sexta-feira, 12 de junho de 2015

Conversando sobre Arte entrevistado o artista Henrique Neiva.



Quem é Henrique Neiva? 
Nasci em São Francisco no norte de Minas Gerais em 4 de abril de 1952.
Sou “barranqueiro”, mas foi criado em Belo Horizonte desde os nove meses de idade.
Vivi minha juventude nos anos de 67 a 72 entre Belo Horizontes e o Rio de Janeiro, convivendo com nomes que hoje brilham no nosso mundo artístico.
Fui professor de Hatha-Yoga (formado e discipulado por Georg Kritikós, (Sri Sarvananda) na primeira turma de professores de Yoga em Belo Horizonte). Praticava Yoga desde os 14 anos.
Casei em Janeiro de 1975 e mudamos para Maringá-PR, onde criamos um núcleo de Yoga Integral, com muito sucesso em todo o norte paranaense.
Em Maringá-PR  nasceram meus três filhos.
Em 1980 retornamos a Belo Horizonte, formado em Educação Física, e lecionei em escola pública e particular.
 Em 1983, troquei a área de educação física pelas artes plásticas, quando foi trabalhar como coordenador de recreação, arte, esporte, cultura e lazer no Fundo Cristão para Crianças, (Christian Children Found Inc.) nos centros sociais mantidos pela entidade em Belo Horizonte.
Aprendeu, fazendo e ensinando às crianças e adolescentes assistidos pelos Centros Sociais.
 Nessa época, comecei os seus estudos e pesquisas na área da pintura e a experimentar técnicas, com a intenção de conhecer os segredos das tintas e das cores.
De 85 a 94 dediquei-me também à serigrafia montando um estúdio e produzindo arte em moda e decoração. A partir daí, intensifiquei na pintura abstrata.Ampliei meus conhecimentos, participando de cursos e workshops com vários artistas, aprimorando técnicas e um curso livre de pintura –Modulo II – na Escola Guignard em Belo Horizontem.
Por volta de 1990, uma professora da minha esposa, na UFMG, conhecendo um site que eu possuía, percebeu muita influência de Antoni Tàpies nos meus trabalhos, que até então não o conhecia e me enviou um livro de arte de Tàpies. Achei incrível e me identifiquei totalmente com as obras e a filosofia de Tàpies que virou meu ídolo, “guru” e minha principal fonte de pesquisa, com a preocupação de não copiar nada, mas sim inspirar.
Foi então que percebi que na nossa casa não havia nenhum quadro nas paredes e nada  de arte. Comecei então a pintar nas horas vagas, quadros para minhas paredes.
Certo dia recebemos uma visita de uma grande amiga, decoradora que ficou surpresa com aquelas telas e perguntando de quem era a autoria, quando ficou sabendo que eram pintadas por mim , ficou mais surpresa ainda e insistiu para comprar uma delas. Eu nem sabia nada sobre preço, e na verdade achei que era muita gentileza desta amiga, para me elogiar.
A seguir, semanas depois, surgiram em minha porta, algumas decoradoras colegas desta amiga, para conhecer meus trabalhos e compra-los. Aí percebi que a “coisa era séria”, rsrsrsrs. Sempre viam mais decoradoras para comprar meus trabalhos.
Comecei então a pesquisar o mercado de arte em BH e me situar.
Passado um tempo, a filha desta decoradora amiga, foi na minha casa para me dar “uns toques” e preparar um portfólio, que eu nem sabia que era necessário. Ela, a Tina que era proprietária de uma agência de publicidade, contratou um fotografo profissional, especializado em fotos comerciais e montaram para mim um “Sr” portfólio. Aí começou a minha “saga” rsrsrsrsrs
Comecei a peregrinação pelas galerias de arte em BH. Muitas portas fechadas, mas não desanimei, pois então já tinha o aval de vários críticos de arte que me deram confiança. E você sabe, realmente quando se trabalha com amor e dedicação o seu trabalho flui.
Eu sabia que o meu trabalho, modéstia às favas, era muito bom. Entrei em contato com o SIAPEMG (Sindicato dos Artistas plástico de Minas Gerais) para informações de como me preparar profissionalmente. Ótimos contatos e amizades com a diretoria participava das reuniões e com o tempo acabei eleito como Diretor de Promoções e Assuntos Culturais– 2000/2003 e Membro do Conselho Diretor do Instituto de Comunicação Visual e Artes Plásticas de Minas Gerais – ICOVISAPMG- 2000/2003.Foi um tempo de muito aprendizado no sentido de como funcionava as Artes Plásticas em BH e Minas Gerais.
Não me considero artista, mas pintor. Aí apareceram as galerias que acreditaram no meu trabalho. Participei então de várias exposições individuais e coletivas em BH. A partir desta época estou sempre aprendendo...
No início de 2004, recebi um telefonema da Alemanha, de uma jovem senhora que estava fazendo uma pós-graduação lá e esta pessoa quando estava no Brasil, ia sempre as minhas exposições e já tinha adquirido vários trabalhos nestes anos. Eu nem me lembrava muito dela e o marido. Ela me relatou que teria um festival internacional de artes na cidade de Magdeburg e que ela tinha visto algumas telas numa galeria e disse que meus trabalhos com certeza eram muito bons e que fariam sucesso. Disse ela que eu enviasse fotos para o pessoal responsável pelo festival, e que eles já tinham acessado meu site e ficaram interessados em que eu participasse da seleção. Eu realmente pensei que era um “trote”. Mas o “negócio” era sério. Mandei fotos de alguns trabalhos via net. Mandaram então cartas, não e-mails, para que eu procurasse o Consulado Alemão em BH, com todas as diretrizes, etc. Cartas de apresentação do festival, para que eu conseguisse patrocínio para enviar trabalhos (9) e seguir viagem para Alemanha. Enfim corri feito maluco atrás de patrocínio, governamental (estadual e municipal) já que representaria o estado e a cidade na Europa. Mas só recebi promessas. Nada!
Galerias que me representavam, não acreditavam, queriam saber por que eu e não as com todo o respeito “vacas sagradas”. Mandei uma comunicação através do consulado que infelizmente não poderia participar por falta de patrocínio (grana). A direção do festival ficou indignada  com o descaso em que fui tratado.
Mandaram a DHL ao meu atelier e cuidaram de todos os trâmites e transportaram meus trabalhos. Recebi também passagens, etc. etc.
Para encurtar a conversa, realmente foi um sucesso. Duas obras minha foram selecionadas e a galeria comprou as outras sete. Estas duas telas voltaram comigo.
Este foi o 4º Festival Internacional de Arte de Magdeburg – Alemanha –Artista Selecionado.

