sábado, 23 de maio de 2015

Fábio Carvalho abre a exposição individual REJUNTE na Galeria Pretos Novos

Fábio Carvalho abre a exposição individual REJUNTE na Galeria Pretos NovosAção artística nas fachadas de Lisboa em exposição na Gamboa

A exposição Rejunte, de Fábio Carvalho, com a curadoria de Marco Antonio Teobaldo, será inaugurada no dia 27 de maio, às 18 horas, na Galeria Pretos Novos. Obras inéditas e registros da ação artística em Lisboa, realizados a partir da intervenção urbana Aposto, no qual o artista criou novos padrões de azulejos impressos a laser sobre papel, que foram aplicados com cola de amido em fachadas de prédios lisboetas onde os azulejos originais haviam desaparecido por deterioração ou vandalismo. Foram 35 dias e 300 peças aplicadas em 45 pontos de intervenção. Os "azulejos de papel", ao mesmo tempo que causam um certo estranhamento ao olhar, podem ser por vezes facilmente confundidos com os azulejos originais. Os projetos de arte urbana de Fábio Carvalho atuam como pequenas inserções, que invadem o espaço e ganham uma força maior ao tensionarem o que já estava lá.

Tudo começou a partir dos trabalhos da série Delicado desejo, formados por um patchwork de rendas diversas, produzidas originalmente para serem aplicadas em roupas femininas. Neste caso, elas são combinadas em formato de armas de fogo em tamanho real, contrapondo a delicadeza natural do material com artefatos normalmente associados à virilidade bruta. Na exposição Rejunteserão apresentadas 4 peças desta série: 3 pistolas e 1 fuzil modelo AR-15. De acordo com o artista, sua produção atual procura questionar o senso comum que reforça a incompatibilidade entre força e fragilidade, virilidade e poesia, masculinidade e vulnerabilidade, propondo uma discussão sobre estereótipos de identidade de gênero. 

A série Transpostotrabalho inédito desenvolvido especialmente para a exposição Rejunte, parte de azulejos e fragmentos de azulejos portugueses coletados pelo artista em caçambas de lixo de Lisboa, resultado de restos de obras de remodelagem das antigas casas de finais do século XIX e início do século XX. O material foi inserido em moldes com cimento, de forma a se criar "pedaços de parede", como se tentasse resgatar uma memória daquilo que estes azulejos um dia foram por tanto tempo, antes de serem descartados. Sobre estes "pedaços de paredes" foram colados os mesmos "azulejos de papel" usados na intervenção urbana em Lisboa. O curador Marco Antonio Teobaldo acompanhou pessoalmente a ação artística em Lisboa e ressalta que com este trabalho inédito surge uma transposição das ações urbanas de Lisboa para o Rio de Janeiro, através de azulejos e simulacros de azulejos que vieram na bagagem do artista, em seu caminho de volta para o Brasil. 

O artista propõe ainda uma ação coletiva batizada de (Re)Junto, na qual os visitantes da exposição poderão colar "azulejos de papel" diretamente sobre as paredes da galeria, delegando ao público a composição final da obra, numa referência direta a Athos Bulcão, que por vezes deixava por conta dos operários a decisão de como os azulejos deveriam ser aplicados em seus painéis, como ocorreu por exemplo, com a obra da Praça da Apoteose, Sambódromo, Rio de Janeiro (1983).















exposição REJUNTE 
de Fábio Carvalho 
curadoria: Marco Antonio Teobaldo

inauguração 27 de maio - 18h
 
visitação 28 de maio a 25 de julho 
terça a sexta - 12h > 18h 
sábado - 10h > 13h

Galeria Pretos Novos
 
Rua Pedro Ernesto, 34 - Gamboa
fone 2516-7089

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Maurizio Cattelan

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