quinta-feira, 14 de maio de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Janaína Corá





Quem é Janaína Corá?
Eu nasci em Chapecó (SC),  em 31 de outubro de 1978. Atuo como professora de Arte na Educação Básica, em uma escola pública do estado, há 16 anos. Perto de Chapecó existe um lugar onde cresci, que tem cheiro de terra molhada quando chove, e que a poeira levanta em dias quentes. Com poucas ruas, e poucas casas e comércio. Foi nesse lugar bem longe das Artes do mundo que me criei, com cheiro de pão assando no forno, café no bule, sino da igreja tocando e cumprimento de chapéu na mão. Um  “Ôh de casa” ainda se ouve por lá. Meu pai, de família muito humilde, largou a escola para trabalhar ainda criança, aprendeu a tocar violão ouvindo e vendo os outros tocarem. Para o meu avô materno, estudar em boas escolas era prioridade, minha mãe a mais velha, se formou em Pedagogia, estudou francês, latim, piano, pintura e boas maneiras. Sou mãe de: Sofia, Francisco e João Miguel.

Como a arte entrou em sua vida?
Aos quinze anos fui estudar Desenho e História da Arte, na Escola de Artes de Chapecó. Mas cresci vendo as pinturas da minha mãe nas paredes de casa. Ela aprendeu a pintar a óleo com as irmãs no colégio interno onde estudava.  Acho que aprendi a gostar de arte  com as pinturas dela. Depois no curso de desenho com Vicky Lecuona, uma argentina falante e alegre de Buenos Aires, minha primeira professora de desenho. Até os dezessete anos, Vicky me ensinou o amor pelo desenho, a benevolência e a placidez.

Qual foi sua formação artística?
Estudei Licenciatura em Educação Artística, com habilitação em Artes Plásticas. Cursei especialização em Estética e no Ensino da Arte.

Que artistas influenciam em sua obra?
Toulouse Lautrec, George Bazelitz, Iberê Camargo, Francis Bacon, Rembrandt, Jean MicheL Basquiat,  Edward Hopper, mas destacaria Fernando Augusto dos Santos.

Como você descreve seu trabalho? Falar sobre meios utilizados e assuntos discutidos. Óleo ou acrílica?
O desenho sempre foi a base do meu trabalho. O que fiz foi  aprender a desenhar, lápis e papel sempre foram minha principal matéria prima de estudante. Na universidade comecei a utilizar a tinta pra cobrir áreas grandes com maior facilidade. Descobri o gestual no desenhar, numa aula de teatro. Aí as camadas e áreas de tinta foram gradualmente aumentando. Demorei pra perceber que estava pintando. Sempre usei acrílica, agora começo a conhecer as infinitas possiblidades do óleo. A cor é muito mais potente na tinta a óleo. Então o trabalho vinha a tempos pedindo esse material. Seja como for, as questões prementes no meu trabalho são sempre de cunho pessoal, sem a pretensão de salvar o mundo, mas de compreendê-lo.

Você poderia falar sobre o desenvolvimento da arte contemporânea em Chapecó?
A pouco mais de uma década não tínhamos sequer uma galeria de arte. Hoje existem três, duas administrada pela Prefeitura Municipal e a outra do SESC. O SESC realmente contribui com projetos e exposições importantes para este desenvolvimento, cria um movimento interessante na cidade, incentiva a produção e a difusão. O curso de Artes Visuais inicia somente em 1996. Mas destaco a importância para a cidade da Escola de Artes de Chapecó, fundada  na década de 80. Na área da Música, Dança e Artes Plásticas, a escola influenciou estudantes a buscarem a graduação em Arte. Atualmente, existe um número ainda que pequeno, mas expressivo de artistas procurando desenvolver o seu trabalho numa estética contemporânea. É necessário produzir contemporaneamente, mas também formar público para ver esta arte.

É possível viver de arte no Brasil?
É possível, mas não sem muito trabalho.

A mulher e o homem já estão em igualdades de condições no mercado de arte brasileiro?
Essa é uma pergunta engraçada. A mulher e o homem já estão em igualdade em algum mercado? Existe a arte do homem e  a  arte da mulher? Pra começar essa diferença não deveria existir. Se existe a pergunta, então não, não existe condições de igualdade no mercado de arte brasileiro.

Como você estuda e se atualiza?
Estico bem os braços e faço o possível para ler, ver e tentar ficar atualizada com a arte produzida por aí, não somente nas Artes Visuais, mas no cinema, literatura, na música etc. Como professora, mãe, artista ou cidadã isso também é necessário.  Ainda não foi inventado nada melhor do que ver uma exposição, espetáculo, pessoalmente.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não tenho a mínima ideia. Porque já vi muito trabalho fazendo sucesso  em galerias por aí, que eu jamais como galerista, caso fosse, representaria. Responder sobre o que é fazer um bom trabalho, seria piegas e  absolutamente incauto.

O material nacional para pintura já tem padrão de qualidade suficiente?
Não. Os melhores materiais de pintura e desenho ainda são produzidos longe de nós. O que não impede a produção. Quer fazer arte? Faz-se com o que está ao alcance das mãos.

Quais são seus planos para o futuro?
Ainda não sei o que farei amanhã. Mas se der pra escolher, a Arte vai estar presente nos meus planos. Ficar sem a tal da Arte, é que fica complicado. Pessoalmente, ela atua como uma espécie de filtro, que vai coando o olho que teima em ficar embaçado. Refina os sentidos, torna-nos mais atentos ao que acontece fora e dentro da gente.



































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Maurizio Cattelan

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