IV-Internationales Kunstfestival Magdeburg – Deutschland

Agosto/Setembro – 2004.

 Depois vieram os convites para voltar e convites para passar uma temporada em Lisboa, o que fiz algumas vezes nestes anos que seguiram.
Já tenho 78 trabalhos produzidos e vendidos na Europa.
Como não sou “marqueteiro” só agora trago isto a público.
Continuo, agora sem galeria e sem representante (faz muita falta), mas trabalho todos os dias com arte, pintura.
Vendendo ou não, eu estou produzindo arte. Tipo operário. Todos os dias pintando ,criando, estudando, pesquisando...
Tenho também um pequeno laboratório de perfume e cosméticos. Sou perfumista e a minha firma (não registrada, informal) se chama Perfume.com. Arte e é o meu principal e único patrocinador.
Eu não faço arte para vender... Vendo... para fazer.

Como a arte entrou em sua vida?
 Creio que já respondi acima.Depois de Deus, da minha família (tenho três filhos e três netos e uma esposa maravilhosa).
Arte é a coisa mais importante em minha vida!
Transcendental! Não consigo ficar sem contato com tintas, telas e pinceis e... música... muita música... Não me considero artista, mas pintor.

Qual foi sua formação artística?
Sou Autodidata. Ampliei meus conhecimentos, participando de cursos e workshops com vários artistas, aprimorando técnicas.
Estou sempre aprendendo... pesquisando muito técnicas, materiais, testando muito e não tendo medo de errar. Se erro, faço de novo (e erro muito, rsrsrsr).

Que artistas influenciam em sua obra?
 Antoni Tàpies O grande Mestre! Outros mestres que influenciaram a minha pintura: Joan Miró, Mark Rothko, Paul Klee  , Franz Marc, Wassily Kandinsky, Jackson Pollock, Kasimir Malevich, Antônio Bandeira, Lygia Clark, Victor Vasarely, Piet Mondrian. Antón Lamazares,  muitos outros. Não poderia deixar de citar Arcangelo Ianelli, que tive o privilégio de conhecer em SP e me impactou muito.


Como você descreve seu trabalho? 
 Eu aprofundei na pesquisa de meu principal material, o minério e também utilizo outros materiais como cimento, terras, ceras, cristais de quartzo, pó de mármore, pedras, palhas óxidos ferrosos, vernizes, pigmentos naturais, folhas de ouro, prata e cobre.
 Uso sempre, muito relevos e texturas nas minhas abstrações.
J.S.Bach, Mozart, Vivaldi, Handel, Albinoni, Mendelssohn, Brahms, Verdi, Gounod, Haydn, Schubert, Debussy estão presente em minhas obras, minhas pinturas.
 São “parceiros”, assim também como a Bossa Nova e música clássica indiana, Jazz e Blues em fim as boas músicas.

