quarta-feira, 15 de julho de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com a artista America Cupello.


Autorretrato com Máscara 



Quem é América Cupello?
Sou niteroiense, modéstia à parte. Nasci em 60. Sempre fui tímida, observadora, mas também exibicionista. Na adolescência passava o tempo a escrever; poesias, contos, queria ser escritora.  Nunca havia pensado em ser fotógrafa.  Foi na universidade que experimentei a fotografia pela primeira vez, e o que aconteceu por acaso, acabou virando amor, obsessão.
Como a arte entrou em sua vida?
Na primeira infância ganhei uma coleção de livros, todos ilustrados pela artista  Gladys.  Minha mãe comprava muitos livros para mim. E, aconteceu, que aquelas ilustrações e  personagens da Gladys me impactaram imensamente.  Até  hoje volto a estes  livrinhos, e continuo a me surpreender com eles.
Qual foi sua formação artística?
Fiz faculdade de Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense.  E foi durante a disciplina de fotojornalismo, que iniciei na fotografia. Solicitada a fazer uma reportagem, consegui  uma câmera emprestada para fotografar.   Ao invés de fazer o registro jornalístico convencional, escolhi um amigo para posar e criei meu primeiro tableau, que envolvia um modelo, cenário, não tinha nada a ver com reportagem.  Inventei uma cena e fotografei um personagem dentro de uma piscina vazia.  Apesar de ter escolhido fotografar uma ficção, ganhei dez na disciplina, o que foi uma surpresa e tanto.   Minha primeira foto, e o tônus da fotografia encenada já estava lá!  Anos depois, fiz Mestrado em Ciência da Arte, na mesma universidade, e realizei um ensaio  que trata de fábulas e fotografia: as Fotofábulas. Entre 2006 e 2010, cursei o Doutorado em Artes Visuais, na Universidade Federal do Rio de Janeiro com uma tese que trata da fotografia encenada.
 Que artistas influenciaram sua obra?
Man Ray, Cecil Beaton, Madame Yevonde ,Guillermo Del Toro, Jorge Luis Borjes, Os irmãos Grimm, Gladys, Hans Christian Andersen, Angela Carter, Emily Dickinson, Leonora Carrington, Remedios Varo, Max Ernest, Geraldo de Barros,  Lilian Bassman, Farnese de Andrade,, Duane Michals, Minor White, Bernard Faucon, Ralph Eugene Meatyard e  Hiroshi Sugimoto,  
Como você descreve seu trabalho?
Meu foco sempre foi o viés teatral, a cena, a ficção.  Gosto de preparar os sets, escolher locações, fazer croquis, pensar em personagens.  Sou uma fotógrafa que gosta de poeira, de câmeras antigas, mas que convive muito bem com a tecnologia, a imagem digital. Agrada-me fazer uma fotografia mais lenta, em que o desejo de habitar o espaço fotografado possa ser vislumbrado; viver junto as minhas ficções e personagens, sem descartar os acasos.
É possível viver de arte no Brasil?
 É possível sim. No meu caso, vivo para a fotografia.  Trabalho com fotografia, pesquisa, textos para artistas, curadoria.  
Homens e mulheres já estão em igualdade de condições  no mercado de arte?
Nunca percebi diferenças.  Acho equivocado o posicionamento de instituições  que  acentuam diferenças entre homens e mulheres, e que fazem isso por meio de curadorias e editais.  Este tipo de posicionamento acaba  tornando-se um verdadeiro clichê,  que  nada acrescenta  ao artista, e muito menos a  arte.       
As fotos são consideradas pouco duráveis, o que você poderia comentar?
Hoje temos a nossa disposição materiais de qualidade museológica (papeis, etc), que podem durar 100 anos ou mais.    Já os arquivos digitais precisam de mais cuidado, pois as mídias em que são gravados não possuem a mesma durabilidade, podem ser corrompidos ou tornarem-se incompatíveis, de uma hora para outra, devido ao avanço tecnológico.  É importante, para garantir esta durabilidade, ter várias cópias de um mesmo arquivo, por exemplo.  
Os salões de arte, os concursos ainda são validos?
Acredito que são válidos. Lembro-me de minha experiência, e de como foi importante participar do Concurso Internacional de Fotografia da Nikon, no Japão. Naquela ocasião obtive o segundo lugar, com um retrato da cenógrafa Marie Lousie Nery, em seu estúdio nos anos 90.     
Quais são seus planos para o futuro?
Desejo publicar livros com minhas series fotográficas e textos.  Estou preparando  uma exposição individual para o final deste ano, na Galeria da Universidade Federal Fluminense, com fotografias, objetos e instalações. Estou fotografando uma  serie, que esta em andamento, intitulada Madona-Macchina.  Este trabalho,  envolve pessoas e bonecos, animado e inanimado retratados juntos, numa espécie de engrenagem, um tema que há muito eu almejava aprofundar.     Mas o que realmente  importa, é continuar a fazer o que mais gosto, fotografar, escrever, produzir, estar com os amigos,  e  aprender sempre.   



Alice através do Espelho 


Little Wonder


Crisálida


Mulher Avestruz




Kazuo.


Série Madona Macchina, Madona Adal , a Colheita.  


Série Madona Macchina, Floração Noturna. 


Serie Madona Macchina, sem título.


Homem Sereia.



The storyteller​

Um comentário:

Teruko Monteiro disse...

Surpreendendo-me a cada foto: America Cupello é Artista-Fotógrafa!!!
Teruko Okagawa Monteiro, admiradora de quem se esforça e vence.

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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