sexta-feira, 10 de julho de 2015

Arte contemporânea que tem como ponto de partida o acervo de azulejos históricos da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

No próximo dia 16 de Julho às 18.30h acontece a dupla inauguração de exposições de arte contemporânea que tem como ponto de partida o acervo de azulejos históricos da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.




O PADRÃO IRREGULAR

A exposição O padrão Irregular, com curadoria de Daniela Zurita, Isabel Gómez e Rui Luís apresenta trabalhos de Bruno Miguel Serra Sousa (Portugal), Diogo Machado (Portugal), Fábio Carvalho (Brasil) e Rodrigo Vila (Portugal).


 
Rodrigo Vila - 2015
Uma das dicotomias mais fascinantes que definem a vida nas cidades é a relação entre o público e o privado e como esta tem mudado ao longo do tempo. Em Lisboa, os azulejos tradicionais traduzem visualmente esta dicotomia. O caráter decorativo inerente aos azulejos passou do domínio do privilégio privado de clérigos e nobres para o domínio público do quotidiano e imaginário de todos os cidadãos e turistas da cidade.

Tomando como ponto de partida a coleção de azulejos da Faculdade de Belas Artes, esta exposição vem refletir sobre o valor privado que antes tinham os azulejos de padrões que foram usados como elementos ornamentais e de ostentação no interior de palácios, Igrejas e conventos onde só os mais privilegiados podiam desfrutar das suas cores e formas que proporcionavam e ainda proporcionam verdadeiras experiências do sublime.

 

Fábio Carvalho - Aposto | Transfusão-Transfiguração - 2015
A história dos azulejos também tem a sua relevância na esfera pública quando o seu uso passa a formar parte das fachadas dos prédios no período liberal do século XIX. Desde esse tempo até agora tem sido uma das características principais de Lisboa. Tentar imaginar esta cidade sem azulejos pode parecer estranho, mas a verdade é que esta situação começa a ser uma realidade quando se repara no fenômeno cada vez mais grave do furto de azulejos para serem depois vendidos nas diferentes feiras da cidade. Esta compra de azulejos roubados, curiosamente, torna um bem público num objeto privado, criando aqui uma inversão da situação anterior, quando o uso dos azulejos nas fachadas democratizou esta arte.

É aqui que a arte contemporânea se funde com a arte dos azulejos dos séculos XVII e XVIII. Com o trabalho dos artistas convidados não se trata de comprar pedaços da cidade ou azulejos roubados, mas interpretá-los e apropriar-se deles de uma maneira simbólica numa criação original.

Bruno Miguel Serra Sousa, Diogo Machado, Fábio Carvalho e Rodrigo Vila reinterpretam estes trabalhos numa reflexão sobre várias questões contemporâneas como a degradação, o vandalismo e os roubos constantes de que são vítimas os azulejos históricos de Lisboa.


ACASO/DESCASO
A exposição Acaso/Descaso, com curadoria de Cristiane Herres Terraza e Maria Manuel Dominguez apresenta trabalhos de Alexandre Mancini, Fábio Carvalho e Ricardo Junqueira, todos do Brasil.

 

Ricardo Junqueira - Resquício - 2015
Todos os três artistas irão apresentar intervenções em painéis de azulejos dos séculos XVII, XVIII e XIX da Faculdade de Belas Artes, antigo Convento de São Francisco. Os artistas, por serem todos brasileiros, oferecem uma possível reflexão sobre as relações de Portugal com os territórios de além-mar na construção das suas identidades culturais.

As intervenções acontecerão em três espaços distintos, espalhados pela FBAUL. A intenção deste percurso em detrimento da realização de uma exposição das obras num único local é promover uma ampliação no olhar, na medida em que o espectador pode acompanhar a arquitetura da faculdade, e traçar as suas relações históricas com o uso desta forma de arte na construção de uma tradição e identidade no presente edifício.

A exposição Acaso/Descaso, oferece assim um diálogo entre a arte e arquitetura, o tradicional e o contemporâneo, o acaso e o propositado, o descaso e o zelo. Todas estas relações não se configuram unicamente como contrastantes, mas como partes de uma mesma realidade complexa materializada em cada um dos núcleos expostos.

No dia 22 no mesmo local às 18h acontece uma mesa redonda sobre DESAPARECIMENTO DE AZULEJOS POR FURTO E FALTA DE CONSERVAÇÃO, organizada pelo projeto SOS AZULEJO.

Serviço:exposições O Padrão Irregular e Acaso/DescasoFaculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa
Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal
Telefone: 21 325 2100

Projeto desenvolvido no âmbito do Curso Livre de Práticas Curatoriais com as docentes Luísa Arruda e Luísa Santos. Apoio da CAPES ­ www.capes.gov.br


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Maurizio Cattelan

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