ASSUNTOS DISCUTIDOS
Abaixo transcrevo críticas que traduzem quase que literalmente o meu trabalho nestes anos todos.

Henrique Neiva
“Traduz sua trajetória através de obras abstratas de conceito estético inconfundível e tem demonstrado uma coerência estética e uma têmpera artísticas incomuns”.
Ele é o artista plástico que, usando o material terroso (incluindo os minérios) e o orgânico, cria poemas e louvores a Deus.
 Sobre texturas áridas e ouro, relevos e muros (muitos muros, velhos muros, rugosos, musgosos, em ruínas), Henrique Neiva pinta e modela, como cânticos, sua permanente fascinação pela história do homem.
“O artista sobre o qual estou falando, há muito tempo já dominou a técnica pictórica e o emprego dos recursos estéticos”.
Guiomar Lobato, historiadora, crítica de Artes.
                (Membro da ABCA (Associação Brasileira dos Críticos de Arte)). 2003

É possível viver de arte no Brasil?
 Sim. Mas, atualmente, como em todas as áreas, tudo, (mesmo sendo um eterno otimista) esta bem difícil.

O material brasileiro para pintura já tem qualidade suficiente?
Sim, melhorou muito. Uso algumas tintas importadas, mas também faço minhas tintas com pigmentos naturais e químicos. Gosto dessa "alquimia".


O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Contatos.Trabalho sólido. Sempre ser visto. Divulgar a produção.
“Quem não é visto, não é lembrado”.



O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
 Aqui no Brasil, participei muito pouco. Acho errado todas as despesas ficarem com os artistas. Sobrecarrega muito, onera demais os artistas, acabam dificultando a participação de excelentes artistas que não tem uma estrutura financeira por trás. Mais patrocínio do comercio principalmente galerias de arte.

Como você avalia a arte contemporânea em Belo Horizonte?
 Muito bom! Vários artistas (cidade que tem muitos artistas, bons artistas). Atualmente todos são artistas!kkkkkk

Quais são seus planos para o futuro?
 1-Continuar a estudar, pesquisar, e produzir minhas telas. Dar continuidade ao meu trabalhoEstou sempre com uma série recém-terminada (trabalho todos os dias). Sem a preocupação de vender ou não. A minha motivação não é financeira. Como disse, tenho que vender algumas obras, para produzir mais obras.
2-Perfumar a cidade. (Perfume.com.Arte)
3-Continuar a estudar teologia (pois a gente não termina nunca o saber. Quanto mais sei, vejo que nada sei). Sou protestante, reformado, calvinista, presbiteriano.
4-Perseguir a sabedoria e o conhecimento
5-Curtir os meus netos, que são presentes de Deus para mim, uma das razões por que não saí definitivamente deste país.
6-Ainda espero uma oportunidade no meu país principalmente no Rio e São Paulo, para mostrar e divulgar o meu trabalho.
7- Aguardo ser “descoberto “por pessoas realmente do ramo das artes plásticas”. É muito difícil e quase impossível, administrar à carreira sozinha.
 Tenho guardado um grande acervo, dezenas de obras, pois ainda não encontrei representação.Tenho uma dificuldade imensa em vender os meus trabalhos artísticos, (é como se fossem filhos). Cada dia eu gosto mais de uma tela e me apego a elas então quando vou vender é um sofrimento. rsrsrsrs. Gosto mesmo é de produzir, criar.



Amazon, 1986. Técnica mista. 100x60 cm.



Alliance, 1989. Técnica mista. 0,90x1,25 cm.



Casa, 1989. Técnica mista. 50x70 cm.


Sem título.1989 Técnica mista sobre compensado naval. 90x120x5 cm.


O Anjo do Senhor, 1998. Técnica mista. 80x100 cm.


Adon Olan, 1999. Técnica mista. 80x100 cm.

São João, 1999. Técnica mista. 137x90 cm.


Muros XI, 2000. Técnica mista. 90x140 cm.


As Quatro Estações, 2002. 80x100 cm.



Muros XXV, 2002. Técnica mista. 90x120 cm.

Muros, 2006. Técnica mista. 90x130x5 cm.

Sem título, 2012. Técnica mista. 80x120x5 cm.

Sem título, 2014. Técnica mista. 90x120x5 cm.

Sem título, 2014, Técnica mista sobre compensado naval. 90x120x5 cm.






Spes Mea in Deo Est
Shema Yisrael Hashem Elokeinu Hashem Echad…
Am Yisrael Chai
Sola Scriptura
Sola Gratia
Sola Fide
Solus Christus
Soli Deo Gloria




 Algumas críticas do meu trabalho:


“Sarça Ardente”

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