert Museum, em Londres; NBK Gallery, em Berlim e Portikus, em Frankfurt, ambas na Alemanha. 


Ricardo Siri

Nasceu em 1974, no Rio de Janeiro (RJ). Vive e trabalha no Rio de Janeiro (RJ). Percussionista por formação, em 1999/2000, graduou-se como baterista pela Los Angeles Music Academy, nos Estados Unidos, e aprofundou seus estudos de percussão indiana e africana na Sangeet World Music School (Pasadena/CA).


Em carreira solo desde 2004, lançou 3 CDs autorais e ganhou o Prêmio da Música Brasileira, em 2010. A partir de 2007, adentrou no universo das artes plásticas sem abandonar elementos constitutivos de sua experiência musical.


A exposição ‘Distorções’ (Casa França Brasil, RJ, 2011) por exemplo, é uma instalação sonora composta por diversas esculturas que podem ser reorganizadas e substituídas por outras peças em um processo análogo à dinâmica de alternância de membros em uma orquestra. Apresentou um carro Fusca como instrumento tocando sua lataria e motor, em outras instalações/performances, Siri substitui a pele de tambores e o som de instrumentos de sopro como tubas e trompetes condenados pela idade, por alto-falantes. A partir daí, em um processo que propõe ressuscitar os instrumentos, o artista faz composições únicas para cada peça, criando assim, uma base sonora para suas performances.


Foi selecionado para os projetos Rumos Itaú Cultural 2005/2006 e Programa Petrobrás Cultural 2007/2008. Participou do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica – FILE (São Paulo, SP/2007), VERBO – Galeria Vermelho (São Paulo, SP/ 2007), XVII Bienal de Música Contemporânea (RJ). Apresentou seu trabalho na Portikus (Frankfurt, em 2013), NBK-Gallery (Berlim, em 2013), V22 e Victoria and Albert Museum (ambas em Londres, em 2012), Centro Cultural Helio Oiticica (Rio de Janeiro, RJ / 2012), entre outros.


Realizou residências artísticas no Battersea Art Center (BAC), parte do projeto Olímpico - Rio London Ocupation (Londres, GB / 2012) e Cité International des Arts (Paris, FR / 2013).





SERVIÇO RÁPIDO

OROBORO- individual de Siri

o quê:  instalações, fotografias, esculturas sonoras e performance


abertura: 11 de agosto de 2015 (terça-feira), 19h às 22h

período: Até 12 de setembro de 2015 (terça a sábado, 11h-19h)

local: Galeria Mezanino 

rua cunha gago, 208 l pinheiros l são paulo l sp l 05421-000

tel: 11 3436.6306

quanto: grátis

classificação: livre

website: galeriamezanino.com






 

     “Je ma pelle Siri”; Começo pelo nome do CD que o artista Siri vem lançar neste ano de 2015, para abrir caminho para a sua exposição individual, intitulada “Oroboro”.

      O título escolhido por Siri para seu 4º CD me faz imaginar o artista dizendo:
 “Me chamo Siri e minha pele é; imagem, som e energia. Sou o que vivo. Sou um misturador de línguas. Um criador e reverberador de sons. Minha imagem é plural como os meios que uso.”
      Durante uma residência artística na Cite dês Arts de Paris, a partir de uma brincadeira linguística entre francês e português, o artista concede seu 4º CD “Je ma pele siri” Qual é a cor da sua pele?  e sua exposição individual “Oroboro”. 
Tudoaomesmotempoagora, uma uniso de palavras para definir a forma de trabalhar do multi artista Siri. Um ser inquieto, que transmite quase uma sensação de desconforto com o ambiente em que vive, que o leva para “outros espaços” mentais para uma propulsão criativa inusitada.
     Ao conversar com o artista, percebo que ele absorve e filtra o mundo para usá-lo como matéria prima. Bebe em diversas fontes e demonstra uma pluralidade de influências conceituais, espirituais, técnicas e sensoriais. 
     No mundo de Oroboro vivem “Turíbulos”,  que nos defumam com sons, “Metaleiras”,  que nos guiam ao entoarem seus mantras, “Serpentes” que sibilam seus pregos, e “Surdos” que encantam com suas vozes. Todos esses seres mágicos são obras, esculturas e instalações sonoras feitas com objetos e instrumentos novos, abandonados ou quebrados, que ganham vida, se misturam e se tornam outros. São obras que incorporam, por vezes, qualidades de pessoas ou animais, feitos de metal, madeira ou couro. Cada espécie com sua pele, sua “voz” e imagem. 
     A música que é própria de cada escultura sonora é  como a voz de cada um de nós, única. As obras foram criadas em grupos ou sozinhas e assim como nós, seres vivos, convive e dialoga com seus pares e semelhantes mas também com seres totalmente diferentes.
     Em “Oroboro” a serpente que devora a própria cauda gera uma forma circular,  como o desenho da exposição, onde todas as obras dialogam entre si, e unidas formam uma grande instalação sonora, em Loop.
     Percebo em Siri uma sinestesia em forma de sincretismo linguístico. Como falar a língua dos olhos e escutar o som do movimento cíclico de se transformar a cada dia. Vejo a atitude inquieta que pertence a esse criador como amplitude de manuseio de materiais para gerar novos sentidos a elementos que nos cercam. Imagino o artista como um caçador de histórias em sonoridades vibracionais. Sua identidade é mimetizada em suas obras e performances, em seus discos e falas. Alcançam nossos olhos, mentes e almas.
Sua pele é Siri (…)
texto de Gabriela maciel sobre a exposição individual de Siri, OROBORO.
Depois de mais de uma década como músico e performer, o e artista multimídia e cada vez mais visual, Siri, mergulha em renovação. Como a imagem do Oroboro (forma circular milenar, de uma cobra mordendo sua própria cauda), o artista “devora” seu passado para se renovar.
Abre sua individual com a força alquímica do título, marcando o progresso de seu caminho nas artes visuais. Revoluciona suas próprias visões para estar de uma forma um tanto diferente, criando obras não só como uma instalação sonora mas como corpos que tem vida independente de seu grupo;  Ao “mudar de pele” Siri trilha novos caminhos com suas esculturas sonoras.




2 comentários:

antropoantro disse...

Achei as obras do artista muito interessantes. Pena não poder vê-las pessoalmente.

antropoantro disse...

Agradeço ao Márcio, todas suas publicações no blog do Antropoantro. Sílvia Matos

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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